entrevista ISSN 2175-6708
082.03 · ano 21, abr. 2020

sinopses

português
Entrevista com Hernán Díaz Alonso, realizada a partir da pesquisa “A Educação do Arquiteto para o Século 21 – O Ensino do Projeto de Arquitetura e Urbanismo no final do Curso", em desenvolvimento no Propar UFRGS, com verba de custeio Capes.

english
Interview with Hernán Díaz Alonso, based on the survey "Architect's Education for the 21st Century – Teaching the Architecture and Urbanism Project at the end of the Course", under development in the Propar UFRGS, with funding from Capes.

español
Entrevista con Hernán Díaz Alonso, basada en la investigación "La educación del arquitecto para el siglo 21 – Enseñanza del Proyecto de Arquitectura y Urbanismo al final el Curso", en desarrollo en el Propar UFRGS, con fondos de Capes.

como citar

Sérgio M. Marques. “Entrevista com Hernán Díaz Alonso”. Vitruvius entrevista, ed. 21.082. 2020. Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7718

SCI-Arc e, à esquerda, o 438 – unit apartment complex, arquiteto Michael Maltzan Architecture (MMA), 2014
SCI-Arc e, à esquerda, o 438 – unit apartment complex, arquiteto Michael Maltzan Architecture (MMA), 2014

No campo do ensino superior e da pesquisa científica, já há mais de um século os Estados Unidos lideram os rankings de melhores instituições universitárias e os maiores índices de patentes, artigos e publicações científicas produzidas. Além das tradicionais instituições de ensino da Nova Inglaterra, como Harvard e M.I.T., Princeton em Nova Jersey, Yale em Connecticut e as Universidades de Nova York como Columbia e The Cooper Union, o ensino da arquitetura na costa oeste, em franco diálogo com a indústria da tecnologia, da moda e da cultura, seguidamente é apontado como o avant-garde da cena contemporânea. Ainda que na América Latina mudanças radicais no ensino superior, como o ingresso de multinacionais de ensino, com ações na bolsa, no outrora "mercado" dominado exclusivamente pelas universidades públicas e gratuitas e/ou privadas sem fins lucrativos, tenham trazido impactos negativos sem precedentes na qualidade, acompanhados pelo uso indiscriminado de novas tecnologias como o EAD, justamente conhecer o que pensam e o que praticam as instituições de referência no próprio contexto norte-americano parece ser uma necessidade estratégica.

Portanto, no sentido de construir uma visão crítica, não apenas recessiva, desde a margem vulnerável e ao sabor das mudanças de interesses de toda ordem, mas com intuito de entender a visão de futuro, de escolas e lideranças que ocupam a ponta destes movimentos e determinam tendências, é que parte desta pesquisa foi realizada. A Southern California Institute of Architecture SCI-Arc em Los Angeles figura frequentemente nos rankings internacionais como uma das cinco melhores faculdades de arquitetura do mundo. Com história semelhante à da Escola da Cidade em São Paulo – fundada por arquitetos com objetivo de inovar o tradicional ensino de arquitetura – e com investimentos pesados na infraestrutura e na pesquisa, a SCI-Arc, se não ocupa de fato uma condição de referência para a reflexão sobre o futuro da profissão e da educação do arquiteto, traz enorme produção e material para isto.

Favoreceu tremendamente o reconhecimento sobre as experiências da SCI-Arc a presença de seu atual diretor, o Arquiteto Hernán Díaz Alonso, nascido em Buenos Aires, Argentina, e formado em Rosário, mais ou menos da mesma geração. Neste sentido os paralelos com a América Latina e os contrastes com o contexto norte-americano se explicitam com clareza não só através de interpretações acadêmicas, mas pela experiência pessoal, principal condição perseguida pela pesquisa. Em um período letivo, visitamos a SCI-Arc, no Arts Districts em Los Angeles, uma área industrial dominada por fábricas desativadas e pavilhões de logística, atualmente em franca revitalização, como se pretende com o Quarto Distrito em Porto Alegre.

O Santa Fé Freight Depo, um prédio do início do século 20, projetado por Harrison Albright, foi adaptado para sediar a escola, antes localizada em Santa Monica, por um graduado da SCI-Arc e atual membro da faculdade, arquiteto Gary Page. O edifício, um pavilhão longitudinal de mais de uma centena de metros, é lindeiro ao 438 – unit apartment complex projetado por Michael Maltzan Architecture (MMA), em 2014, com tipologia aparentada aos pavilhões da vizinhança. O prédio da SCI-Arc, com sua longitudinalidade visível desde a generosa circulação que vertebra toda a escola, como uma rua interna, igualmente revela uma cena contemporânea. Os espaços flexíveis, a intercomunicação de áreas de trabalho com superfícies para exposições, circulações entremeadas por lugares onde constantemente acontecem críticas públicas de projetos acadêmicos, espaços recheados de maquetes, desenhos e peças de design produzidas pelos estudantes redobram a ideia de vanguarda da escola. Impressiona igualmente a disponibilidade de infraestrutura com postos de trabalho para estudantes, dotados de impressoras 3D individuais, maquetarias com robôs e outros recursos futuristas.

No dia da entrevista, um problema de agenda de Hernán nos obrigou, para esperá-lo, a comer um dos melhores hambúrgueres consumidos na Califórnia, servido na cantina da escola.

Santa Fé Freight Depo, projetado por Harrison Albright em 1907, adaptado para sediar a SCI-Arc por Gary Page em 2000
Santa Fé Freight Depo, projetado por Harrison Albright em 1907, adaptado para sediar a SCI-Arc por Gary Page em 2000