português Danilo Miranda – gestor cultural e diretor do Sesc São Paulo – é entrevistado por Abilio Guerra, Marta Bogéa e Giovanni Pirelli no programa Transa Marieta, episódio 4.
como citar
Abilio Guerra.
“Danilo Miranda, um intelectual a serviço do Brasil”.
Vitruvius entrevista, ed. 21.082. 2020.
Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7792
Transa Marieta #4: Danilo Miranda, Silvana Romano, Abilio Guerra, Marta Bogéa, Caio Guerra, Giovanni Pirelli e Helena Guerra
Lançado em abril de 2020, o “Transa Marieta” – programa de entrevistas com personalidades da arte e da cultura contemporânea – busca manter ativa nesses tempos de pandemia e isolamento social as ações culturais do projeto Marieta, coletivo formado pela aliança entre a produtora Irmãos Guerra Filmes, a empresa de consultoria cultural Cactus e o portal Vitruvius (Romano Guerra Editora). Realizado em ambiente virtual, o Transa Marieta teve como primeiros convidados o escritor Milton Hatoum (1), o músico Arrigo Barnabé (2), e a arquiteta Erminia Maricato (3), todos com expressiva audiência.
No quarto episódio da série, o Transa Marieta recebeu Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo desde 1984. O evento ocorreu no dia 22 de junho de 2020, com início às 18h30, com aproximadamente duas horas e meia de duração, e transmissão ao vivo via Facebook, na página do projeto Marieta (4). Com grande repercussão e participação do público, teve mais de 2.200 visualizações, 178 comentários e 41 compartilhamentos durante sua exibição. Agora, na íntegra, a entrevista está disponibilizada na plataforma Youtube e pode ser acessada no módulo 2 dessa edição da entrevista.
Autor bissexto de artigos e organizador de um livro importante sobre a relação entre ética e cultura (5), Danilo Miranda é reconhecido nacional e internacionalmente pelo trabalho que realiza à frente da instituição, onde ao longo das décadas tem priorizado a excelência da programação cultural e a qualidade arquitetônica dos equipamentos – as unidades Pompeia (Lina Bo Bardi), 24 de Maio (Paulo Mendes da Rocha/MMBB Arquitetos), Vila Mariana (Jerônimo Bonilha Esteves), Sesc Avenida Paulista (Jorge Königsberger e Gianfranco Vannucchi), Araraquara (Abrahão Sanovicz e Edson Elito), Pinheiros (Miguel Juliano), Santo Amaro (Edson Elito), Itaquera (Claudio Cianciarullo e Eduardo de Castro Mello, com adorável playground de Christina de Castro Mello e Rita de Cássia Vaz), para citar alguns projetos e arquitetos renomados –, que abrigam atividades artísticas, culturais, esportivas, pedagógicas e de lazer. Nos anos recentes a entidade tem promovido concursos públicos de arquitetura, ampliando o cartel de arquitetos na concepção de suas novas unidades (6).
Segundo Danilo Miranda, a cultura deve ser entendida de forma ampliada, com forte sentido educativo, entrelaçando o mundo das artes e do espetáculo à memória, à aprendizagem e à convivência. Para ele, “cultura e educação são duas facetas de uma mesma realidade”, como afirmou em 2019 na abertura do curso de gestão cultural promovido pelo Centro de Pesquisa e Formação do Sesc, unidade voltada à reflexão crítica e à produção de conhecimentos nos campos da educação, arte, gestão e mediação culturais, e que tem funcionado como ambiente de discussão da arte e da cultura, e como escola de excelência na formação de novos contingentes de gestores culturais.
A ideia de entrevistar Danilo Miranda era antiga e estava agendada para ocorrer dois anos antes, a ser publicada nesse mesmo espaço editorial – a revista Entrevista, do portal Vitruvius. A iniciativa de Abilio Guerra e Marta Bogéa era motivada pelos laços criados com a instituição e seu dirigente máximo durante os preparativos e realização da exposição Território de Contato, dividida em três módulos, e ocorrida em 2012 (7). Ao propormos o projeto expositivo que reunia arquitetos e artistas, argumentamos com Danilo Miranda que o Sesc Pompeia era o espaço ideal para abrigar a série de mostras. Concebido por Lina Bo Bardi, se tornou ao longo dos anos em lugar especial para os arquitetos paulistanos, por sua capacidade única de acolhimento das pessoas, finalidade primordial da arquitetura.
A entrevista originalmente concebida – e não realizada de imediato por dificuldades no agendamento e atribulações pessoais dos envolvidos – voltou à pauta graças à relevância do personagem envolvido, que se encaixava com perfeição no rol de entrevistados do programa Transa Marieta. O escopo original da entrevista, mais centrado nos aspectos arquitetônicos e institucionais das unidades do Sesc São Paulo, acabou servindo de base para os blocos 2 (“A instituição Sesc”) e 3 (“O Sesc São Paulo como promotor da boa arquitetura”) da entrevista. A situação atual do país – mistura explosiva de pandemia na saúde pública e pandemônio no governo federal – e da instituição Serviço Social do Comércio – ameaçada por interesses neoliberais manifestos pelo atual ministro da economia, nos motivou a dar uma maior abrangência à entrevista, focando também o homem e o intelectual que dirige a administração regional de São Paulo há quase quatro décadas. Assim, o primeiro bloco (“Danilo Santos de Miranda – retratos da formação”) e o último bloco (“Danilo Santos de Miranda – um intelectual a serviço do país”) tematizam a formação moral, ética e intelectual do entrevistado, que resultam em uma atuação exemplar, reconhecida e valorizada não só no campo da cultura, pois transcende para o âmbito geral da sociedade.
Para pautar a discussão, a entrevista contou com as participações de Marta Bogéa, arquiteta e professora, Giovanni Pirelli, produtor cultural, e Abilio Guerra, arquiteto, editor e professor. O roteiro de entrevista, dividido nos quatro blocos já mencionados, está publicado no módulo 3 dessa edição para que o leitor possa confrontar as pretensões iniciais dos entrevistadores e a entrevista realmente realizada, que encontrou seus próprios caminhos, tendo como guia a simpatia e inteligência do convidado. Isaura Botelho, consultora de instituições públicas e culturais, previamente escalada para a conversa, não pôde participar devido problemas pessoais. Contudo, nas conversas de preparação da entrevista, ela fez questão em nos lembrar que a atuação de Danilo Miranda dá amplo sentido à frase “só a cultura salva”.
Por fim, é fundamental agradecer aos Amigos do Marieta (8), pessoas que espontaneamente têm apoiado o centro cultural Marieta, impossibilitado no momento atual em desenvolver suas atividades cotidianas, portanto com dificuldades em manutenção de seu espaço.
notas
1 O primeiro episódio do “Transa Marieta”, com Milton Hatoum, ocorreu no dia 20 de abril de 2020, com início às 18h30, e está disponibilizado no portal Vitruvius: GUERRA, Abilio; MASSI, Augusto; BUSSIUS, Julia. Milton Hatoum: literatura em tempos de cólera política e pandemia de coronavírus. Transa Marieta – episódio 1. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.02, Vitruvius, abr. 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7713>.
2 O segundo episódio do “Transa Marieta”, com Arrigo Barnabé, ocorreu no dia 12 de maio de 2020, com início às 18h30, e está disponibilizado no portal Vitruvius: GUERRA, Abilio; ROMANO SANTOS, Silvana. As mil faces do artista Arrigo Barnabé. Transa Marieta – episódio 2. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.04, Vitruvius, maio 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7740>.
3 O terceiro episódio do “Transa Marieta”, com Erminia Maricato, ocorreu no dia 26 de maio de 2020, segunda-feira, com início às 18h30, e está disponibilizado no portal Vitruvius: GUERRA, Abilio; SAMPAIO, Celso Aparecido; WHITAKER, João Sette; RUBANO, Lizete Maria. Erminia Maricato, arquiteta, professora, gestora pública e ativista social. Transa Marieta – episódio 3. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.05, Vitruvius, maio 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7757>.
5 MIRANDA, Danilo Santos de (Org.). Ética e cultura. São Paulo, Perspectiva, 2004.
6 No último módulo da entrevista, na ficha técnica, o leitor poderá encontrar os diversos artigos e matérias publicadas nas revistas do portal Vitruvius, que tratam de projetos construídos e premiados em concursos promovidos pelo Sesc São Paulo.
7 O evento contou com o apoio de diversos funcionários da entidade, em especial de Elisa Maria Americano Saintive, à frente da unidade Pompeia naquela oportunidade. Exposição Território de Contato, curadoria Marta Bogéa e Abilio Guerra, Sesc Pompéia, de 24 de maio a 05 de agosto de 2012. Módulo 1 – Brasil Arquitetura e Cao Guimarães (24 de maio a 10 de junho); Módulo 2 – Marcos Acayaba e Nicolás Robbio (21 de junho a 8 de julho); Módulo 3 – MMBB Arquitetos e Gisela Motta / Leandro Lima (19 de julho a 05 de agosto). Os textos curatoriais estão disponibilizados na revista Arquitextos, do portal Vitruvius:
BOGÉA, Marta; GUERRA, Abilio. Algo muito humano além de belo. Exposição Território de Contato, módulo 1: Cao Guimarães e Brasil Arquitetura. Arquitextos, São Paulo, ano 12, n. 144.00, Vitruvius, maio 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.144/4365>.
BOGÉA, Marta; GUERRA, Abilio. O desenho e a construção. Território de Contato, módulo 02: Nicolas Robbio e Marcos Acayaba. Arquitextos, São Paulo, ano 14, n. 167.00, Vitruvius, abr. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/14.167/5184>.
BOGÉA, Marta; GUERRA, Abilio. Paisagens justapostas: colagens. Exposição Território de Contato, módulo 3: MMBB Arquitetos e Gisela Motta & Leandro Lima. Arquitextos, São Paulo, ano 15, n. 175.06, Vitruvius, dez. 2014 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/15.175/5382>.
8 O Marieta e sua equipe contam com o apoio de Ana Lucia R M F Costa, Ana Amora, Andrea Pisani Megna Sipoli, Atito Prem, Daniel Martins Rodrigues, David da Silva Junior, Denise Matta, Denise Teixeira, Erika Almenara, Fausto Sombra, Gleisson Arrabal, Guilherme Severo, Helder Lourenzi, Inaie Cardozo, Isabella Hernandes, Jaime Cupertino, Laís Braun Ferreira, Lana Terpins, Larissa Dionisio, Leda Braga, Magaly Corgosinho, Marcelo Consiglio Barbosa, Mariana Schmidt, Marina Dias Teixeira, Marina Frugoli, Matheus de Sousa Santos, Néliane Catarina Simioni, Norma Maria Romano Santos, Patrícia Martins, Paula Nocchi Martins, Paula Sacchetta, Paulo Moritz Kon, Renato Anelli, Ruth Verde Zein, Sandra Rodondi de Godoy, Sergio Kon, Taisa Cristina dos Santos Leonardo, Thomas Goldenstein Leirner, Yadhira Álvarez e Yasmin Abdalla.
Abaixo, segue o roteiro da entrevista elaborado pelos entrevistadores, que foi parcialmente seguido durante a realização da conversa.
Sesc Pompeia, São Paulo SP, arquiteta Lina Bo Bardi
Bloco 01 – Danilo Santos de Miranda – retratos da formação [família, formação, iniciação ideológica, grupos, amigos, predileções, universidade, pensamento]
Abilio Guerra: Danilo Santos de Miranda é nascido em Campos dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro, em 24 de abril de 1943. Como foi sua infância, sua relação com a família e com a sociedade local?
Giovanni Pirelli: Você entra muito jovem na Escola Apostólica dos Jesuítas em Nova Friburgo, interior do Rio. Depois, em 1963, ingressa na Ordem dos Jesuítas, baseada no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, interior de São Paulo. Como você entende hoje o componente religioso em sua formação como homem, cidadão e intelectual?
Marta Bogéa: Você estudou Filosofia e Ciências Sociais na PUC-SP e fez curso complementar em gestão empresarial no International Institute for Management Development – IMD, na Suíça. Você reconhece ecos de sua formação em sua vida pessoal e profissional?
Sesc 24 de Maio, São Paulo SP, arquiteto Paulo Mendes da Rocha + MMBB Arquitetos
Bloco 02 – A instituição Sesc
[ingresso, participações, projetos, realizações]
Abilio Guerra: Quando e como foi seu ingresso no Sesc São Paulo?
Marta Bogéa: O Sesc proporciona educação, saúde, lazer e cultura. Em São Paulo a matriz cultural é relevante e tem abarcado uma variedade admirável de linguagens, artistas e público. Como esse traço foi se constituindo em sua gestão?
Giovanni Pirelli: O Centro de Pesquisa e Formação – CPF, inaugurado em 2012, é uma unidade do Sesc São Paulo voltada para a produção, formação e difusão de conhecimento. Nesse período, o CPF se tornou uma referência para pesquisadores e agentes culturais. Do seu ponto de vista, o CPF deve atender quais demandas?
MB: O acolhimento é um traço característico do Sesc São Paulo, sendo o espaço de convivência sua melhor expressão. Na imensa diversidade dentre as quarenta unidades operacionais (23 na grande São Paulo e 17 no interior e litoral), reconheço um importante aspecto comum: o que as une é uma certa ética, um oásis de gentileza na cidade hostil. Como você explica isso?
AG: Há distinção no mix de atividades entre as unidades do interior e da capital? E considerando a capital, há distinções entre as unidades mais centrais e as periféricas?
GP: Diante da excelência da programação do CPF, eu destacaria a iniciativa voltada para os centros culturais auto-organizados, o projeto “Casas – espaços de produção cultural”, que alimenta o diálogo entre gestores de espaços independentes da cidade. Hoje, frente à pandemia, os espaços independentes talvez sejam o elo mais dinâmico e ao mesmo tempo mais frágil do sistema cultural. Qual o papel do Sesc no diálogo proposto?
Bloco 03 – O Sesc São Paulo como promotor da boa arquitetura [projetos arquitetônicos, arquitetos, relação com a cidade]
Giovanni Pirelli: Por que o Sesc São Paulo dá tanta importância à arquitetura? Quando essa política cultural teve início?
Abilio Guerra: Como foi e tem sido sua relação com importantes arquitetos que prestaram serviço ao Sesc (Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha, Abrahão Sanovicz, Edson Jorge Elito, Miguel Juliano, Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, e tantos outros)?
Marta Bogéa: Os concursos de arquitetura para novas unidades do Sesc têm sua grande qualidade ao promover o diálogo e a experimentação entre os arquitetos. Por outro lado, se coloca o desafio da instituição lidar a cada nova unidade com uma equipe distinta. Como você entende essa ambivalência e como ela é tratada pelo Sesc?
GP: Em algum momento o Sesc já pensou em unidades de outra escala, muito menores, de periferia, com mais capilaridade, utilizando lideranças culturais locais? Pequenas unidades de produção de arte e cultura, que alcancem um grupo menor de interlocutores, mas de forma mais direta e transformadora?
AG: O Sesc tem criado equipamentos em diversas cidades e regiões da capital de São Paulo. O profundo enraizamento local é marca registrada de diversos deles, o que identifico como uma dimensão urbanística dos equipamentos. Qual o segredo?
MB: O Sesc tem instalado unidades provisórias antes mesmo de contar com a materialidade arquitetônica de novos espaços, caso do Sesc D. Pedro, que visitei recentemente. Uma arquitetura de usos que antecipa a arquitetura como fato material. Gostaria de te ouvir sobre essa estratégia de ir constituindo a programação e o convívio antes mesmo de qualquer construção.
Sesc Avenida Paulista, São Paulo SP, arquitetos Jorge Königsberger e Gianfranco Vannucchi
Bloco 04 – Danilo Santos de Miranda – um intelectual a serviço do país [questões atuais, atividades prediletas, gostos em relação às artes]
Marta Bogéa: Você já foi condecorado e homenageado em diversos países além do Brasil: Alemanha, México, Portugal, duas vezes na França, Bélgica, Turquia, EUA, Chile, Suíça e outros. Aqui no Brasil, uma das maiores homenagens foi se transformar em verso de Tom Zé, na música “O céu desabou” do álbum Estudando a bossa (2008):
Mas seremos a cultura Gratos a nosso Fernando Faro, oh Que Ruy Castro, que Zu Ventura, oh!
Badabadibadabadá oh Que o Danilo nos mirando, oh!
Com o trabalho tão reconhecido, como você, através do Sesc, vê sua contribuição atual para a dignidade do nosso hoje tão frágil país?
Giovanni Pirelli: Hoje, o Sesc e diversas instituições nacionais voltadas ao bem comum estão sob pressão por parte do governo federal. Qual a estratégia para o Sesc-SP continuar na “boa tradição”?
Abilio Guerra: Você é organizador do livro “Ética e cultura”, publicado pela editora Perspectiva em 2004, que traz autores do quilate de Bento Prado Júnior, Olgária Matos, Renato Janine Ribeiro, Roberto Romano, apenas para citar alguns. Qual foi a motivação desse livro? Como você enxerga a publicação no contexto atual?
GP: Como você mesmo apontou em entrevistas recentes, depois de quase quarenta anos de serviço está se aproximando o momento de uma transição na liderança do Sesc-SP. Como você e a instituição estão se preparando para esse momento?
MB: A 12a Bienal de Arquitetura de São Paulo, intitulada “Todo dia”, ocorreu em 2019. No CCSP havia postais com desenhos de um estudo de campo ocorrido entre ETH Zurich e FAU USP, coordenado pelo Professor Tom Avermaete e chamado "Estórias do Sesc: um arquivo social”. Nos conte uma de suas (h)estórias, do seu “arquivo pessoal” com o Sesc.
AG: Como é sua diversão nas horas de lazer? O cidadão Danilo Miranda tem uma vida social e cultural fora do Sesc? [essa pergunta pode não ser feita, dependendo das circunstâncias e, em especial, da resposta à pergunta anterior]
Danilo Santos de Miranda
Nascido em Campo dos Goytacazes, Estado do Rio de Janeiro, em 1943, Danilo Miranda é gestor cultural. Desde 1984, é diretor do Serviço Social do Comércio – Sesc do Estado de São Paulo. Membro de conselhos de entidades nacionais diversas – Fundação Bienal de São Paulo, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Masp, Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM-SP, Itaú Cultural, Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin e SP Escola de Teatro –, foi presidente do Conselho Diretor do Fórum Cultural Mundial (2004) e presidente da comissão organizador do Ano da França no Brasil (2009). Sua atuação internacional também abrange a vice-presidência do Conselho Internacional de Bem-Estar Social – ICSW, na sigla em inglês – de 2008 a 2010, além da composição atual da diretoria da ONG Art for the World, sediada na Suíça e dedicada à difusão da arte contemporânea.
Abilio Guerra
Arquiteto (PUC-Campinas, 1982), mestre e doutor em História (IFCH Unicamp, 1989 e 2002), professor da FAU Mackenzie. Membro fundador do Marieta (com Caio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra e Silvana Romano Santos), é editor da Romano Guerra Editora e do Portal Vitruvius ao lado de Silvana Romano. É coautor do livro Rino Levi – arquitetura e cidade (com Renato Anelli e Nelson Kon, 2001), autor de O primitivismo em Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Raul Bopp (2010), Arquitetura brasileira: viver na floresta (2011) e Arquitetura e natureza (2017), e organizador de Textos fundamentais sobre historia da arquitetura moderna brasileira (2010), Brasil Arquitetura – Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz (com Marcos Grinspun Ferraz e Silvana Romano Santos) e diversos outros livros.
Marta Bogéa
Arquiteta (UFES, 1987), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP, 1993), doutora e livre-docente em Arquitetura e Urbanismo (FAU USP, 2006 e 2018). Professora da FAU USP, onde coordenou o curso de graduação (2017-2019) e é bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq n2 (2019-2021). Coordenadora do Programa de Pós-Graduação da USJT (2008-2010). É autora dos livros Two-way street: The Paulist Avenue flux and counter-flux of modernity (San Diego State University Press, 1993) e Cidade errante: arquitetura em movimento (Editora Senac, 2009), frutos do mestrado e doutorado. Curadora da exposição Território de Contato – módulo 1: Cao Guimarães e Brasil Arquitetura; módulo 02: Nicolas Robbio e Marcos Acayaba; módulo 3: MMBB Arquitetos e Gisela Motta & Leandro Lima (Sesc Pompeia, 24 maio – 5 ago. 2012).
Giovanni Pirelli
Produtor cultural e curador, sócio-diretor da empresa de consultoria cultural Cactus e diretor executivo do espaço cultural Marieta. Italiano, frequentou cursos de Literatura Contempora?nea da Universita? degli Studi di Milano e, entre 2012 e 2013, fundou e coordenou o Cubo, incubadora de artistas e projetos culturais, localizada no centro de Mila?o. Em 2013, trabalhou para a revista internacional Vice e foi curador da exposição Pulsar, sobre o trabalho da artista Marinella Pirelli, em Mila?o. Desde 2009 é conservador e promotor do acervo da obra da artista italiana Marinella Pirelli. No Brasil, onde se radicou em 2015, tem colaborado com instituições públicas e privadas, como Instituto Tomie Ohtake, MAB-FAAP, Instituto Goethe, Instituto Bardi e Sesc SP.
Entrevista
A entrevista com Danilo Miranda ocorreu no dia 22 de junho de 2020, segunda-feira, das 18h30 às 21h. O encontro ocorreu virtualmente, via Zoom, e foi transmitido ao vivo no Facebook, na página do projeto Marieta (www.facebook.com/projetomarieta), com as participações dos entrevistadores Abilio Guerra, Giovanni Pirelli e Marta Bogéa, e participação do público, que encaminhou antecipadamente perguntas por escrito, material que serviu de base e referência para as perguntas.
Projeto Marieta
O projeto Marieta é voltado para o pensamento contemporâneo, envolvendo pessoas de gerações e experiências diferentes, se propondo como lugar de criação, debate e difusão de produções artísticas e culturais. A diretoria e conselho curatorial é da responsabilidade do coletivo formado por Abilio Guerra, Caio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra, Silvana Romano Santos, Julia Zylbersztajn e Pedro Santiago. Atualmente conta com as participações de Magaly Corgosinho e Neliane Simioni (assessoria de imprensa); Bianca Leite (artista residente); Julia Rantigueri, Pedro Iwo de la Costa e Flavia Fonseca (colaboradores internos); André Scarpa, Felipe Rodrigues, Julia Vianna, Marina Dias Teixeira e Pablo Figueroa (colaboradores externos); Lírios Spacca (design gráfico); Lucas Minari (tuttofare). O grupo conta com a adesão fundamental de Claudia Romano, Emiliana Romano Santos, Norma Romano Santos (apoio moral) e de Garibaldi Maria Pirelli Guerra, Martino Pirelli Guerra, Piero Pirelli Guerra, Tom Guerra, Francesca Tosi, Francesco Pirelli e Nina (apoio emocional). Nos tempos atuais de pandemia, o espaço está se mantendo aberto e atuante (virtualmente) graças ao apoio de amigos do Marieta, via apoio cultural no website benfeitoria.com/marieta.
Sesc no portal Vitruvius
ALMEIDA, Lutero Proscholdt. Dobras Deleuzianas, Desdobramentos de Lina Bo Bardi. Considerações sobre “desejo” e o “papel do arquiteto” no espaço projetado. Arquitextos, São Paulo, ano 13, n. 146.01, Vitruvius, jul. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/13.146/4422>.
BISELLI, Mario; LIMA, Ana Gabriela Godinho. Estratégias contemporâneas de projeto na cidade de São Paulo. Instituto Moreira Salles e Sesc 24 de Maio. Arquitextos, São Paulo, ano 18, n. 216.00, Vitruvius, maio 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/18.216/6989>.
DIAS, Bruno; ABASCAL, Eunice Sguizzardi. Sesc Pompeia, Casa de Vidro e Masp. A coerência projetual entre arquitetura e o mobiliário nas obras de Lina Bo Bardi. Minha Cidade, São Paulo, ano 17, n. 200.07, Vitruvius, mar. 2017 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/17.200/6478>.
GODINHO, André; FREIRE, Anita; ARRUDA, Carlos Augusto; SACCONI, Carolina; CHIAVONE, João; DONDO, Marcelo; DOMSCHKE, Vera. Sesc Franca. Projetos, São Paulo, ano 13, n. 149.02, Vitruvius, maio 2013 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.149/4750>.
LIMA, Evelyn Furquim Werneck. Por uma revolução da arquitetura teatral:. O Oficina e o SESC da Pompéia. Arquitextos, São Paulo, ano 09, n. 101.01, Vitruvius, out. 2008 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.101/100>.
PIRAZZOLI, Giacomo. Paulo Mendes da Rocha: sobre o edifício Sesc 24 de Maio. Entrevista a Giacomo Pirazzoli. Entrevista, São Paulo, ano 19, n. 075.01, Vitruvius, set. 2018 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/19.075/7107>.
PUNTONI, Alvaro; SODRÉ, João; GOUVÊA, José Paulo; ROCHA, Pedro Mendes da. Sesc Limeira. Primeiro lugar em concurso nacional de projetos. Projetos, São Paulo, ano 17, n. 201.05, Vitruvius, set. 2017 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/17.201/6704>.
RODRIGUES, Felipe SS. Dois corpos ocupam o mesmo lugar no espaço. Arquitetura do Sesc 24 de Maio de Paulo Mendes da Rocha. Projetos, São Paulo, ano 17, n. 201.02, Vitruvius, set. 2017 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/17.201/6673>.