português A partir do roteiro previamente elaborado por Abilio Guerra e Silvana Romano Santos, os entrevistadores Carla Camurati, Luiz Gê, Irmãos Sampaio e Abilio Guerra conversam com o músico brasileiro Arrigo Barnabé, programa disponível em vídeo.
como citar
Abilio Guerra.
“As mil faces do artista Arrigo Barnabé”.
Vitruvius entrevista, ed. 21.082. 2020.
Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7740
Arrigo Barnabé, Caio Guerra, Abilio Guerra, Luiz Gê, Paulo Sampaio @ João Sampaio, Giovanni Pirelli & Helena Guerra, Carla Camuratti
Após a estreia do “Transa Marieta” no mês de abril passado (1), programa com personalidades da arte e da cultura contemporânea, o segundo episódio ocorreu no dia 12 de maio de 2020, com início às 18h30, com quase duas horas de duração, e foi transmitido ao vivo via Facebook, na página do projeto Marieta, chegando a mais de 1.000 visualizações e recebendo 48 comentários.
Nas semanas anteriores ao evento, Silvana Romano Santos fez extensa pesquisa da trajetória de Arrigo Barnabé, resgatando suas participações em obras próprias e como convidado nas áreas da música, cinema, teatro, rádio etc. Um artista de mil facetas surgiu após horas de pesquisa na internet, com leitura de artigos e livros, juntando um material suficiente para dezenas de entrevistas.
A seleção dos entrevistadores foi feita a partir desse critério: abarcar a multiplicidade de sua atuação artística, revelando não só a amplitude, profundidade e complexidade de sua capacidade criativa, mas também seu lado operário, que se aplica com enorme dedicação e seriedade a cada novo desafio.
Luiz Gê, seu grande amigo e parceiro de diversos trabalhos ao longo das décadas, cobriria sua conexão com as artes visuais em geral e a história em quadrinhos em especial. Carla Camurati, atriz e diretora de cinema e teatro, e parceira de trabalho em dois filmes, se incumbiria das recorrentes investidas de Arrigo na sétima arte, como ator, roteirista e compositor de trilhas sonoras. E sua atividade principal na área de música seria escrutinada pelos jovens e talentosos irmãos Sampaio – João, mais velho, atuante na área da música popular; Paulo, o mais novo, desenvolvendo estudos e composições na área da música erudita.
A conversa foi estruturada em três blocos temáticos – “Retratos de um artista quando jovem (católico)”, “A obra de arte na era da maquinização da vida” e “O artista na era da fakenização da sociedade” –, com a intenção de cobrir fases distintas de sua vida, permitindo a compreensão da formação e do desenvolvimento do artista ao longo das décadas. Nas perguntas imaginadas habitava o desejo que nas respostas do artista se revelassem aspectos internos – a invenção artística – e os aspectos externos da obra de arte – sua relação com a sociedade.
Três textos foram particularmente importantes para a estruturação dos blocos temáticos e de parte das perguntas: o artigo “O universo de Clara Crocodilo”, de Luiz Nazario (2); o livro autobiográfico O fim da infância, de Arrigo Barnabé (3); e o posfácio do livro de Arrigo, de autoria de Felipe Melhado, republicado de forma autônoma na revista Resenhas Online do portal Vitruvius (4).
No livro de Arrigo podemos acompanhar – ao menos em suas lembranças elaboradas – como as experiências da criança e do adolescente vão constituindo a sensibilidade e a visão de mundo do artista em formação. Nos conta, por exemplo, o despertar de seu interesse pela psicanálise ao assistir ao filme “Freud além da alma”, de John Huston, no início da adolescência, e, alguns anos depois, ao ler o livro Conversando com o homem dos lobos, de Karin Obholzer, que trata do famoso caso narrado por Freud em História de uma neurose infantil. Considerou que o livro seria “um bom material para uma ópera”, “uma ópera no divã”, com um título inspirado no caso freudiano: “O homem dos crocodilos” (5).
Felipe Melhado desenvolve a explicação de base psicanalítica, agora com auxílio de Gilles Deleuze, e sugere como o menino dócil de Londrina, que oscila entre os afetos alegres e a emoção triste, se transforma no adolescente transgressor, que busca escapar dos mecanismos de controle. “É Arrigo abandonando o compromisso familiar de cursar Engenharia Química ou Arquitetura, e por fim decidindo ser um músico, e ainda por cima de vanguarda” (6). Luiz Nazario tenta compreender a expansão da sensibilidade do artista no contato com a grande metrópole, a intuição aguda das relações contraditórias nas entranhas exploração capitalista, que produz, ao mesmo tempo, a realidade material dos bens de consumo e o universo anímico dos desejos e da alienação:
“Arrigo Barnabé rasga, então, o véu da imaginação, para oferecer a realidade em fotomontagens, instantâneos, reportagens, crônicas, fragmentos da surrealidade impressa no cotidiano. E basta ouvir essa estrofe: Ela era caixa num supermercado / Todo dia ela só apertava os botões / E aquelas máquinas cantavam, para que o sentido da alienação universal penetre em nós como uma faca” (7).
Quem for assistir à gravação da entrevista poderá escolher entre a transmissão original no Facebook (8), com o registro de comentários e perguntas encaminhados pela audiência, ou a versão disponibilizada no Youtube – e disponível no módulo 2 desta edição – e que torna acessível o conteúdo ao contingente expressivo de pessoas não frequentadoras de redes sociais. No módulo 3 está disponibilizado o roteiro da entrevista, que expressa a expectativa prévia do que ocorreria durante a entrevista, o que nem sempre foi conseguido, afinal a realidade tem sua própria dinâmica. A ficha técnica presente no módulo 4 traz informações sobre os participantes, sobre o evento e dados fartos sobre a trajetória de Arrigo Barnabé. Por fim, a função “como citar”, presente no menu em preto posicionado no lado superior direito, permitirá que os interessados façam a correta referência das falas de entrevistado e entrevistadores.
Segunda experiência ao vivo do coletivo, o programa “Transa Marieta” com Arrigo Barnabé é oferecido agora na forma de documento a todos os interessados em música, histórias em quadrinho, cinema, teatro e cultura em geral.
notas
1 O primeiro episódio do “Transa Marieta”, com Milton Hatoum, ocorreu no dia 20 de abril de 2020, com início às 18h30, e está disponibilizado no portal Vitruvius: GUERRA, Abilio; MASSI, Augusto; BUSSIUS, Julia. Milton Hatoum: literatura em tempos de cólera política e pandemia de coronavírus. Transa Marieta – episódio 1. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.02, Vitruvius, abr. 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7713>.
2 NAZARIO, Luiz. O universo de Clara Crocodilo. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, n. 59, São Paulo, dez. 2014, p. 413-418.
3 BARNABÉ, Arrigo. O fim da infância. Londrina, Grafatório, 2012, p. 84-94.
“Transa Marieta”, segundo episódio, dia 12 de maio de 2020, às 18h30. Entrevistadores: Carla Camurati, Luiz Gê, João Sampaio & Paulo Sampaio, e Abilio Guerra. Programa do Projeto Marieta (Helena Guerra, Caio Guerra, Giovanni Pirelli, Silvana Romano Santos e Abilio Guerra).
Tela de apresentação
Meia hora antes do início da entrevista entra no ar uma tela fixa contendo informações gerais sobre o evento
Início do evento
Helena Guerra apresenta o coletivo Marieta, o Transa Marieta e o episódio 2 do programa. A seguir, o início da entrevista, dividida em três blocos.
* * *
PARTE 1
[bloco temático aborda infância; juventude; chegada a São Paulo; curso de arquitetura; primeiras músicas]
Rafael Perrone pergunta para Arrigo Barnabé
Carta da Cantora para Martim, “Pontos de Fuga”, de Milton Hatoum, p. 201-202
Abilio Guerra: O texto de Milton Hatoum e a pergunta de Rafael Perrone se desdobram em duas questões: 1) sua relação de trabalho com a geração de amigos (Itamar Assunção, Luiz Gê, Milton Hatoum, Eliete Negreiros, Tetê Spíndola, Sérgio Espíndola, Paulo Braga, Hermelino Neder...); 2) o quanto sua formação de arquiteto está presente em sua obra. Você poderia comentá-las?
Luiz Gê: Você amargou sete longos e difíceis anos, desde a saída da FAU, até o festival de 1980. Porém, quando chegou lá, o álbum Clara Crocodilo estava (praticamente) pronto. Como surgiram as peças desse álbum? Surgiram junta ou espaçadas no tempo? Se espaçadas quanto? Eram composições inicialmente isoladas ou tinham alguma ligação necessária entre si? Lembro-me de músicas que tiveram completa mudança em suas letras, como Sabor de Veneno, por exemplo.
Carla Camurati: [pergunta expontânea]
Abilio Guerra: Você comenta em entrevistas e textos sobre as ambiguidades presentes em sua vida desde a infância – o popular X o erudito; o menino católico X jovem transgressor; os afetos alegres X emoção triste – sempre acompanhadas da noção de metamorfose, sendo maior símbolo o office-boy Durango, que se transforma no monstro Clara Crocodilo. Como você entende esse jogo de opostos e a passagem de um polo a outro? Como se relacionam como se conta e o que se conta?
João Sampaio: entendendo a Vanguarda Paulista enquanto momento histórico na música popular brasileira, o que os movia, o que os influenciava, aonde queriam chegar, o que cumpriram e com o que se frustraram, e que tipo de fio condutor você enxerga dentro de um movimento tão diverso?
Paulo Sampaio: Em Clara Crocodilo você cita um tema do Op.9 do Schumann, sampleia Stockhausen, tem uma linguagem no piano que remete a Bartók e uma escrita vocal que lembra as canções expressionistas do Schoenberg. Qual sua relação com a música erudita, tanto a clássica como a contemporânea? O que você ouve, o que te influencia?
Abilio Guerra: Vocêtem uma faceta lírica desde sempre, que parece ter sido em parte agasalhada no LP “Luar”, de 2003, que traz suas canções, com participações de Tuca Fernandes e o Quinteto Delas. Esse lado seu o conecta à música popular brasileira? Seria por esse motivo que Tom Jobim gostou tanto da música “Londrina”?
* * *
PARTE 2
[bloco temático aborda mundo do trabalho e da exploração; capitalismo, bens de consumo e alienação; deserdados e marginais; metrópole moderna; teatralização da vida; dodecafonismo; atonalismo]
Obras de Luiz Gê em parceria com Arrigo Barnabé
Abilio Guerra: O filme Cidade Oculta, de Chico Botelho (1986) se inicia com “Ronda 2”, música de abertura do filme: “Bares e clubes luzem sinais / Gangues de punks lúmpem demais / E prostitutas passam ao léu / E viaturas surgem no breu”. No conteúdo, temos a metrópole noturna e personagens soturnos, desafortunados, desajustados. Na expressão, a relação entre HQ, música, grafite nas empenas dos edifícios. Há uma exploração entre as fronteiras das artes e suas linguagens específicas, uma abertura para a criação de novas linguagens. Você poderia comentar sobre isso?
Carla Camurati: [pergunta espontânea]
Luiz Gê: As ligações com cinema, teatro, ópera são mais óbvias pelo fato de que sua lida é com música. Sei que foi importante para o seu trabalho, mas é mais incomum ouvir perguntas e respostas em relação às influências do desenho e dos quadrinhos na sua obra. Como você vê a relação desses meios de expressão com a música, tanto em uma perspectiva mais geral das linguagens, como na sua prática como compositor? (adendo: há uma constante presença da narrativa, começando por Clara Crocodilo e chegando até as óperas).
Paulo Sampaio: Sua articulação entre música popular e música erudita é inusual. Ao invés de pegar algo mais folclórico e misturar com técnicas tradicionais da música erudita, você mistura a indústria cultural (HQs) com o dodecafonismo. Parece que você não busca a convivência harmônica de mundo musicais diferentes, mas algo agressivo, que quer incomodar “seus caros ouvintes”.
Abilio Guerra: Em seu livro No fim da infância você conta sobre a composição da “Canção dos vagalumes” – onde tem o lindo verso “cricri de grilos Freud não explica”… – e finaliza a lembrança assim: “Engraçado, depois de tudo pronto, eu percebi que a música não era dodecafônica: eu havia utilizado uma série de onze sons, em vez dos doze prescritos por Schoenberg! Mas ficou legal, soava bem, embora não seguisse as regras. Que sorte eu não haver percebido essa ‘falha’ enquanto estava compondo, senão a canção não viria à luz!” (Arrigo Barnabé, No fim da infância, p. 50). Pergunto: considerando o pano de fundo freudiano, a “falha” seria a intuição artística, o elemento necessário para se transcender o método frio e esquemático? Há também uma dimensão política libertária, da “falha” que emperra a máquina de produção/alienação?
Carla Camurati: [pergunta espontânea]
João Sampaio: Na música popular, no formato de banda, é bastante comum que ele seja feito nos ensaios, de forma horizontal, com cada instrumentista imprimindo de maneira visível sua personalidade, ainda que possa haver algum tipo de direção criativa. Na música erudita, no formato de orquestra, ocorre o contrário: o arranjo é transmitido verticalmente do compositor ou regente aos músicos, que o executam. Qual é o lugar dessa tensão entre horizontalidade e verticalidade no momento do arranjo dentro da sua obra? Em Clara, por exemplo: sabe-se que o piano estava todo escrito e foi gravado primeiro, com os demais instrumentos vindos depois, por cima. Que tipo de direção musical houve na criação das linhas para esses outros instrumentos?
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PARTE 3
[o que faz hoje, o que pretende fazer, como entende o papel da arte no mundo contemporâneo]
Milton Hatoum pergunta para Arrigo Barnabé
>> Declamação de Arrigo Barnabé
Paulo Sampaio: Considerando seu trabalho mais dentro da música erudita – a composição de óperas e missas –, como se dá o processo criativo neste tipo de projeto? Quais são as diferenças em relação aos trabalhos feitos com bandas?
Luiz Gê: Queria saber sobre uma possível influência de Frank Zappa em sua obra. Isso foi brandido por alguns críticos, principalmente no início. Houve? E a presença do dodecafonismo perdura? Quanto você acha que ela esteve presente em seu trabalho até os dias de hoje? Cite alguns exemplos.
Carla Camurati: [pergunta espontânea]
Abilio Guerra: A história de Clara Crocodilo, de 1979, é uma antecipação: um incauto compra um disco obscuro em um sebo e, ao tocar em sua vitrola em 1999, liberta o personagem maligno, metamorfoseado por uma experiência científica malsucedida, aos moldes de “O médico e o monstro”. Sua contemporaneidade está na sintonia com os futuros acidentes radioativos de Chernobyl (1986) e Goiânia (1987), na juventude periférica e suas diversões eletrônicas, os amores roubados nos drive-in, um mundo que mudou. O que poderíamos imaginar se o disco fosse encontrado hoje em alguma estante virtual e tocado em alguma vitrola enferrujada quarenta anos depois, em 2019, ou 2020? Como seriam o personagem e a história?
Luiz Gê: Por que não continuou com seu trabalho iniciado com Clara Crocodilo, no qual houve a construção de um universo, que, de um lado, criava descrições de situações e de personagens marcantes, e do outro, apresentava um estilo musical empolgante com ritmos rápidos e incisivos, elementos esses que poderiam permitir uma maior difusão, talvez penetração e, por conseguinte, uma ampliação do público?
Abilio Guerra: Em 2010 você lançou o “Caixa de Ódio – o universo de Lupicínio Rodrigues”. Em 2013 você lançou o CD “De Nada Mais a Algo Além”, com Luiz Tatit e Lívia Nestrovski. Em 2017 você fez a primeira apresentação do show “Quero que vá tudo pro inferno”, interpretando músicas de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, acompanhado por Paulo Braga (piano) e Sérgio Espíndola (violão). Qual é o significado destas releituras de grandes nomes da música brasileira e sua parceria com Luiz Tatit?
João Sampaio: A Missa Nóia estreou na Sala São Paulo em novembro de 2019. Gostaria que você falasse um pouco sobre essa peça, como ela aborda a relação entre a Cracolância e a Sala São Paulo, se a peça vai ser gravada em Cd etc.
Carla Camurati: [pergunta espontânea]
Abilio Guerra: Você inventou o programa de rádio Supertônica em 2004, projeto exitoso e premiado. No sábado passado você apresentou um Supertônica especial sobre Aldir Blanc. Essa experiência em outra plataforma confirma sua abertura por trabalhar nos interstícios das mídias, onde elas se recobrem ou se interpenetram. Como você enxerga essa questão? Você anda inventando a esse respeito?
Legendas das obras em parceria entre Arrigo Barnabé e Luiz Gê
01. Clara Crocodilo,1980. Música de Arrigo Barnabé e capa de Luiz Gê
02. Tubarões Voadores, 1984. Música de Arrigo Barnabé e capa (frente e verso) de Luiz Gê
03. Tubarões Voadores, 1984. Música de Arrigo Barnabé e HQ de Luiz Gê
04. Tubarões Voadores, 1984. Música de Arrigo Barnabé e HQ de Luiz Gê
05. XIII Semana Guiomar Novaes, São João da Boa Vista, 1990. Organização de Arrigo Barnabé; cartaz e programa de Luiz Gê
06. Clara Crocodilo ao Vivo, 1999. Música de Arrigo Barnabé; capa e bolacha do CD de Luiz Gê
07. Clara Crocodilo ao Vivo, 1999. Música de Arrigo Barnabé e encarte de Luiz Gê
08. O homem dos crocodilos, 2001. Música de Arrigo Barnabé; cartaz e cenografia de Luiz Gê
09. O homem dos crocodilos, 2001. Música de Arrigo Barnabé e cenografia de Luiz Gê
10. Luar, 2003. Música de Arrigo Barnabé, interpretação de Tuca Fernandes e Quinteto Delas; capa de Luiz Gê
11. Missa in memoriam Arthur Bispo do Rosário, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, 2003. Música de Arrigo Barnabé, Capa e encarte de Luiz Gê
12. Missa in memoriam Arthur Bispo do Rosário, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo, 2003. Música de Arrigo Barnabé, Capa e encarte de Luiz Gê
13. Até que se apaguem os avisos luminosos (ópera inspirada em Santos Dumont), Sesc Ipiranga, São Paulo, 2005. Música de Arrigo Barnabé e cenografia de Luiz Gê
14. Até que se apaguem os avisos luminosos (ópera inspirada em Santos Dumont), Sesc Ipiranga, São Paulo, 2005. Música de Arrigo Barnabé e cenografia de Luiz Gê
15. Até que se apaguem os avisos luminosos (ópera inspirada em Santos Dumont), Sesc Ipiranga, São Paulo, 2005. Música de Arrigo Barnabé e cenografia de Luiz Gê
16. O homem dos crocodilos, Theatro São Pedro, São Paulo, 2015. Música de Arrigo Barnabé; cenografia e HQ de Luiz Gê
17. O homem dos crocodilos, Theatro São Pedro, São Paulo, 2015. Música de Arrigo Barnabé; cenografia e HQ de Luiz Gê
Arrigo Barnabé
Arrigo Barnabé
Após cursar por dois anos a FAU USP no início dos anos 1970, inicia estudo de Composição e Regência na ECA USP. Em 1979, vence o Festival Universitário da TV Cultura SP com a música Diversões Eletrônicas. Seu primeiro LP, Clara Crocodilo, de 1980, sucesso instantâneo, torna-se show itinerante com a Banda Sabor de Veneno (Vânia Bastos, Paulo Barnabé, Regina Porto, Mané Silveira e Suzana Salles). É autor das obras musicais Tubarões Voadores (1984), Gigante Negão (1998), O Homem dos Crocodilos (2001), Missa in memoriam Arthur Bispo do Rosário (2003), Missa in memorian Itamar Assumpção (2006), dentre outras. Tem feito trilhas sonoras para teatro e cinema; no filme Cidade Oculta participa como ator e roteirista, ao lado de Chico Botelho, Walter Rogério e Luiz Gê. Com este último, tem realizado trabalhos que unem música e história em quadrinhos. Como assessor especial na área de música de Fernando Moraes, Secretário de Estado da Cultura (1989-1990), propõe a criação da “Orquestra Jazz Sinfônica” e a profissionalização da já existente “Banda Sinfônica do Estado de São Paulo”. Concebeu e apresentou o programa Supertônica da rádio Cultura FM (prêmio “Revelação” da APCA em 2005).
Carla Camurati
Carla Camurati
Diretora, produtora, roteirista e atriz. Como atriz, atuou na televisão (Globo, SBT e Manchete), teatro e cinema, participando dos filmes O Olho Mágico do Amor (de Ícaro Martins e José Antônio Garcia, 1981, prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Gramado), A Estrela Nua (de Antonio Meliande, 1985), Cidade Oculta (Chico Botelho, 1986) e Eternamente Pagu (de Norma Bengell, 1988, prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado). Como diretora, realizou filmes – Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (1994), La Serva Padrona (1998), Copacabana (2001) e Irma Vap – O Retorno (2006) – e óperas teatrais – La Serva Padrona (1996), Madama Butterfly (1999/2002), Carmem (2001) e O Barbeiro de Sevilha (2003).
Luiz Gê
Luiz Gê
Ilustrador, artista gráfico e quadrinhista. Arquiteto (FAU USP, 1977), mestre em Illustration (Royal College of Art, 1989), doutor em Ciências da Comunicação (ECA USP, 2004), e professor na área de design na FAU Mackenzie. Na área editorial, foi um dos fundadores da revista Balão (1972-1975), editor de arte da revista Status (1985-1986), editor da revista Circo (1986-1987), chargista editorial na Folha de S.Paulo (1976-1984), colaborador nos principais jornais e revistas do país (O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Jornal do Brasil, O Pasquim, Movimento, Veja, Visão, Isto É, Placar etc.). Autor de diversos livros, colaborou nos LPs Clara Crocodilo e Tubarões Voadores, de Arrigo Barnabé, e foi um dos roteiristas do filme Cidade Oculta, de Chico Botelho.
Paulo Sampaio & João Sampaio
Irmãos Sampaio
Músicos com atuações distintas. João Sampaio – bacharel em Ciências Sociais (FFLCH USP, 2019), professor de inglês, violão, guitarra e cavaquinho – atua como guitarrista, cantor e compositor nas bandas Os Amanticidas (canção popular com inspiração na Vanguarda Paulista) e Semiorquestra (música instrumental latinoamericana contemporânea). Paulo Sampaio – formado em composição (ECA-USP, 2019) e mestrando em filosofia da música (FFLCH USP) – compôs a trilha do espetáculo teatral Terra Tu Pátria (2018) e atuou como compositor e instrumentista na Camerata Profana, orquestra de câmara formada por músicos jovens e voltada para a divulgação da música erudita de vanguarda brasileira e internacional.
Abilio Guerra
Abilio Guerra
Arquiteto (PUC-Campinas, 1982), mestre e doutor em História (IFCH Unicamp, 1989 e 2002), professor da FAU Mackenzie. Membro fundador do Marieta (com Caio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra e Silvana Romano Santos), é editor da Romano Guerra Editora e do Portal Vitruvius ao lado de Silvana Romano Santos. É coautor do livro Rino Levi – arquitetura e cidade (com Renato Anelli e Nelson Kon, 2001), autor de O primitivismo em Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Raul Bopp (2010), Arquitetura brasileira: viver na floresta (2011) e Arquitetura e natureza (2017), e organizador de Textos fundamentais sobre historia da arquitetura moderna brasileira (2010), Brasil Arquitetura – Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz (com Marcos Grinspun Ferraz e Silvana Romano Santos, no prelo) e diversos outros livros.
Entrevista
O evento promovido ocorreu no dia 12 de maio de 2020, segunda-feira, a partir das 18h30. O encontro ocorreu virtualmente, via Zoom, e foi transmitido ao vivo no Facebook, na página do projeto Marieta (www.facebook.com/projetomarieta), promotor da entrevista com Arrigo Barnabé, com as participações dos entrevistadores Carla Camurati, Luiz Gê, João Sampaio, Paulo Sampaio e Abilio Guerra, e participação de Milton Hatoum e Rafael Perrone, com perguntas em vídeo.
Caio Guerra, Helena Guerra, Silvana Romano, Abilio Guerra e Giovanni Pirelli (coletivo Marieta)
Projeto Marieta
O projeto Marieta é voltado para o pensamento contemporâneo, envolvendo pessoas de gerações e experiências diferentes, se propondo como lugar de criação, debate e difusão de produções artísticas e culturais. A diretoria e conselho curatorial é da responsabilidade do coletivo formado por Abilio Guerra, Caio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra, Silvana Romano Santos, Julia Zylbersztajn e Pedro Santiago. Atualmente conta com as participações de Magaly Corgosinho e Neliane Simioni (assessoria de imprensa); Bianca Leite (artista residente); Julia Rantigueri, Pedro Iwo de la Costa e Flavia Fonseca (colaboradores internos); André Scarpa, Felipe Rodrigues, Julia Vianna, Marina Dias Teixeira e Pablo Figueroa (colaboradores externos); Lírios Spacca (design gráfico); Lucas Minari (tuttofare). O grupo conta com a adesão fundamental de Claudia Romano, Emiliana Romano Santos, Norma Romano Santos (apoio moral) e de Garibaldi Maria Pirelli Guerra, Martino Pirelli Guerra, Piero Pirelli Guerra, Tom Guerra, Francesca Tosi, Francesco Pirelli e Nina (apoio emocional).
ficha técnica
programa Transa Marieta #2 – Arrigo Barnabé
roteiro Abilio Guerra, Silvana Romano Santos, Carla Camurati, Luiz Gê, João Sampaio e Paulo Sampaio
pesquisa Silvana Romano Santos
organizadores Abilio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra, Caio Guerra e Silvana Romano Santos
edição Caio Guerra
produção Helena Guerra e Giovanni Pirelli
entrevistadores Carla Camurati, Luiz Gê, Irmãos Sampaio e Abilio Guerra
data 12 de maio de 2020, 18h30
divulgação transmissão ao vivo via Facebook publicação posterior no portal Vitruvius
participação especial Milton Hatoum e Rafael Perrone
agradecimento especial Eliete Negreiros
trajetória
1951
Arrigo Barnabé nasce no dia 14 de setembro em Londrina PR.
1962-1968
Estudo de piano e teoria musical, Conservatório Filadélfia, em Londrina.
1971
Festival de Inverno de Ouro Preto, aulas com Eduardo Hazan (piano) e participação em palestras de Ernest Widmer e Walter Smetack.
1973
Festival Universitário de Música de Londrina, “Lástima” (1olugar nas categorias melhor música, melhor arranjo, melhor intérprete).
1975
Aulas de composição com Willy Correa de Oliveira, piano com Caio Pagano, no Departamento de Música (ECA USP).
1979
Festival Universitário da TV Cultura com as músicas “Diversões Eletrônicas” (parceria com Regina Porto, 1º prêmio) e “Infortúnio”.
1980
Lançamento do LP independente “Clara Crocodilo”.
1981
Prêmios “Revelação” da Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA, e “Personalidade do ano” da Associação Brasileira dos Produtores de Disco – ABPD.
1982
Festival de Jazz de Berlim (BerlinJazzFest), performance “Arrigo Barnabé Project” (participação de músicos brasileiros, europeus e norte-americanos).
1983
“A saga de Clara Crocodilo”, para Orquestra, banda de rock, voz feminina e narrador, apresentação no Teatro de Cultura Artística de São Paulo, com a orquestra sinfônica jovem, regência de Jamil Maluf.
Prêmio “Melhor trilha sonora”, Festival de Gramado, filme “Janete”, direção de Chico Botelho.
1984
Lança o LP “Tubarões Voadores”.
1985
Prêmio “Melhor trilha sonora”, Rio-Cine Festival, filme “Estrela Nua”, direção de José Antonio Garcia e Ícaro Martins.
1986
Prêmio “Melhor trilha sonora”, Rio-Cine Festival, filme “Cidade Oculta”, direção de Chico Botelho.
Prêmio “Melhor música”, Associação dos Profissionais de Teatro de São Paulo – Apetesp, peça “Santa Joana”, direção de José Possi Neto.
1987
Festival de Música de Londrina, palestra sobre “O dodecafonismo e a música popular”.
Prêmio “Melhor trilha sonora”, Festival de Cinema de Curitiba, filme “Lua Cheia”, de Allain Fraisnot.
1988
Direção de oficina de composição, Festival de Inverno de Belo Horizonte.
Membro do júri do Festival Internacional da Juventude do Cravo Vermelho, em Solti, na extinta União Soviética.
Lançamento do LP “Suspeito”.
1989
Apresentação no “Jardim das Tulipas”, Paris, comemorações do bicentenário da revolução francesa.
Festival de Jazz de Bruxelas.
Festival de Campos de Jordão, Encontro de compositores latino-americanos.
1989-1990
Assessor Especial na área de música (convite de Fernando Moraes, Secretário Estadual da Cultura), propõe a criação da “Orquestra Jazz Sinfônica” e a profissionalização da já existente “Banda Sinfônica do Estado de São Paulo”.
1990
Composição e apresentação da ópera “Gigante Negão”.
Organização da XIII Semana Guiomar Novaes, São João da Boa Vista
1991
Bolsa Vitae para realização de ópera inspirada em “Macbeth”, mas realiza “Algumas ideias sobre Macbeth”, em dois movimentos, para 2 pianos, percussão, banda de rock e quarteto de cordas.
1993
Trabalho em parceria com Bruno Bayen, ateliê com alunos da Escola Nacional de Teatro da Bretanha, Rennes, França (parte final do Fausto II, de Goethe).
1994
Concepção e direção do 1º Percpan – Panorama Percussivo Mundial, Salvador BA.
Composição e apresentação da “Música para orquestra, quarteto de cordas e banda de rock”, Memorial da América Latina em São Paulo, orquestra Jazz-Sinfônica (regência de Lutero Rodrigues), o quarteto de cordas da cidade de São Paulo e Patif Band.
1995
Apresentações em Córdoba, Buenos Aires e no Teatro Municipal de São Paulo.
1996
Compositor-convidado de “Sonidos de las Américas: Brasil”, Nova York
Master-class na Universidade de Princeton.
1997
Composição “Pátio do Colégio-Tributo a Anchieta” para banda sinfônica, banda de rock, instrumentos indígenas e tenor lírico (encerramento da comemoração ao 4º centenário da morte do Padre Anchieta).
Bienal de Música Nova, Rio de Janeiro, apresentação de “3 peças para 2 pianos e 3 percussionistas”.
1998
Lançamento de CD com a ópera “Gigante Negão”.
1999
Gravação de “Clara Crocodilo ao vivo”, transformação do material de 1980.
2000
Sonata para piano solo, ainda não registrada.
“Celebração” para violino e piano, em 2 movimentos: Introdução e Canon, Sala São Luís, São Paulo (encomenda da Fundação Vitae).
“Um caso para psicólogos” para violino, viola, violoncelo e contrabaixo, música da peça teatral “NxW”, direção de Gerald Thomas.
“Estudo sinfônico com guitarra elétrica”.
2001
Versão camerística de suas principais canções para Tuca Fernandes (voz) e Quinteto D'Elas (violino, viola, violoncelo, contrabaixo e piano).
Ópera “O homem dos crocodilos” (libreto de Alberto Muñoz), compositor, ator e diretor, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo.
2002
Ópera “22 – antes e depois”, composição em parceria com o compositor Tim Rescala e o artista plástico Guto Lacaz, Sesc Ipiranga, São Paulo.
Consultor e coordenador do curso de formação integrada, Universidade Livre de Música – ULM.
Obra para quarteto de cordas composta em dois movimentos para clarinete (Luis Alonso), piso (Paulo Braga), violino (Luis Amato) e violoncelo (Raif Dantas Barreto), como complemento de um programa de execução do “Quatuor pour la Fin du Temps”, de Messiaen
“A hora do lobo”, vinheta comemorativa dos 25 anos da FM Cultura, orquestra da RTC, regência de Lutero Rodrigues, Teatro Cultura Artística, São Paulo.
2003
Música para a peça “Plaidoyer em faveur des larmes d'Heraclite”, de Bruno Bayen, Teatro Nacional de Chaillot, Paris.
“Missa in memoriam Arthur Bispo do Rosário”, para coro (12 vozes) e grupo de câmara (2 flautas doce/dbl. krunhorn, fagote, percussão, cravo, piano, violino, viola e violoncelo), Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo.
LP “Luar”, canções de Arrigo Barnabé, interpretação de Tuca Fernandes e o Quinteto Delas.
2004
Criação e apresentação de “Supertônica – música acima de qualquer suspeita”, programa semanal, Rádio Cultura FM, São Paulo.
“Missa in memorian Itamar Assumpção” (homenagem a Itamar Assumpção, 1949-2003) para coro e orquestra, Teatro Sérgio Cardoso.
Participação no CD “Beleza estranha”, de Daniel Taubkin.
Apresenta-se no Teatro Nacional São João, na cidade do Porto em Portugal, no encerramento do Festival de Teatro de Língua Portuguesa.
Compõe a trilha sonora para o documentário de longa-metragem “Drs da Alegria” de Mara Mourão.
2005
Prêmio “Revelação” da APCA, programa de rádio Supertônica, da rádio cultura FM.
“Engrenagem canora no1” para 2 pianos e percussão, Festival de Música de Câmara de Tatuí.
“Totens” para Banda Sinfônica, Teatro Sérgio Cardoso, São Paulo.
Ópera “Até que se apaguem os avisos luminosos” (libreto e direção de Bruno Bayen, livremente inspirada em Santos Dumont), concepção visual do arquiteto e quadrinhista brasileiro Luiz Gê, Sesc Ipiranga, São Paulo.
2006
Prêmio Fiesp de Cinema de “Melhor trilha sonora”, filme “Doutores da Alegria”, direção de Mara Mourão.
Lançamento do CD “Missa in memorian Itamar Assumpção”, Centro Cultural Banco do Brasil.
2008
“Caixa da música” e “Out of Cage” para o grupo de percussão “Drumming”, encenação de Ricardo Pais, Teatro Nacional São João.
“Salão de beleza”, Centro de Convivência, Campinas, composição feita com alunos e professores do Instituto de Artes, quando foi artista-residente na Unicamp.
Curadoria e direção artística de “Crisantemúsica”, e composição de “Viver” (música para piano, violino, koto e guitarra elétrica), série de recitais (comemoração dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil), Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo.
Coordenador do Centro de Estudos Musicais – CEM.
2009
Trilha sonora, filme “Família muda e vende tudo”, direção de de Allain Fraisnot.
2010
Lançamento do DVD “Caixa de Ódio – o universo de Lupicínio Rodrigues”.
2012
Ator do filme “Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha”, direção de Helena Ignes e Ícaro Martins.
2013
CD “De Nada Mais a Algo Além”, com Luiz Tatit e Lívia Nestrovski.
2015
Ópera “O homem dos crocodilos” (libreto de Alberto Muñoz), compositor, ator e diretor, Theatro São Pedro, São Paulo.
2017
Show itinerante “Quero que vá tudo pro inferno”, interpretando músicas de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, acompanhado por Paulo Braga (piano) e Sérgio Espíndola (violão). (dezembro 2017, no Baretto)
2019
Missa Nóia, Sala São Paulo de Concertos.
[fontes: website do Studio Clio – Instituto de Arte e Humanismo; websites diversos; depoimentos, entrevistas e textos do artista]
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