português Erminia Maricato – arquiteta, professora da FAU USP, gestora pública e ativista social – é entrevistada por Abilio Guerra, Celso Sampaio, João Sette Whitaker e Lizete Rubano.
Lançado em abril de 2020, o “Transa Marieta” – programa de entrevistas com personalidades da arte e da cultura contemporânea, realizado em ambiente virtual nesses tempos de pandemia e isolamento social – teve como primeiros convidados o escritor Milton Hatoum (1) e o músico Arrigo Barnabé (2), com expressiva audiência.
No terceiro episódio da série, o Transa recebeu a arquiteta Erminia Maricato, professora aposentada da FAU USP, que se destaca por atuações paralelas e articuladas na academia, administração pública e sociedade civil, todas elas marcadas pelo aprofundamento conceitual e engajamento político-ideológico nos temas referentes à melhoria das condições de habitabilidade das camadas mais vulneráveis da sociedade.
O evento ocorreu no dia 26 de maio de 2020, com início às 18h30, com aproximadamente duas horas e meia de duração, e transmissão ao vivo via Facebook, na página do projeto Marieta (3). Com grande repercussão e participação do público, teve mais de 2.800 visualizações, 167 comentários e 38 compartilhamentos durante sua exibição.
A entrevistada foi Secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano da gestão democrática de Luiza Erundina (1989-1992), quando foi responsável pela reformulação da política pública para a Habitação de Interesse Social. Autora da proposta de criação do Ministério das Cidades, atuou no órgão como Secretária Executiva, Ministra Interina e Ministra das Cidades no período 2003-2005, durante parte do primeiro governo Lula.
Mais recentemente, Maricato foi idealizadora do BrCidades, rede de ação coletiva em torno da agenda urbana, que tem atuado em diversos Estados do país debatendo “lutas urbanas e participação institucional, direito à moradia e à cidade, saneamento, saúde e meio-ambiente, direito à mobilidade urbana, economia e justiça nas cidades, violência urbana, qualificação da segurança, defesa do SUS, reforma tributária, entre outros” (4), agenda proativa que lhe valeu, ao lado de seus companheiros, o Prêmio APCA 2018 na categoria “Urbanidade”.
Com uma produção intelectual que reflete sua atuação dentro e fora da academia, autora de oito livros, alguns deles resenhados no Vitruvius (5), e sempre antenada na produção dos colegas (6), Erminia já tinha uma entrevista disponibilizada no portal (7), realizada em João Pessoa, em 2019, por Alessandra Soares, Artur Maia e Pedro Rossi, citados por ela durante a entrevista. Se os livros trazem uma reflexão profunda e aguda sobre o fenômeno urbano brasileiro contemporâneo, que buscam compreender as forças socioeconômicas que produzem a situação de extrema deficiência na qualidade de vida da população mais vulnerável, nos artigos se vê uma Ermínia proativa e militante, preocupada com situações específicas de injustiça social e voltada para formas de luta institucionais e no corpo da sociedade para o enfrentamento da dramática realidade brasileira (8).
A entrevista no Transa Marieta foi estruturada anteriormente pelos quatro entrevistadores em quatro blocos temáticos, tendo como pano de fundo tanto sua produção intelectual como o conhecimento prévio de sua atuação junto à sociedade. No primeiro bloco, “Erminia Maricato – a pessoa, a arquiteta, a acadêmica”, se buscou dar ao público uma ideia de sua formação, envolvendo família, iniciação ideológica, grupos de amigos, predileções artísticas e o início de sua vida profissional. No segundo, “Constituinte e governo de Luiza Erundina”, o foco foi direcionado às suas participações na Assembleia Constituinte de 1988 e administração Luiza Erundina (1989-1992), abrindo espaço para ela contar sobre sua relação com a prefeita, a equipe de trabalho, o estabelecimento de diretrizes e políticas públicas, o que foi implementado, as limitações e os fracassos. “Programas do PT e Ministério das Cidades”, terceiro bloco temático, permitiria à entrevistada comentar sua atuação como administradora pública dentro da estrutura do novo Ministério das Cidades, do qual é uma das idealizadoras, especificando estratégias de atuação, objetivos sócio-econômico-políticos, enfrentamentos ideológicos, equipe e sua relação com Olívio Dutra, o primeiro ministro da pasta. Por fim, no último bloco – “BrCidades, pandemia e o futuro que nos aguarda” –, uma abertura para suas atuações mais recentes e sua visão sobre os encaminhamentos presentes na vida social e nas cidades.
Como complemento, disponibilizamos dois filmes produzidos por Erminia Maricato na segunda metade dos anos 1970, onde se inicia a abertura do regime autoritário promovido pelo golpe de Estado de 1964. O primeiro, Fim de Semana, de 1975, cabe à arquiteta a pesquisa, orientação e produção, além do convite feliz para Renato Tapajós se incumbir da direção e do roteiro. No segundo, Loteamento Clandestino de 1978, Erminia assume a direção do filme, que tem roteiro dela ao lado de Amilcar Boucinhas, Odon Cardoso, Ronaldo Berngen e Rubens Carvalho. Por fim, uma ficha técnica com dados fartos sobre a entrevistada e alguma coisa sobre os entrevistadores.
A entrevista ao vivo percorreu seu próprio caminho, nem sempre acompanhando a pauta prévia. Para que o leitor possa verificar as intenções iniciais dos entrevistadores e compará-las à conversa que se seguiu, tanto a entrevista como o roteiro foram disponibilizados na íntegra para que que cada um possa fazer suas próprias verificações e tirar as próprias conclusões. Em certo sentido, resta um pouquinho de frustração de não termos feito as perguntas certas na hora certa. A sensação que fica é que muitas experiências não foram devidamente exploradas – caso específico da exitosa política habitacional durante o governo Erundina –, outras sequer tocadas – como sua luta pela reforma urbana nos anos 1980 e 1990.
Mas Erminia Maricato estava tão iluminada, tão entusiasmada, que sua fala reconfortou a todos nós que estamos tão desesperançados diante da pandemia, que colocou em crise o sistema de saúde brasileiro, e do pandemônio político-institucional gerado pelo atual governo federal. Ela falou do passado de forma crítica, sem nostalgia, apontando nos acertos e nos erros lições para a luta presente, luta necessária, inescapável se quisermos retomar a construção de um país para todos. E ela demonstrou como: uma viagem contínua pelo país a estabelecer conexões com os ativistas locais, conhecendo in loco as múltiplas realidades do país cujo denominador comum é a carência endêmica. Experiência que certamente retomará com ardor assim que o distanciamento social se tornar desnecessário. Foi uma tarde memorável. Como comentou Volia Kato ao final da conversa: “depoimento histórico de uma época onde se construía um projeto de Brasil”!
notas
1 O primeiro episódio do “Transa Marieta”, com Milton Hatoum, ocorreu no dia 20 de abril de 2020, com início às 18h30, e está disponibilizado no portal Vitruvius: GUERRA, Abilio; MASSI, Augusto; BUSSIUS, Julia. Milton Hatoum: literatura em tempos de cólera política e pandemia de coronavírus. Transa Marieta – episódio 1. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.02, Vitruvius, abr. 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7713>.
2 O segundo episódio do “Transa Marieta”, com Arrigo Barnabé, ocorreu no dia 12 de maio de 2020, com início às 18h30, e está disponibilizado no portal Vitruvius: GUERRA, Abilio; ROMANO SANTOS, Silvana. As mil faces do artista Arrigo Barnabé. Transa Marieta – episódio 2. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.04, Vitruvius, maio 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7740>.
4 RECAMÁN, Luiz; SOMEKH, Nadia. BR Cidades: a reconstrução democrática do espaço urbano. Prêmio APCA 2018 – Categoria “Urbanidade”. BR Cidades / Erminia Maricato, Karina Leitão, Paolo Colosso, Carina Serra, João Sette Whitaker, Margaterh Uemura, Lizete Rubano e Celso Carvalho. Drops, São Paulo, ano 19, n. 141.05, Vitruvius, jun. 2019 <https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/19.141/7384>.
5 AGUSTINHO, Denise Paiva. Um novo ciclo na reforma urbana. Erminia Maricato discute o impasse da política urbana no Brasil. Resenhas Online, São Paulo, ano 11, n. 122.01, Vitruvius, fev. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/11.122/4208>; CASIMIRO, Matheus de Vasconcelos. As ideias ainda fora do lugar. Ermínia Maricato demonstra a validade atual da interpretação de Roberto Schwarz. Resenhas Online, São Paulo, ano 15, n. 179.01, Vitruvius, nov. 2016 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/15.179/6270>; MOREIRA, Tomás. Alternativas urbanas sob a ótica da reflexão crítica. Antiparalisia da ação propositiva segundo Erminia Maricato. Resenhas Online, São Paulo, ano 03, n. 028.03, Vitruvius, abr. 2004 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/03.028/3191>; SANTANA, Lidia. O ângulo reto da análise urbana. As perspectivas de Otília Arantes, Carlos Vainer e Erminia Maricato. Resenhas Online, São Paulo, ano 05, n. 056.01, Vitruvius, ago. 2006 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/05.056/3135>.
6 Como se verifica na sua preocupação em resenhar livros importantes, como os de Otilia Arantes e Mike Davis: MARICATO, Erminia. Megaeventos. O arrastão empresarial urbano na escrita elegante de Otilia Arantes. Resenhas Online, São Paulo, ano 11, n. 130.01, Vitruvius, out. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/11.130/4554>; MARICATO, Erminia. Um mundo dominado pelas favelas. Resenhas Online, São Paulo, ano 06, n. 063.02, Vitruvius, mar. 2007 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/06.063/3116>.
7 SOARES, Alessandra; MAIA, Artur; ROSSI, Pedro. O papel social da arquitetura. Entrevista com Ermínia Maricato. Entrevista, São Paulo, ano 20, n. 078.01, Vitruvius, maio 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/20.078/7351>.
8 De sua imensa produção de artigos militantes, ver no portal Vitruvius: MARICATO, Erminia. As tragédias urbanas: desconhecimento, ignorância ou cinismo? Minha Cidade, São Paulo, ano 11, n. 129.04, Vitruvius, abr. 2011 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/11.129/3795>; MARICATO, Erminia. Cidades no Brasil. Sair da perplexidade e passar à ação. Drops, São Paulo, ano 13, n. 069.04, Vitruvius, jun. 2013 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/13.069/4777>; MARICATO, Erminia. Os excluídos da cidade e a lei. Sobre a criminalização das vítimas da exclusão social. Drops, São Paulo, ano 20, n. 142.02, Vitruvius, jul. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.142/7406>.
Favela de Paraisópolis e o bairro de Panamby, São Paulo
Abaixo, segue o roteiro da entrevista elaborado pelos entrevistadores, que foi parcialmente seguido durante a realização da conversa.
bloco 01 – Erminia Maricato – a pessoa, a arquiteta, a acadêmica
[família, formação, iniciação ideológica, grupos, amigos, predileções, academia e produção intelectual, conceitos abstratos e intervenção na realidade]
Abilio Guerra: Você nasceu em Santa Ernestina, interior do Estado de São Paulo. Como foi sua trajetória de lá até a capital? Como você resolveu ser arquiteta?
Celso Sampaio: Antes de ingressar na USP, você foi assistente de Mayumi de Souza Lima na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São José dos Campos, a escola fechada em 1976 durante a ditatura. Como foi essa experiência?
Lizete Rubano: Em sua longa trajetória na universidade, quais são os momentos mais significativos?
João Whitaker: Sua atuação na academia é marcada pela “militância acadêmica”, que busca romper o isolamento universitário da realidade social-urbana do país sobre a qual deveria refletir. Como você enxerga o papel do professor universitário e pesquisador na área do urbanismo?
Celso Sampaio: Devido ao momento neoliberal, vivemos um momento de enfraquecimento da universidade pública e o espraiamento de empresas de ensino superior. Como isso impacta o ensino de Arquitetura e Urbanismo hoje no Brasil?
bloco 02 – Constituinte e governo de Luiza Erundina
[relação com a prefeita, equipe de trabalho, diretrizes, políticas públicas, implementações, limitações, fracassos]
Abilio Guerra: Como foi sua participação no movimento pela Reforma Urbana durante a Constituinte de 1988?
Celso Sampaio: Como foi a elaboração do plano de governo que elegeu Luiza Erundina? A Secretaria de notáveis foi constituído antes ou depois da eleição?
Lizete Rubano: Você se refere ao período de experiências habitacionais na gestão Erundina como “heroico” do ponto de vista das experiências de projeto. Você poderia explicar melhor essa afirmação?
João Whitaker: A incorporação da autogestão das associações de moradia pelo governo Erundina lhe valeu processos judiciais por décadas. Trinta anos depois, a experiência se tornou uma das modalidades institucionais do PMCMV – o “MCMV Entidades”. É uma satisfação ou foi muito caro o preço pago?
Lizete Rubano: Na área das políticas públicas em habitação no Brasil, quais outras experiências são referenciais?
Abilio Guerra: Como foi a reação da máquina administrativa preexistente diante da eleição de um partido de esquerda, de muitos novatos na política e com uma mulher no comando?
bloco 03 – Programas do PT e Ministério das Cidades
[militante, administradora pública, estrutura do ministério, estratégias de atuação, objetivos sócio-econômico-políticos, enfrentamentos ideológicos, equipe e Olívio Dutras]
Abilio Guerra: Você foi Secretária Executiva, Ministra Interina e Ministra das Cidades no período 2003-2005, durante parte do primeiro governo Lula. Como foi seu convite e como foi montada a equipe?
João Whitaker: Sua participação no Projeto Moradia pelo Instituto de Cidadania em 2000 foi uma experiência importante para seu trabalho no Ministério das Cidades? Ela permitiu dar um fio condutor ao Ministério?
Lizete Rubano: O que avançamos com um Ministério das Cidades? E o que perdemos com sua extinção em 2019? É necessário retomar a luta por sua recriação?
Celso Sampaio: Você participou da elaboração de muitos planos de governo para cidades brasileiras. Existia alguma intenção na elaboração destes planos de maneira a se constituir uma rede entre municípios e a nova articulação com os Estados e a Federação?
Abilio Guerra: Quais são as diferenças e semelhanças nas atuações da Secretaria de Habitação de uma grande cidade e do Ministério das Cidades em um país com tantas desigualdades sociais e regionais como o Brasil?
bloco 04 – BrCidades, pandemia e o futuro que nos aguarda
[constituição da ação, objetivos, participantes, abrangência, periferia, transformações possíveis, futuro]
Celso Sampaio: Você foi convidada pelo Levante Popular da Juventude para liderar um movimento por uma cidade mais justa e igualitária. Como nasceu a ideia do BrCidades? Como se estrutura a organização?
João Whitaker: O BR Cidades vem crescendo e se consolidando como um movimento de referência sobre a questão urbana, envolvendo diversidade de gerações, setores (mobilidade, habitação, saneamento etc.) e perfis (técnicos, acadêmicos, movimentos sociais). Como você enxerga o potencial do BR Cidades na luta pela reforma urbana no Brasil?
Lizete Rubano: Qual você acha que é o papel da rede BrCidades hoje nesse momento da pandemia, onde se escancaram as diferenças sociais e as condições de vida urbana?
João Whitaker: Como você vê a inserção de novas pautas (gênero, etnias, sexualidade etc.) na agenda urbana? Mudaram as cidades ou mudaram as formas de luta?
Lizete Rubano: A partir de sua experiência como gestora pública e militante de movimentos sociais, como você vê a relação entre as lutas institucional e social? E como vê o papel do poder local nos dias atuais?
Abilio Guerra: Recentemente, em um artigo, você ironiza a descoberta pela grande imprensa dos milhões de favelados no Brasil. Além de certo otimismo devido a moradia social se tornar tema de discussão, você faz no texto algumas recomendações de ações necessárias. Como você vê a situação depois de quase dois meses?
Celso Sampaio: O que foi importante para a revisão e/ou aprimoramento de seus conceitos intelectuais? Quais são suas referências? A administração pública modificou sua forma de pensar?
João Whitaker: Você, professora titular aposentada da FAU USP, com toda sua experiência e essa riquíssima história de militância, foi escolhida pelos jovens do Levante Popular da Juventude para lidera-los. Eles poderiam escolher lideranças da geração deles. O que significou para você esse respeito por sua trajetória?
Abilio Guerra: Como você vê o futuro das cidades e da própria sociedade? É possível construir um mundo melhor para a maioria?
Com fins pedagógicos e movida pelo desejo de fazer a ponte entre universidade e sociedade, Erminia participou na realização de dois filmes.
Filme 1
Fim de Semana (1975). Direção e roteiro de Renato Tapajós. Pesquisa e orientação de Erminia Maricato
Filme 2
Loteamento Clandestino (1978). Direção de Erminia Maricato. Roteiro de Erminia Maricato, Amilcar Boucinhas, Odon Cardoso, Ronaldo Berngen e Rubens Carvalho
Erminia Maricato (Santa Ernestina SP, 1947), arquiteta, mestre e doutora (FAU USP, 1971, 1977 e 1984). Com atuações paralelas e articuladas na academia, administração pública e sociedade civil, sendo responsável pelas seguintes propostas e realizações: relatora da proposta de Iniciativa Popular de Reforma Urbana junto à Assembleia Nacional Constituinte (1987), Secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano no governo Luiza Erundina em São Paulo (1989-1992), propostas para a área urbana das candidaturas de Lula para a presidência (1989, 1994, 1998 e 2002), proposta de criação do Ministério das Cidades, coordenação da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano como Secretária Executiva do ministério (2003-2005), professora visitante do Human Settlements Centre da University of British Columbia (Canadá, 2002) e da School of Architecture and Urban Planning of Witwatersrand de Joanesburgo (África do Sul, 2006), professora visitante do Instituto de Economia da Unicamp (2012-2015), conselheira do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat, 2009), participante da formação da Frente Povo Sem Medo – FPSM (2015), autora de oito livro. Professora titular aposentada da FAU USP, é docente da instituição desde 1974, onde coordenou a Pós-graduação (1998-2002) e fundou o Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos (1997). Atualmente, Erminia é professora colaboradora da Pós-graduação da FAU USP, membro de corpos editoriais e coordenadora do BrCidades – um projeto para as cidades do Brasil –, da qual foi fundadora em 2017. Esta iniciativa que lhe valeu – ao lado de companheiros – o Prêmio APCA 2018 na categoria “Urbanidade”, último de uma série de distinções, com destaque para os prêmios Rafael Higuerras (Federação Pan-americana de Arquitetos, 2006) e Arquiteto do Ano (Federação Brasileira de Arquitetos, 2007).
Abilio Guerra é arquiteto (PUC-Campinas, 1982), mestre e doutor em História (IFCH Unicamp, 1989 e 2002), professor da FAU Mackenzie. Membro fundador do Marieta (com Caio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra e Silvana Romano Santos), é editor da Romano Guerra Editora e do Portal Vitruvius ao lado de Silvana Romano. É coautor do livro Rino Levi – arquitetura e cidade (com Renato Anelli e Nelson Kon, 2001), autor de O primitivismo em Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Raul Bopp (2010), Arquitetura brasileira: viver na floresta (2011) e Arquitetura e natureza (2017), e organizador de Textos fundamentais sobre historia da arquitetura moderna brasileira (2010), Brasil Arquitetura – Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz (com Marcos Grinspun Ferraz e Silvana Romano Santos, no prelo) e diversos outros livros.
Celso Sampaio é arquiteto (FAU Mackenzie, 1988), mestre em arquitetura e urbanismo (EESC USP, 2000), doutorando e professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Há três décadas assessora movimentos de moradia na cidade de São Paulo, atuando atualmente junto ao Movimento Sem Teto do Centro – MSTC. Como gestor público atuou como Gerente de Projetos e Diretor Técnico da Cohab-SP (2001-2004; 2015-2016), e Diretor de Habitação na Prefeitura Municipal de Santos André (2005-2006). No município de São Paulo, participou como membro titular do Conselho Municipal de Política Urbana – CMPU (2017-2019) e do Conselho Municipal de Habitação – CMH (2016-2018; 2013-2015). Foi diretor do Instituto dos Arquitetos do Brasil Seção São Paulo (2010-2011).
João Sette Whitaker é arquiteto (FAU USP, 1990) e economista (PUC-SP, 1993), mestre em Ciência Política (FFLCH USP, 1998), doutor e livre-docente (FAU USP, 2003 e 2013), doutor Honoris Causa (Universidade de Lyon/St. Etienne, França, 2017). Professor, presidente da Comissão de Pós-graduação, pesquisador sênior do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos (LabHab, desde 1998) na FAU USP. Bolsista Produtividade do CNPq Nivel 2. Professor visitante no Institut de Hautes Études de l´Amérique Latine – IHEAL (Université de Paris 3 – Sorbonne Nouvelle (2011-2012), Ecole dArchitecture, de la Ville et des territoires (Marne-La-Vallée, 2018), e da Chaire BSI-Citydev (Universidade Livre de Bruxelas, 2018). Secretário de Habitação do Município de São Paulo (2016). Autor do livro O mito da cidade-global: o papel da ideologia na produção do espaço urbano" (Vozes, 2007).
Lizete Rubano é arquiteta (FAU Mackenzie, 1981), mestre e doutora em arquitetura e urbanismo (FAU USP, 1992 e 2001), professora de Projeto 7 na FAU Mackenzie, onde coordena o escritório modelo (emau) Mosaico, de assessoria aos movimentos organizados da sociedade civil. Como arquiteta, foi funcionária da Companhia de Habitação e Desenvolvimento Urbano de São Paulo – Cohab-SP (1989-1992). Participa do núcleo São Paulo da rede nacional BrCidades. É organizadora do livro Hipóteses do real – concursos de arquitetura e urbanismo 1971-2011 (2012) e autora dos livros Planeamento cultural urbano em áreas metropolitanas (com Maria Isabel Villac, Volia Kato e Lucas Fehr, 2015), O terceiro território – habitação coletiva e cidade (com Luiz Reacamán e Hector Vigliecca, 2014).
Entrevista
O evento – terceiro episódio do “Transa Marieta”, programa com personalidades da arte e da cultura contemporânea – ocorreu no 26 de maio de 2020, segunda-feira, com início às 18h30, com mais de duas horas e meia de duração, e foi transmitido ao vivo via Facebook, na página do projeto Marieta (www.facebook.com/projetomarieta), chegando a mais de 2.800 visualizações, 317 curtidas e 175 comentários. A entrevista com Erminia Maricato contou com as participações dos entrevistadores Abilio Guerra, Celso Sampaio, João Sette Whitaker e Lizete Rubano, e participação do público, com comentários por escrito.
Projeto Marieta
O projeto Marieta é voltado para o pensamento contemporâneo, envolvendo pessoas de gerações e experiências diferentes, se propondo como lugar de criação, debate e difusão de produções artísticas e culturais. A diretoria e conselho curatorial é da responsabilidade do coletivo formado por Abilio Guerra, Caio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra, Silvana Romano Santos, Julia Zylbersztajn e Pedro Santiago. Atualmente conta com as participações de Magaly Corgosinho e Neliane Simioni (assessoria de imprensa); Bianca Leite (artista residente); Julia Rantigueri, Pedro Iwo de la Costa e Flavia Fonseca (colaboradores internos); André Scarpa, Felipe Rodrigues, Julia Vianna, Marina Dias Teixeira e Pablo Figueroa (colaboradores externos); Lírios Spacca (design gráfico); Lucas Minari (tuttofare). O grupo conta com a adesão fundamental de Claudia Romano, Emiliana Romano Santos, Norma Romano Santos (apoio moral) e de Garibaldi Maria Pirelli Guerra, Martino Pirelli Guerra, Piero Pirelli Guerra, Tom Guerra, Francesca Tosi, Francesco Pirelli e Nina (apoio emocional).
Erminia Maricato no portal Vitruvius
AGUSTINHO, Denise Paiva. Um novo ciclo na reforma urbana. Erminia Maricato discute o impasse da política urbana no Brasil. Resenhas Online, São Paulo, ano 11, n. 122.01, Vitruvius, fev. 2012 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/11.122/4208>.
CASIMIRO, Matheus de Vasconcelos. As ideias ainda fora do lugar. Ermínia Maricato demonstra a validade atual da interpretação de Roberto Schwarz. Resenhas Online, São Paulo, ano 15, n. 179.01, Vitruvius, nov. 2016 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/15.179/6270>.
MARICATO, Erminia. Os excluídos da cidade e a lei. Sobre a criminalização das vítimas da exclusão social. Drops, São Paulo, ano 20, n. 142.02, Vitruvius, jul. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/20.142/7406>.
MOREIRA, Tomás. Alternativas urbanas sob a ótica da reflexão crítica. Antiparalisia da ação propositiva segundo Erminia Maricato. Resenhas Online, São Paulo, ano 03, n. 028.03, Vitruvius, abr. 2004 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/03.028/3191>.
SANTANA, Lidia. O ângulo reto da análise urbana. As perspectivas de Otília Arantes, Carlos Vainer e Erminia Maricato. Resenhas Online, São Paulo, ano 05, n. 056.01, Vitruvius, ago. 2006 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/05.056/3135>.
SOARES, Alessandra; MAIA, Artur; ROSSI, Pedro. O papel social da arquitetura. Entrevista com Ermínia Maricato. Entrevista, São Paulo, ano 20, n. 078.01, Vitruvius, maio 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/20.078/7351>.
Livros de Erminia Maricato
ARANTES, Otília Beatriz Fiori; VAINER, Carlos; MARICATO, Erminia. A cidade do pensamento único. Desmanchando consensos. Coleção Zero à esquerda, Petrópolis, Vozes, 2000.
MARICATO, Ermínia. A produção capitalista da casa (e da cidade) no Brasil industrial. São Paulo, Alfa Omega, 1979.
MARICATO, Ermínia. Brasil, cidades. Alternativas para a crise urbana. Petrópolis, Vozes, 2001.
MARICATO, Ermínia. Habitação e cidade. São Paulo, Atual, 1997.
MARICATO, Ermínia. Metrópole na periferia do capitalismo. São Paulo, Hucitec, 1996.
MARICATO, Erminia. O impasse da política urbana no Brasil. Petrópolis, Vozes, 2011.
MARICATO, Erminia. Para entender a crise urbana. São Paulo, Expressão Popular, 2015.
MARICATO, Ermínia. Política habitacional no regime militar. Petrópolis, Vozes, 1987.
ficha técnica
programa Transa Marieta – episódio 3
entrevistada Erminia Maricato
entrevistadores Abilio Guerra, Celso Sampaio, João Sette Whitaker e Lizete Rubano
pesquisa Abilio Guerra e Celso Sampaio
organizadores Abilio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra, Caio Guerra e Silvana Romano Santos
edição Caio Guerra
produção Helena Guerra, Giovanni Pirelli e Silvana Romano Santos
data 26 de maio de 2020, 18h30
divulgação transmissão ao vivo via Facebook publicação posterior no portal Vitruvius