português Maria Helena Flores Guinle e Luis Guinle,administradores do Park Hotel de Lucio Costa de 1999 a 2002, comentam o projeto de restauração e relembram a história do hotel
como citar
Abilio Guerra.
“Maria Helena Flores Guinle e Luiz Guinle”.
Vitruvius entrevista, ed. 09.035.
Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/09.035/3284
Visita do grupo de arquitetos do 1º Encontro Regional do Docomomo-Rio ao Park Hotel, em Nova Friburgo, 2008 Foto Abilio Guerra
SOS Park Hotel, já!
No dia 13 de setembro de 2008, no início da tarde, chegou a Nova Friburgo um ônibus com dezenas de arquitetos, professores e alunos de pós-graduação de escolas de vários estados brasileiros. A delegação estava cumprindo a última etapa da programação do 1º Encontro Regional do Docomomo-Rio: uma visita técnica ao Park Hotel projetado pelo arquiteto Lucio Costa. No dia anterior, em uma exaustiva mas entusiasmada jornada, os participantes puderam fazer um balanço sobre o “Panoramas do Moderno Fluminense”, tema do encontro, que aconteceu no Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no bairro da Urca, um palácio neo-clássico magnífico, memória da antiga capital imperial (1).
Havia uma apreensão coletiva no ar, pois as informações não eram muito boas: o hotel do Dr. Lucio está em risco. O nervosismo da viagem – surpreendentemente demorada para uma distância relativamente curta – se dissolveu com o riso diante do equívoco do motorista, que entrou por uma rua errada e nos atrasou ainda mais. A primeira visada foi da rua abaixo do hotel, de um ponto de vista muito próximo da famosa foto da época de sua inauguração publicada no livro de Henrique Mindlin, Modern Architecture in Brazil, de 1956, e tantas vezes republicada. Primeira surpresa também: a idéia que eu tinha de um edifício solto em meio a um imenso terreno foi desmontada de imediato. O hotel está encaixotado entre duas ruas paralelas muito próximas, com uma rua lateral fechando o terreno. Os automóveis passam a quatro ou cinco metros da fachada aonde se localiza a entrada. Confesso a decepção: não era nada do que eu esperava. Contudo, ao contornar a esquina e me aproximar do hotel, sua presença por detrás de uma árvore revelou o fundamental: uma arquitetura síntese de um pensamento superior. O Park Hotel que surgia diante dos meus olhos era aquele que eu havia ideado há muito tempo como a primeira obra-prima de Lucio Costa, aonde o mestre pôde confeccionar ele mesmo aquilo que havia ensinado a tantos arquitetos: a somar a arquitetura moderna funcionalista à tradição vernacular colonial que ele aprendera a amar como ninguém.
A apreensão voltou, para não mais me abandonar, ao verificar que o delicado alpendre que marcava o acesso dos hóspedes tinha desaparecido. “Caiu”, foi a informação dada, para logo ser completada com a reconfortante (ao menos era para ser) frase: “mas está guardado em um depósito”. Dentro, os indícios que as coisas não andam bem vão se avolumando: tábuas do assoalho se soltando, esquadrias vergando sob o peso excessivo de madeiras encharcadas, banheiros desabilitados, móveis amontoados, fiação exposta. Nada disso abala a qualidade impressionante dos espaços gerados por uma articulação muito engenhosa de estrutura de madeira apoiada no maciço de pedra que conforma parte do térreo. Sempre achei que foi uma estratégia do arquiteto para contraventar e dar estabilidade para o uso inconveniente de pilares e vigas de madeira usadas como se fossem de concreto. O que vi parece confirmar a hipótese. Mais doloroso do que observar o desgaste do tempo – de resto, sempre passível de reversão enquanto o edifício se sustenta – é constatar que o mundo que dava sentido àquele edifício desapareceu. “Não se vai mais a veraneio para Nova Friburgo”, fico sabendo. “Não é economicamente viável um hotel de dez quartos”, isso eu já sabia (2).
Com um esforço enorme guardei minha melancolia para acompanhar o breve debate que ocorreu a seguir. O tema não poderia ser outro: o estado de conservação do hotel. Como chegou a esta situação? Quais suas reais condições? Há risco de ruir? Quais as alternativas de restauro? Que destino dar ao edifício uma vez reabilitado? Estas e outras questões surgiram. Formando a mesa, Maria Helena Flores Guinle – filha de César Guinle, construtor do hotel – ladeada por Marlice Azevedo, Roberto Segre e Renato Gama-Rosa. Na platéia, Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa e que já havia feito a apresentação final da sessão carioca do Docomomo no dia seguinte justamente sobre o Park Hotel, também respondia às questões. O balanço provisório que posso fazer da conversa realizada na varanda do hotel é de que há alguma esperança. As alternativas existem e – condição principal – as pessoas que se importam também. A começar pela família, que parece ter entendido que a sobrevivência do hotel passa por modificações profundas para se ajustar a situação às demandas da nossa sociedade atual: o hotel já não é mais viável, ao menos da forma usual; por ter uma importância cultural que transcende sua condição de imóvel explorado comercialmente impede que a família continue como proprietária convencional, mesmo porque ela não têm condições financeiras para arcar com os custos altíssimos implicados em um restauro bem feito. A criação do Instituto César Guinle aponta para um encaminhamento institucional, seguramente o único viável.
As idéias que estão sendo cogitadas são muito interessantes – hotel para arquitetos e estudantes de arquitetura e hotel-escola do SENAC – e não excludentes. Eu mesmo tive minha ideiazinha, de que o hotel pudesse ganhar um anexo contemporâneo que lhe permitisse de fato a flexibilidade necessária para usos diversos. O fundamental, de qualquer forma, parece que já está acordado: enraizar ainda mais o Park Hotel na cidade, abrindo seu espaço para a comunidade (e a escola seria uma solução fantástica para isso ocorrer); e espraiar ainda mais seu significado artístico, cultural e histórico para outras plagas, seja Brasil ou exterior (e o hotel renovado seria muito oportuno para abrigar os interessados).
Na entrevista que se segue será possível ir mais longe do que esta breve e lacunar apresentação, pois quem nos responde são aqueles que mais conhecem a história e a situação atual do Park Hotel de Lucio Costa.
notas
1 Atual Palácio Universitário, que abriga além do Fórum de Ciência e Cultura outras quatro unidades acadêmicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o edifício, inaugurado em 1852, foi construído pelo governo imperial para abrigar o Hospício de Alienados D. Pedro II, pertencente à Santa Casa. Os arquitetos responsáveis foram Domingos Monteiro, Joaquim Cândido Guilhobel e José Maria Jacintho Rebello, formados na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro. Cf. CZAJKOWSKI, Jorge (Org). Guia da Arquitetura Colonial Neoclássica e Romântica no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Casa da Palavra; Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 2000, p. 96. A nota se deve às informações que nos foram dadas por Maria Elisa Costa.
2 O ceramista Gilberto Paim me adverte que o turismo em Nova Friburgo não acabou. "Embora tenha diminuido muito na cidade" – diz Paim, "ele cresceu bastante nos arredores com inúmeras pousadas e hotéis para todos os gostos e bolsos, especialmente nas direções de Teresópolis e Lumiar". Apesar da advertência, mantivemos a menção da frase, pois ela foi de fato ouvida por mim, e também por ela expressar, mesmo que de forma exagerada, o esvaziamento do caráter turístico do núcleo urbano da cidade.
Platéia do debate ocorrido no Park Hotel durante a visita do grupo de arquitetos do 1º Encontro Regional do Docomomo-Rio. Da esquerda para direita: Daniela Ortiz, mestranda do PROURB; Maria Cristina Cabral, professora na FAU-UFRJ; Andrea Sampaio, professora da UFF; e Gilberto Paim, ceramista e autor do manifesto "SOS Park Hotel", 2008 Foto Abilio Guerra
Detalhe do folder promocional do empreendimento imobiliário "Cidade Jardim Parque São Clemente" em Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro [fonte: Acervo Família Guinle]
Abilio Guerra: O que motivou a família Guinle a construir o Park Hotel em Nova Friburgo?
Maria Helena Flores Guinle: O motivo que levou César Guinle a construir o Park Hotel em Nova Friburgo está intimamente ligado à historia do Parque São Clemente, que pertenceu a Antonio Clemente Pinto, Barão de Nova Friburgo. Ali o influente barão ergueu na segunda metade do século XIX seu chalet, circundado por jardins de Glaziou. Essa vasta e onerosa propriedade foi vendida em 1912 pelos herdeiros do Barão ao pai de César, Eduardo Guinle, que a reformou, estabeleceu residência de verão e instalou criações de animais.
Em 1935, formado em engenharia civil, César passou a dividir suas atividades profissionais entre Rio de Janeiro e Friburgo, e ao assumir a administração da Propriedades Reunidas Eduardo Guinle, decidiu transformar o Parque São Clemente em um bairro residencial: a cidade Jardim Parque São Clemente. Na quadra “O”, uma estreita faixa de terreno (entre 2500 e 3000 m2), foi então o local escolhido para construir um pequeno hotel para hospedar eventuais compradores de lotes no Parque São Clemente.
O folder publicitário realizado pela Empresa de Propaganda Standard Ltda e distribuído aos clientes contava a história da imigração suíça, do Parque e do Chalet. Seu texto, acompanhado de fotos e planta, traçava um perfil do loteamento, das “chácaras” e residências e fazia a chamada para o hotel: “em meio ao Parque, há também um hotel campestre... que oferece todo o conforto para o veranista. Edificação rústica, toda de madeira e pedra, ao natural, o seu conjunto se harmoniza com a paisagem, confundindo-se com o próprio parque, em virtude das inovações introduzidas em sua construção, essencialmente modernas.... Arquitetura e paisagem se confundem em admirável harmonia. Moderno e confortável, ao mesmo tempo simples e campestre, o Park Hotel é, sem dúvida, um hotel diferente...”
AG: Qual era a relação da família Guinle com o hotel ao longo dos anos?
Luiz Guinle: Sem dúvida existe uma ligação sentimental muito forte da família com essa iniciativa de nosso pai. Como filho mais velho, lembro-me bem de pelo menos um encontro com Lúcio Costa no qual fui com meu pai buscá-lo em sua residência no Leblon para irmos a Friburgo visitar a obra do hotel. Ficou gravada na minha memória a travessia para Niterói na barca para carros, na murada da qual ficavam meu pai e Dr. Lúcio conversando ininterruptamente e depois a visão da construção, ainda nas suas fundações. Ao longo dos anos essa ligação tornou-se ainda mais forte com a vivência freqüente da família e de seus amigos no hotel que se tornou um ponto de encontro para todos os moradores da Cidade Jardim Parque São Clemente.
Se de um lado a valorização cultural do hotel passou a ser cada vez mais evidente na medida da maior percepção da genialidade da criação de Lúcio Costa, do lado financeiro nunca representou algo significativo dado o pequeno valor do arrendamento mensal face às despesas de conservação do imóvel. Aliás, desde o início, César Guinle nunca teve em vista um negócio imobiliário com o Park Hotel. Entretanto, sempre demonstrou preocupação com a qualidade desde a construção, executada pelos melhores profissionais existentes em Friburgo na ocasião, até a continuidade do empreendimento mediante o arrendamento a pessoas muito bem escolhidas para operá-lo. O Sr. Facchetti foi o primeiro e permaneceu como arrendatário durante 16 anos; D. Irene foi a segunda, durante 36 anos.
Em 2002 foi fundado o Instituto César Guinle com a finalidade de arrecadar fundos para o restauro do hotel e de preservá-lo para a posteridade. Para tanto, os herdeiros cederam o imóvel em comodato para o Instituto pelo prazo de 25 anos, de forma que toda a receita que venha a ser auferida na sua eventual exploração comercial seja destinada à sua manutenção.
Maria Helena Flores Guinle com uma amiga no lago do Park Hotel, anos 50 [fonte: Acervo Família Guinle]
Park Hotel em Nova Friburgo na época da construção, arquiteto Lucio Costa [fonte: Acervo Família Guinle]
Abilio Guerra: Como foi a vida do hotel nos primórdios?
Maria Helena Flores Guinle: Desde a inauguração do Park Hotel em 1944, César Guinle confiou a sua gerência a experientes e dedicados administradores estrangeiros. Entre eles, o suíço Edmond Chevret foi o que permaneceu menos tempo como administrador do Hotel. Sucedeu-o, como arrendatário, Giovanni Facchetti, italiano de Milão, formado em hotelaria em Genebra, cuja gestão se prolongou até início dos anos 1960.
O Park Hotel nesse período cumpriu plenamente a função de hospedar eventuais compradores de lotes no Parque São Clemente, e dado a suas características arquitetônicas e à qualidade dos serviços de hotelaria, superou as expectativas: tornou-se um pequeno hotel de referência para os habitantes do Rio de Janeiro que vinham à serra passar férias de verão, feriados e fins de semana.
Em 1963 Irene Peterdi, de origem húngara, tornou-se arrendatária do Park Hotel por um longo período que se estendeu até 1999, durante o qual trouxe para o restaurante a marca da culinária húngara, sobretudo de sua refinada pâtisserie. Durante essa gestão fizeram-se necessárias duas reformas: a dos banheiros e a da cozinha, ambas realizadas nos anos 1970. Desse mesmo período data a construção de uma piscina e de uma sauna elétrica muito solicitada pelos hóspedes.
AG: Ao longo dos anos, quais hóspedes freqüentaram o hotel?
MHFG: Na época em que o Rio de Janeiro era capital da República, além dos hóspedes de famílias tradicionais e da classe média, estrangeiros de várias embaixadas estiveram entre os freqüentadores do Park Hotel. Os recém-casados, representaram um segmento dos mais importantes entre a clientela do Park Hotel, de seus primórdios até os tempos mais recentes, e por vezes seus filhos e netos deram continuidade a essa preferência!
Entre as personalidades notáveis que se hospedaram no Park Hotel podemos citar, do meio político, Artur da Távola, Luiz Paulo Conde; do cinema e televisão, Carlos Manga, Harry Stone, Jô Soares; do meio artístico, Di Cavalcanti, Artur Moreira Lima, Paulo Sergio Valle, Paulo Rónai.
A presença de arquitetos no Park Hotel foi sempre uma constante, aliando prazer e necessidade de registrar as características inéditas dessa obra de Lucio Costa. Moradores de Nova Friburgo também freqüentaram assiduamente o restaurante do Park Hotel. Além dos freqüentadores habituais, empresários promoviam almoços de negócios, juizes faziam seu encontro de fim de ano, e assim por diante.
AG: Quem administrou o hotel ao longo dos anos?
MHFG: Na inauguração do Park Hotel no ano de 1944, o suíço Edmond Chevret assumiu sua gerência. Devido a resultados insatisfatórios, César Guinle optou pelo sistema de arrendamento e o italiano Giovanni Facchetti foi escolhido para assumir o hotel em 1947. Neste período, que durou até 1963, ele e sua esposa se dedicaram ao hotel dando ao restaurante o tom da culinária italiana, produzindo massas frescas e sorvetes, e se ocupando do jardim com muito talento. Os serviços prestados por este arrendatário corresponderam plenamente aos propósitos a que foi destinado o hotel de pequeno porte e ao mesmo tempo confortável, funcional. Essa gestão cessou unicamente por motivos de ordem pessoal do arrendatário.
A gestão de Irene Peterdi, que se prolongou por 36 anos, prosseguiu no atendimento que aliava profissionalismo e atenção personalizada, mas deu destaque especial ao restaurante. Irene Peterdi introduziu um buffet frio e especialidades húngaras, ao mesmo tempo mantendo a culinária mais convencional e dedicando-se pessoalmente à produção diária de deliciosas sobremesas. Esses “ingredientes” ampliaram a clientela de outras regiões além do Rio de Janeiro capital e de Nova Friburgo. Sua longa permanência chegou a fazer com que muitos hóspedes chamassem o Park Hotel, de hotel da Dona Irene!
Com todo esse êxito, o Park Hotel não foi poupado da grave crise que atingiu a maioria dos hotéis da cidade de Friburgo. E Dona Irene, aos 86 anos, determinada a permanecer no hotel até o fim, cedeu ao apelo de sua família para interromper suas atividades.
A partir de 1999, fizemos diversas tentativas de buscar um novo arrendatário, sem sucesso, a ponto de decidirmos operá-lo, evitando fechar o hotel. Conseguimos dar vida ao mesmo durante cerca de três anos, apesar dos prejuízos financeiros.
Em 2002 surgiu um casal interessado no arrendamento – Nívea e Stefan Schmidt – ela brasileira, ele alemão, que conseguiram operar o hotel razoavelmente por pouco mais de um ano. Em dezembro de 2003 decidiram voltar a morar na Alemanha, em parte porque problemas com o telhado do hotel começavam a tornar-se incontornáveis. Durante esse período, já havíamos feito diversos investimentos, como o reparo de uma coluna com a base apodrecida e o novo sistema de aquecimento da água dos apartamentos.
Em fevereiro de 2004 começaram as obras do telhado, custeadas por verba do IPHAN, findas as quais, não mais foi possível reabrir o hotel.
Reunião política no Park Hotel, anos 1940. Ao centro da foto: de terno claro, Macedo Soares (governador do Estado do Rio de Janeiro); de jaqueta, Cesar Guinle (prefeito de Nova Friburgo, 1948-51); de terno escuro, Eugenio Müller (prefeito de Nova Friburgo [fonte: Acervo Família Guinle]
Plantas do Park Hotel com anotações de Lucio Costa, preparativos para a edição do livro Lucio Costa. Registro de uma vivência, Empresa das Artes, 1995
Abilio Guerra: Como se deu a escolha de Lucio Costa para projetar o hotel?
Maria Helena Flores Guinle: Em seu livro Registros de uma vivência, ao enumerar as fases de sua atividade profissional, Dr. Lucio inclui na terceira, em início dos anos 40, os projetos do Parque Guinle, “realizado graças à interferência de Armando Faria de Castro”, e do Park Hotel de Friburgo, “fruto da mútua dedicação e empenho – do proprietário, Dr. César Guinle, e minha”. Na mesma fonte, também podemos deduzir por seu depoimento sobre o Parque Guinle, que Dr. Lucio procurou César, e seus irmãos, no intuito de apresentar um projeto alternativo para os prédios de “estilo afrancesado” proposto por outro arquiteto. Os relatos indicam, portanto, que o encontro promovido pelo Sr. Faria de Castro foi importante para o projeto do Parque Guinle. Mas a escolha de Lucio Costa para o projeto do Park Hotel teve como fator determinante a receptividade de César Guinle para com o surgimento da modernidade na arquitetura brasileira.
AG: Qual a importância da autoria de Lucio Costa para o sucesso do Hotel?
MHFG: A funcionalidade e o conforto proporcionados pela arquitetura que tirava partido de materiais locais como madeira e pedra, foram determinantes para o sucesso do hotel. A esses fatores soma-se a localização privilegiada, em um ponto alto do Parque, com vista para os jardins de Glaziou. As palavras do folder “Cidade Jardim Parque São Clemente” sintetizam o êxito da obra de Lucio Costa: “Arquitetura e paisagem se confundem em admirável harmonia”. O prestigio do arquiteto, que culminou com a escolha de seu plano piloto para Brasília, evidentemente imprimiu um caráter diferencial ao Park Hotel.
AG: Qual era a relação do arquiteto Lucio Costa com o hotel?
MHFG: Durante a construção do hotel, Dr. Lucio e César Guinle acompanharam assiduamente a obra. Chegaram a se preocupar com os detalhes de escolha da roupa de cama e das louças, que encomendaram a fornecedores do Rio. As visitas de Dr. Lucio ao longo dos anos foram comprometidas pelo falecimento de sua esposa em acidente de carro no início dos anos 1950. Depois dessa data, sua filha Maria Elisa passou a fazer eventuais visitas, momentos esses em que sempre encontrava César Guinle. Lucio Costa só voltou ao Park Hotel em 1986, com Maria Elisa, e nessa ocasião o arquiteto José Reznik filmou a visita, que veio a fazer parte do documentário O Risco – Lucio Costa e a utopia moderna, lançado em 2003.
AG: Qual era a relação da família de Lucio Costa com o Hotel?
MHFG: Após o falecimento de César Guinle em 1989, o contato de seus herdeiros com Maria Elisa Costa se intensificou. Os sinais de precariedade nas instalações do Park Hotel fizeram com que intervenções pontuais fossem feitas. E a necessidade de elaborar um projeto de restauro tornou-se iminente. Maria Elisa deu toda a colaboração que esteve a seu alcance, para viabilizar essas obras, e a implementação dos projetos de restauro encaminhados para serem aprovados pelo IPHAN a partir de 1995. Um exemplo desse apoio deu-se em sua gestão de presidente do IPHAN: a verba destinada a recuperar parte do telhado do hotel.
Maria Elisa Costa no Park Hotel na visita do grupo de arquitetos do 1º Encontro Regional do Docomomo-Rio. Foto Helio Herbst, 2008
Hotel na montanha em Nova Friburgo, arquiteto Oscar Niemeyer [fonte: PAPADAKI, Stamo. The work of Oscar Niemeyer]
Abilio Guerra: E a historia de que o arquiteto Oscar Niemeyer fez uma versão não construída do hotel?
Maria Helena Flores Guinle: O hotel da quadra E, chamado “de montanha”, projetado por Oscar Niemeyer, surgiu sob meu olhar de espanto, em 2002 quando, à procura de documentos, me deparei com um envelope no qual lia-se na escrita de meu pai: “Fotos maquete do Hotel de Montanha – Projeto Oscar Niemeyer – Parque São Clemente”.
Pensei, em um primeiro momento, que fosse uma alternativa ao projeto do Park Hotel do Dr. Lucio. Fiquei inquieta com essa possibilidade e telefonei ao amigo arquiteto James Vianna, que me disse algo como: “esse projeto do Niemeyer não tem nada a ver com o projeto do Park Hotel, essas maquetes que você achou são do Hotel de Montanha”.
Depois desses esclarecimentos, descobri o Hotel de Montanha na planta da Cidade Jardim Parque São Clemente, em uma área acima da estreita faixa de terreno onde se lê “Hotel”. Tudo indica que o “Hotel de Montanha” deveria ser um hotel de maiores proporções, com função diversa daquela que foi atribuída ao Park Hotel – a de hospedar os eventuais compradores de lotes no Parque São Clemente.
É interessante notar que no folder da Cidade Jardim Parque São Clemente há um texto que se refere à “instalação de um pequeno hotel tipicamente montanhês, com chalets anexos, e como corolário de toda a obra, a construção de um grande hotel provido de amplas acomodações...”. Em suma, os planos para a Cidade Jardim Parque São Clemente não foram cumpridos em sua totalidade.
A referência ao Hotel de Montanha pode ser encontrada em um dos livros de Stamo Papadaki sobre Oscar Niemeyer (PAPADAKI, Stamo. The work of Oscar Niemeyer. With a foreword by Lucio Costa. New York, Reinhold, 1950).
Luiz Guinle: Eu tenho também minha opinião sobre a questão. Na realidade são conjeturas, mas com uma certa lógica. O Hotel da Montanha é mencionado no Decreto Lei Municipal nº 70 de 16/02/1944 e na planta incluída no folder do loteamento Cidade Jardim Parque São Clemente, ao passo que o Park Hotel não o é. De fato ele só aparece em duas páginas do mesmo folder com o esboço da sua fachada tal qual viria a ser (com exceção da área de serviço).
Pode-se deduzir, então, que antes de 1944 o Hotel da Montanha já havia sido pensado por meu pai e possivelmente já encomendado ao Oscar Niemeyer, uma vez que o artigo único do parágrafo 3º do Decreto Lei, com relação aos eventuais hotéis a serem construídos na área, diz o seguinte: "as dependências e chalés individuais obedecerão em seu estilo ao tipo Hotel da Montanha". Como o projeto de Lúcio Costa foi iniciado em 1940, embora a construção do hotel tenha terminado em 1944, é provável que ambos os projetos tenham sido pedidos ao Oscar Niemeyer e ao Lúcio Costa mais ou menos na mesma época.
O mais importante, entretanto, é que o projeto apresentado por Oscar Niemeyer mostrou-se inviável pelo seu porte e, sobretudo, pela sua incompatibilidade com a topografia do local onde seria construído. Não tenho notícias de que ele próprio ou membros do seu escritório tenham estado presentes no local da construção. Além do mais, a partir das menções do folder e do Decreto Lei pode-se estar certo de que os projetos encomendados destinavam-se a hotéis distintos.
Por fim, no livro de Stamo Papadaki o Hotel da Montanha aparece datado de 1945, quando o Park Hotel já estava funcionando, reiterando a idéia que se tratam de projetos distintos.
Hotel na montanha em Nova Friburgo, arquiteto Oscar Niemeyer [fonte: PAPADAKI, Stamo. The work of Oscar]
Folder promocional do empreendimento imobiliário "Cidade Jardim Parque São Clemente" em Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro [fonte: Acervo Família Guinle]
Abilio Guerra: Qual a importância do hotel para a cidade de Nova Friburgo?
Maria Helena Flores Guinle: É inequívoco o papel aglutinador que teve o Park Hotel para os turistas e para os moradores da cidade de Nova Friburgo, como já mencionei. Mas o declínio de sua situação privilegiada, que se deu a partir do final dos anos 80, coincide com um conjunto de transformações que já vinham ocorrendo em Friburgo, e que vieram trazer maiores desafios para sua revitalização.
O perfil demográfico e ocupacional da cidade foi bastante alterado pela nova forma que assumiu seu desenvolvimento econômico. Vou me deter no caso específico do turismo e da cultura. Sabe-se que a preferência pelas cidades de praia atingiu fortemente a região serrana de Friburgo, Teresópolis, e Petrópolis. Tanto os moradores locais buscaram a região de praias, como os turistas das capitais do sudeste também migraram para o litoral. Os atrativos da rede hoteleira friburguense passaram a não mais suprir a demanda do Turismo em seu aspecto multifacetado atual. E nesse momento crítico, o poder municipal não foi capaz de se adequar às novas exigências que se impuseram.
Do ano 2000 em diante, criaram-se circuitos turísticos nas áreas e distritos que circundam Friburgo, fato esse muito positivo. No entanto, permanece um potencial pouco explorado pela cidade propriamente dita. Embora já exista uma ocupação de espaços urbanos para atividades culturais, ainda há espaços desativados ou insuficientemente aproveitados, que podem se transformar em pontos a serem freqüentados por habitantes locais e de outras cidades.
O Park Hotel é um exemplo, e se vier a abrigar atividades relacionadas à gastronomia, à arquitetura e ao paisagismo, poderá dar vida ao magnífico espaço concebido por Lucio Costa e ao Parque São Clemente que se tornou um bairro ermo, com residências cercadas por grades e muros. A maneira de dar sustentabilidade econômica e de alocar essas atividades no imóvel do hotel, é a questão que vem sendo estudada pelas partes envolvidas no restauro e revitalização do Park Hotel.
Viveiro de periquitos na varanda do Park Hotel, 1949 [fonte: Acervo Família Guinle]
Repercussão de artigo de Gilberto Paim publicado em Agitprop, editoria do Portal Vitruvius:"Obra de Lucio Costa em ruína", artigo de Affonso Romano de Sant'Anna publicado no Caderno C do jornal Correio Braziliense, Brasília, 30 dez. 2007
Abilio Guerra: Como se deu o processo de degradação do hotel?
Maria Helena Flores Guinle: A evolução da indústria de turismo no Brasil e no mundo exigiu das redes hoteleiras um processo de radicais transformações. A rede de Friburgo, a partir do final dos anos 80 não conseguiu responder a essas exigências. A já mencionada preferência dos turistas para o litoral veio se somar a essa situação, como mais um elemento complicador.
Em Friburgo, um hotel grande e importante – o Sans-Souci – fechou suas portas em meados dos anos 90. Outros hotéis como o Hotel Olifas e o Hotel Floresta deram sinais de crise. O mesmo se deu no Park Hotel. A hospedagem caiu sensivelmente, embora os serviços de restaurante mantivessem uma razoável clientela.
Ao longo da existência do Park Hotel, César Guinle sempre forneceu os meios de fazer reformas e reparos no hotel. Sua firma, Construtora Parque São Clemente, tinha pessoal qualificado e materiais de reposição (peças de eucalipto, por exemplo) para atender as necessidades do imóvel. No período em que ele adoeceu, de 1980 a 1989 – quando veio a falecer - não foi possível dar a mesma qualidade de manutenção ao hotel.
Ocorreu também que com a queda da receita do hotel e o gradual cansaço decorrente da idade, Dona Irene na década de 90 foi diminuindo a manutenção do dia a dia do prédio. Cientes da situação, nos últimos anos do contrato de arrendamento abrimos mão do aluguel e demos início às providências para o restauro.
O grande impacto da degradação se deu, entretanto, em 2003 porque, embora a verba da recuperação do telhado já tivesse sido liberada em agosto, a burocracia do IPHAN atrasou o início da obra até fevereiro de 2004. Naquele ano inusitadamente choveu muito de agosto em diante e o estrago no interior do hotel foi muito grande.
AG: Qual a repercussão do manifesto “SOS” Park Hotel” de Gilberto Paim?
MHFG: A iniciativa de Gilberto Paim com o manifesto SOS Park Hotel, veiculado na editoria Agitprop do Portal Vitruvius e em um jornal de Nova Friburgo, foi fundamental para despertar a atenção de órgãos da imprensa e dos profissionais de arquitetura para a situação do Park Hotel. Vale acrescentar que, além dele ser conhecedor de design e arquitetura, sua atitude foi independente dos proprietários do hotel. Muito importante também foi o trabalho do jornalista friburguense Girlan Guillan, que desenvolveu o assunto dando-lhe sustentação na imprensa e alcançando um espectro mais amplo do publico leitor.
Manifesto "SOS Park Hotel" de Gilberto Paim, publicado no caderno "Light" do jornal A Voz da Serra, Nova Friburgo, 26 jan. 2008
"A entrada sem o alpendre que desmoronou", foto e legenda da publicação original do Manifesto "SOS Park Hotel", de Gilberto Paim, em Agitprop do Portal Vitruvius, dez. 2007
Abilio Guerra: Quais as ações iniciais para o restauro do hotel?
Luiz Guinle: Em 1998 tivemos aprovado um primeiro projeto de restauro, cujo proponente foi o Instituto José Bonifácio da UFRJ. Na época tínhamos uma visão muito limitada do que é o mercado de patrocinadores de projetos com incentivos fiscais e ficamos longe de conseguir qualquer investidor. Obtivemos, contudo, uma pequena verba do IPHAN, apenas suficiente para instalar um quadro de disjuntores elétricos e revisar minimamente a rede elétrica.
Terminado o último prazo de prorrogação do projeto aprovado, começamos em 2002 um novo projeto. Dessa vez, melhor assessorados, decidimos criar o Instituto César Guinle que passou a ser o proponente perante o MinC e passamos a nos envolver pessoalmente no esforço de captação de recursos. Nesse momento já contávamos com o Conselho Curador do Instituto com sete membros, alguns dos quais com experiências específicas de projetos culturais, para realizar um planejamento realista de busca de empresas potencialmente investidoras com incentivos fiscais. No entanto, o resultado foi negativo e frustrante. No BNDES desqualificaram o projeto, alegando não poder patrocinar o restauro de um hotel por ser um empreendimento comercial e ignorando, apesar da documentação fornecida, o fato de o Instituto, cessionário detentor de toda eventual renda, ser uma sociedade de fins não lucrativos. Um empresário recusou-se a analisar o projeto segundo disse por orientação de seu contador, que julgava arriscado o envolvimento da empresa com incentivos fiscais.
O projeto atual teve o início em 2006 com a contratação da Gesto Arquitetura, encarregada do projeto técnico de restauro, da Formarte, empresa dedicada a projetos culturais e captação de recursos e da Concrejato, empresa construtora do grupo Concremat, cuja parceria com a Formarte foi responsável por diversos restauros como o da Catedral da Sé em São Paulo e o do Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro.
AG: Qual o projeto atual de restauro?
Luiz Guinle: O projeto intitulado "Restauração do Park Hotel – 1ª Etapa” foi aprovado pelo Ministério da Cultura em abril deste ano sob o número Pronac 073395, com um valor autorizado para captação de R$ 1.525.268,78. Está previsto para custear obras emergenciais como a nova reforma do telhado, descupinização e renovação da rede elétrica além de, essencialmente, a revisão da estrutura, a recuperação de pisos, esquadrias, caixilhos e forros e da rede hidráulica. A 2ª etapa, a ser submetida futuramente ao MinC, compreenderá a restauração dos móveis, a cargo do Projeto Profissionalizando o Futuro de Arnaldo Danemberg, bem como a atualização das instalações e aquisição de equipamentos hoteleiros.
Nossa preocupação não se restringiu ao restauro da obra de Lúcio Costa e estendeu-se à questão de sua sustentação futura. Com esse objetivo o Instituto César Guinle firmou um convênio com a Associação Casa de Lúcio Costa e com a Associação de Ensino de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (Escola da Cidade) onde esta será responsável pela administração dos procedimentos para promover a presença contínua de professores e alunos de arquitetura, brasileiros e estrangeiros, para a hospedagem e estudo da obra de Lúcio Costa no Park Hotel.
Estamos também, desde já, buscando soluções para a operação do hotel. Uma alternativa está sendo negociada com o SENAC, com vistas à criação de uma escola hoteleira e de gastronomia que atenderia a hóspedes de lazer bem como aos previstos no convênio aqui mencionado. Em reunião de apresentação do Projeto Park Hotel para angariar patrocínio, a Petrobrás manifestou-se muito interessada nessa alternativa SENAC devido à repercussão que traria para a comunidade local.
Artigo "Começam a surgir as primeiras esperanças de salvar o Park Hotel", de Dalva Ventura, jornal A Voz da Serra, Nova Friburgo, 30 jan. 2008, p. 9
Park Hotel, arquiteto Lucio Costa, 2008 Foto Abilio Guerra
Maria Helena Flores Guinle
Maria Helena M. Flores Guinle é formada em Ciências Sociais (UFRJ, 1967-1969) e em Artes (Ecole Nationale Supérieure des Arts Décoratifs, 1977), com pós-graduação em educação (Faculdade de Educação da Unicamp, 1995). Em Paris, atuou em projetos gráficos de publicações institucionais. Foi professora titular em Pedagogia e coordenadora de projeto financiado pela Fapesp na Universidade de Mogi das Cruzes, de 1994 a 1999. Administrou o Park Hotel em parceria com Luiz Guinle de 1999 a 2002. É professora da Aliança Francesa de Nova Friburgo a partir de 2005.
Luiz Guinle
Luiz Guinle, formado em Engenharia Mecânica e de Produção (PUC-RJ, 1962), Master of Science em Engenharia Mecânica pela Universidade de Houston, Texas, EUA, professor tempo integral da COPPE – Coordenação dos Programas Pós-Graduados de Engenharia da UFRJ, Diretor do LTD-Datamec (grupo Datamec de serviços de processamento de dados), Diretor Financeiro da Companhia Docas de Santos, Diretor do Banco Boavista, Diretor Presidente da Elebra SA – Eletrônica Brasileira, Presidente do Instituto César Guinle.
Abilio Guerra
Abílio Guerra, arquiteto, professor da FAU Mackenzie, editor do Portal Vitruvius. Autor de Lúcio Costa, modernidade e tradição. Montagem discursiva da arquitetura moderna brasileira. Tese de doutorado. Orientadora Maria Stella Martins Bresciani. Campinas, IFCH-Unicamp, 2002.
Entrevista
A presente entrevista foi realizada por email durante o mês de setembro de 2008 e foi disponibilizada em Vitruvius em setembro de 2005.
Instituto César Guinle
O Instituto César Guinle (ICG) foi fundado em agosto de 2002 por Luiz M. F. Guinle, Maria Helena M. F. Guinle e mais sete pessoas de seu conhecimento, mas com exceção de uma, todas sem grau de parentesco com a família. Na assembléia de constituição foram eleitos para presidente Luiz M. F. Guinle e sete membros do Conselho Curador da Instituição. O objetivo do Instituto é promover o restauro e a revitalização do Park Hotel, bem como a sua sustentação permanente, além de futuramente outras atividades culturais que venham a ser julgadas importantes para o País. Na mesma ocasião foi comunicada a decisão dos proprietários do Park Hotel de cedê-lo em comodato ao ICG pelo prazo de 25 anos. Desde então o Instituto tem se concentrado nos projetos de restauro e em iniciativas voltadas para o futuro do Park Hotel. Destaca-se entre estas o convênio com a Associação Casa de Lúcio Costa e a Associação de Ensino de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo visando à auto-sustentabilidade do hotel e o estabelecimento de condições para um programa permanente para professores e alunos de arquitetura estudarem a obra de Lúcio Costa.
1º Encontro Regional do Docomomo-Rio
Com o tema “Panoramas do Moderno Fluminense: Presente e Futuro”, ocorreu nos dias 12 (no Fórum de Ciência e Técnica da UFRJ no Rio de Janeiro) e 13 de setembro (viagem técnica à Nova Friburgo para conhecer o Park Hotel, de Lucio Costa, e a Igreja Nossa Senhora das Graças, de Alcides Rocha Miranda) de 2008. A Comissão Organizadora foi composta pelos Professores Roberto Segre (UFRJ), Marlice Azevedo (UFF), Renato Gama-Rosa (Fiocruz), Carlos Feferman (Universidade Estácio de Sá), Inês El-Jaick Andrade (Fiocruz) e Daniela Ortiz (UFRJ).
A edição desta entrevista só foi possível graças à colaboração de diversas pessoas: Maria Helena Flores Guinle e Luiz Guinle, com imagens do acervo da família; Maria Elisa Costa, com fotos do acervo da Casa de Lucio Costa; Girlan Guilland, jornalista e morador de Nova Friburgo, com reportagens sobre o Park Hotel; Dina Elisabete Uliana, biblioteca FAU-USP, com imagens do Hotel da Montanha de Oscar Niemeyer; Roberto Segre, com diversas informações complementares.
Mesa Redonda durante a visita ao Park Hotel. Marlice Azevedo (UFF), Roberto Segre (UFRJ, Maria Helena Flores Guinle e Renato Gama-Rosa (Fiocruz), 2008 Foto Helio Herbst