português O jornalista José Wolf entrevista os candidatos da situação e oposição, que se enfrentam em pleito pela direção do IAB/SP, que acontece nessa semana em São Paulo
english Journalist José Wolf interview the candidates on the government and opposition, which is facing elections in the direction of the IAB / SP, which takes place this week in Sao Paulo
español El periodista José Wolf entrevista a los candidatos de la situación y oposición, que se enfrentan en pleito por la dirección del IAB/SP, que acontece en esta semana en San Pablo
Edifício-sede do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP. 1946. Arquitetos Rino Levi, Abelardo de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Zenon Lotufo
Tradição do IAB-SP
Entrevista com Arnaldo Martino José Wolf
José Wolf: Alguns arquitetos ainda questionam: IAB pra quê? Na sua opinião, o IAB significa o quê?
Arnaldo Martino: O IAB é a entidade de representação ampla e independente dos Arquitetos, abrangendo os âmbitos nacional e internacional, este através da UIA – União Internacional dos Arquitetos; é uma Instituição símbolo, com uma reconhecida história construída na defesa da Arquitetura, e que mostra a sua importância mediante ações propositivas possíveis e críticas construtivas para a melhor qualidade, a maior participação e a dignidade da atuação profissional do Arquiteto.
JW: O IAB paulista já tem uma história de mais de 60 anos. Ao longo do tempo, ele envelheceu ou se mantém atual e contemporâneo?
AM: O IAB é uma Instituição viva, com uma história de lutas e diálogo com a sociedade. Nas muitas gestões teve, como é natural, atuações com diferentes enfoques, em contextos e situações diversas, tendo enfrentado as pressões e as contradições de cada momento. A cada gestão, porém, ele se renova como entidade democrática que sempre foi. Portanto, seria para qualquer candidato uma arrogância desconsiderar o esforço de tantos colegas no caminho já percorrido e colocar-se numa posição de “salvador da pátria”. Embora eu nunca tenha cogitado em postular assumir este cargo, fui chamado a cumprir esta missão e, no sentido de buscar uma convergência nas intenções e ao mesmo tempo uma amplitude na representação, congregar uma diversidade profissional e regional; resultando uma representativa e competente equipe apta a desempenhar uma boa atuação. Colocamo-nos à apreciação dos nossos colegas, e em sendo acolhidos, prosseguiremos nesta caminhada do IAB com renovado ânimo e melhores idéias.
Edifício-sede do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP. 1946. Arquitetos Rino Levi, Abelardo de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Zenon Lotufo
José Wolf: Quais são os principais pontos de sua plataforma?
Arnaldo Martino: O objetivo central é a valorização da Arquitetura quanto à sua função social e cultural, entendida como um componente indispensável para a construção e o desenvolvimento da nossa sociedade através da criatividade, da promoção da qualidade ambiental e da contribuição para uma cultura urbana apropriada e genuinamente brasileira. As frentes de luta serão muitas, dentre elas:
A requalificação da Arquitetura, em uma discussão com a própria sociedade, esperando superar a futilidade e o glamour estimulados sobretudo com a ajuda de uma mídia apenas voltada para o mercado. Trata-se de mostrar o valor do Arquiteto em virtude das suas competências únicas e específicas no campo das artes e técnicas da construção, do conhecimento do Urbanismo e do respeito ao ambiente natural;
A valorização do trabalho do Arquiteto que passa pela afirmação e reconsideração do Direito Autoral;
A melhor condição de contratação do trabalho profissional, mediante a democratização do acesso aos contratos públicos e com remuneração digna e justa;
A ampliação da luta pelo concurso público para o acesso aos importantes trabalhos de Arquitetura, buscando como sempre na história do IAB, a formação de júris independentes e representativos da pluralidade profissional;
A contraposição às imposições dos órgãos públicos nas licitações para serviço técnico especializado decididas pela seleção de propostas somente por menor preço, com prazos políticos irrealizáveis, recorrendo a edificações padrão grotescas e que enfeiam a cidade, além dos honorários calculados por metro quadrado de desenho e outras barbaridades idênticas. Esses são comportamentos governamentais que dilapidam a economia pública, pois o desapreço pelos projetos bem feitos e completos, impede a obtenção da boa qualidade final das obras para as quais, paradoxalmente, os investimentos em construção, e os custos em uso e em manutenção, que não são pequenos, ainda são acrescidos pela incúria, desleixo e negligência de certos administradores sem imaginação;
A discussão quanto a formação dos novos quadros, relativamente as diretrizes curriculares, as qualificações profissionais e as quantidades compatíveis com as demandas sociais e econômicas;
A melhoria da ação do IAB como entidade de apoio aos Arquitetos, principalmente os mais jovens, criando cursos gratuitos ou subvencionados de aperfeiçoamento e especialização, e um banco de dados curriculares, de escritórios e de empresas, tentando facilitar o acesso ao trabalho e aos estágios; um apoio técnico e jurídico para a contratação de serviços profissionais; e ainda uma assistência especializada para a aplicação dos cada vez mais complicados e intrincados Códigos Urbanísticos e de Edificações, etc;
A criação de um novo código de ética do IAB, no qual este possa se posicionar mais claramente na defesa dos Arquitetos; nas relações profissionais com lealdade na competição, e contra as posturas que levam à um aviltamento dos trabalhos e ao prejuízo da qualidade da Arquitetura;
O engajamento na discussão da revisão do Plano Diretor da cidade de São Paulo e da produção e atualização dos Planos Diretores das demais cidades do nosso Estado;
O estabelecimento de um sistema de comunicação eficiente de forma a divulgar amplamente as informações, como instrumento de esclarecimento do público e de democratização da profissão;
A atuante participação do IAB através de suas representações nos Conselhos Municipais e Estaduais e da Região Metropolitana, apoiadas em comissões permanentes de Arquitetos que aprofundem as questões e subsidiem o posicionamento dos representantes na condição de opinião institucional.
Um aberto relacionamento com as outras entidades representativas: FNA, ABEA, ASBEA e ABAP, e apoio e luta pela criação do tão almejado Conselho de Arquitetura e Urbanismo.
JW: Como tornar o IAB mais visível e acessível junto à mídia e à sociedade civil?
AM: O IAB deve fazer-se presente, divulgando as opiniões mais representativas dos Arquitetos, não apenas os óbvios consensos que nem sempre são possíveis, mas também as polêmicas e justas contraposições cujos conteúdos ainda estiverem em debate; trata-se de abordar os fatos relevantes do nosso cotidiano urbano, nos quais são notáveis as implicações ambientais e sociais, seja em resposta às demandas solicitadas, seja antecipando e discutindo questões que deverão orientar políticas públicas para médio e longo prazos e diretrizes futuras em relação às cidades. As Bienais Internacionais de Arquitetura são grandes momentos e oportunidades para este debate e exposição na mídia; quanto a elas, pretendemos iniciar imediatamente o projeto da VII Bienal, abrindo esta discussão já no início do próximo ano, para formular um modelo de Bienal compatível com esta função de prestígio na imprensa e esclarecimento do público que, de certa forma sempre será nosso cliente.
JW: Qual a relação com os Núcleos do Interior?
AM: O IAB de São Paulo já tem uma efetiva estrutura estadual, congregando os Arquitetos que vivem e atuam fora da sede que está na capital. Os núcleos têm uma participação importante dos profissionais locais e uma inserção social efetiva e altamente considerada nas suas respectivas regiões. O reconhecimento deste importante fato, fez com que se abrisse agora, pela primeira vez, grande espaço de participação dos colegas que moram e atuam profissionalmente no interior, na composição da nossa equipe de Diretoria e do Conselho Superior. Confiamos em uma ótima interação com os colegas integrantes dos Núcleos. Deve-se ainda ressaltar a importância do outro instrumento institucional de deliberação que é o Conselho Estadual; ele será intensamente operacionalizado, como forma de inserção ampla dos interesses dos Núcleos.
Edifício-sede do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP. 1946. Arquitetos Rino Levi, Abelardo de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Zenon Lotufo
José Wolf: Quanto aos veículos de comunicação do IAB (site, boletim impresso, cartazes, banner´s etc.), há algumas propostas de inovação? Há a possibilidade da contratação de uma assessoria de imprensa?
AM: Devemos continuar com a publicação dos Boletins como peça informativa e de comunicação, cujo universo de público pretendemos que atinja a todos os Arquitetos atuantes no Estado de São Paulo, não restringindo-se apenas aos associados; continuaremos também com a página na internet e divulgação na mídia em todas as suas formas sob um gerenciamento profissionalizado de assessoria de imprensa. A inovação agora proposta será a criação de um Caderno de Arquitetura do IAB, cuja finalidade será divulgar com absoluta independência, projetos que se destaquem com caráter inovador e pensamentos e crítica sobre Arquitetura, constituindo-se como importante e sistemático registro da nossa melhor produção. Esta publicação periódica será apoiada em um Conselho Editorial de profissionais destacados e intelectuais notáveis em outras atividades.
JW: Como profissionalizar, enfim, o IAB e torná-lo financeiramente viável e ágil?
AM: A profissionalização não é em si um objetivo; uma estrutura meramente profissionalizada tende a ser eficiente nas operações de rotina, mas se banaliza, não é criativa nem compatível com o princípio democrático de renovação dos dirigentes; o desafio será compor uma estrutura viva e inovadora, atenta e crítica, ao mesmo tempo que apoiada em uma eficiente (profissional e estável) estrutura administrativa. Entendo que os membros eleitos que compõem a Direção do IAB não devem ser profissionalizados (no sentido de remunerados), mas participam desta atividade voluntária porque acreditam que, para a realização pessoal, mais do que uma remuneração financeira, conta a satisfação de ter contribuído por uma importante causa, no interesse coletivo dos Arquitetos e da Sociedade.
Edifício-sede do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP. 1946. Arquitetos Rino Levi, Abelardo de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Zenon Lotufo
Com 652 votos (a maioria dos Núcleos do Interior), Arnaldo Martino, da chapa “IAB UNIDO”, foi eleito o novo presidente do IAB paulista. Confira neste flash, algumas características do perfil do arquiteto. As perguntas e respostas abaixo aconteceram em fevereiro de 2006.
José Wolf: Arnaldo Martino, onde nasceu? (bairro, cidade)
Arnaldo Martino: São Paulo Capital – Rua da Consolação no Centro
JW: Por que a opção pela Arquitetura?
AM: Desde muito jovem tinha um envolvimento com as artes plásticas e o modelismo – aero e naval, o que me ajudou muito no treino à leitura espacial, ao desenho projetivo, etc. Resultou em caminho natural a opção pela Arquitetura – reforçada pelo evento de Brasília, recém inaugurada, etc.
JW: Em que Escola (e ano) se formou?
AM: Na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP em 1964 a graduação, e na mesma faculdade em 1982 – o Mestrado e em 1990 – o Doutorado.
JW: Poderia citar alguns professores que marcaram sua formação?
AM: Vilanova Artigas, Flavio Motta, Carlos Milan, Paulo Mendes da Rocha, Jean Maitrejean e muitos outros mestres como Lucio Costa e Oscar Niemeyer
JW: Ao se formar, como iniciou a trajetória profissional (escritório, projetos, docência, atividades profissionais etc.)?
AM: Em um escritório comum à um grupo grande de colegas todos jovens e engajados. Lá estavam o Flávio Império, Rodrigo Lefévre, Sérgio Ferro, Matheus Gorovitz, Antonio Sérgio Belgamin e outros, todos importantes companheiros. Participávamos intensamente de forma individual, ou diferentemente agrupados de concursos, projetos de vanguarda e projetos gráficos, artes plásticas, cenários, etc, e política naturalmente (1963/1964)
JW: Como ocorreu, em sua experiência pessoal e profissional, a transição entre a prancheta e o computador?
AM: Na minha formação o pensamento do espaço, o risco e o gesto estão em uma única ação – não adquiri treinamentos para a paciência de comandos indiretos. Muitos produtos gráficos, inclusive de apresentação saem direto da minha mesa de desenho. Mas o computador é uma ferramenta imprescindível e está incorporado nos procedimentos do escritório.
JW: Qual seu hobby preferido: ler, ouvir música, assistir a algum filme?
AM: Curtir uma casa no campo e tudo que isto proporciona: amigos, tênis, cozinha, filmes, ler e até projetar, que as vezes também é hobby.
JW: Uma crença?
AM: Que o Brasil ainda tem jeito!
JW: Uma opção política?
AM: Não partidária – mas que inclua ideologicamente o socialismo com um jeito humanista e uma estrutura democrática.
JW: Um livro marcante?
AM:Grande Sertões Veredas, de Guimarães Rosa
JW: Um filme?
AM: Todos os filmes de Federico Fellini.
JW: Um projeto?
AM: O Museu de Guggenheim de Nova York, de Frank Loyd Wright.
JW: Uma cidade. Por quê?
AM: Veneza. Precisa explicar?.
JW: Um arquiteto brasileiro histórico?
AM: Lucio Costa
JW: E um internacional?
AM: Le Corbusier
JW: Qual seu grande sonho ao concluir, em 2007, a sua gestão como presidente do IAB paulista?
AM: Que os arquitetos sejam social e profissionalmente mais respeitados, a ponto de influir nos destinos das nossas cidades. (calma! É um sonho)
Edifício-sede do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP. 1946. Arquitetos Rino Levi, Abelardo de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Zenon Lotufo
Arnaldo Martino
Arnaldo Antonio Martino formou-se pela FAU-USP em 1964. Iniciou a carreira profissional em escritório cooperativo, de 1964 à 1969, do qual integravam também os arquitetos Sérgio Ferro, Flávio Império, Rodrigo Lefévre, entre outros. Em 1969 coordenou equipe vencedora do Concurso Nacional para a Sede da Secretaria da Agricultura na Água Funda. Foi também vencedor de outros concursos como o Teatro Municipal de Piracicaba, Paço Municipal de Franca. Em 1969/70 integrou a equipe de projeto do Conjunto Habitacional CECAP em Guarulhos. De 1970 à 1975 realizou diversos projetos de Habitações, escolas para o Estado, e colaborou com o Arquiteto Pedro Paulo Saraiva em Projetos de Estádios Esportivos e Concursos. Em 1976 associou-se ao Arquiteto Eduardo de Almeida, realizando inúmeros projetos Industriais, habitacionais e concursos. Desde 1986 mantém o escritório Arnaldo Martino Arquitetos Associados Ltda, com consultorias e projetos diversificados nas áreas de Habitação, Indústria, Serviços, Urbanismo, etc. Paralelamente à atividade profissional, desenvolveu uma atividade acadêmica desde 1970 quando integrou o quadro docente da FAU-Santos e a partir de 1972 até o presente, é professor de disciplinas de Projeto de Edifícios da FAU-USP, nos cursos de Graduação e Pós-Graduação, tendo obtido os Graus de Mestre (1982) e Doutor (1990) na mesma Faculdade, com Dissertação e Tese dirigidas ao tema do Projeto da Habitação de Interesse Social, produzidas com critérios industriais. Tem participação no Instituto de Arquitetos do Brasil em diversas Gestões, como Diretor, Vice Presidente, Conselheiro e Representante em Comissões, Estadual e Federal voltadas à Gestão da Qualidade do Projeto.
Entrevista
Depoimento a José Wolf (via e-mail), editor do Informativo do IAB/SP, em 14 de novembro de 2005. A entrevista foi disponibilizada em Vitruvius em novembro de 2005.
Chapa 1 para Diretoria IAB-SP Biênio 2006/2007
Presidente Arnaldo Martino
Vice Presidente Joaquim Guedes
2º Vice Presidente Lucio Gomes Machado
3º Vice Presidente Vasco de Mello
Vice Presidente Financeiro Carlos Augusto Faggin
Secretário Geral Antonio Cláudio Fonseca
1º Secretário Lilian Dal Pian
2º Secretário Francisco Ferraz (Piracicaba)
Diretores 1. José Tabith 2. Jaime Cupertino 3. Silvio Sant’Ana 4. Regina Helena Vieira Santos 5. José Marcelo Guedes (S. José dos Campos) 6. Gilberto Caiuby (Sorocaba)
Diretor Financeiro Carlos Carmelo de Benedetto
Conselho Fiscal (Diretores) 1. José Renato Melhem 2. Miguel Fabregues 3. Victor Chinaglia (Americana)
Conselho Superior (Titulares) 1. Paulo Sophia 2. Ronald Tanimoto (Campinas) 3. Edson Elito 4. Marcelo Hobeika (Campinas) 5. Renato Nunes (Ubatuba) 6. Elisabete França 7. Fernando Rodrigues Neto (Sumaré) 8. Rolando Rodrigues da Costa (S. José dos Campos) 9. José Magalhães
Conselho Superior (Suplentes) 1. Gilberto Belleza 2. Mario Yoshinaga (Guarulhos) 3. Pedro Paulo de Melo Saraiva 4. Eduardo Habou (Suzano) 5. Valter Caldana 6. Marcos Tognon (Campinas) 7. José Borelli 8. Eduardo C. Pereira 9. Helena Hayoub Silva