português O jornalista José Wolf entrevista os candidatos da situação e oposição, que se enfrentam em pleito pela direção do IAB/SP, que acontece nessa semana em São Paulo
english Journalist José Wolf interviews the candidates on the government and opposition, which is facing elections in the direction of the IAB / SP, which takes place this week in Sao Paulo
español El periodista José Wolf entrevista a los candidatos de la situación y oposición, que se enfrentan en pleito por la dirección del IAB/SP, que acontece en esta semana en San Pablo
como citar
José Wolf.
“José Armênio de Brito Cruz”.
Vitruvius entrevista, ed. 06.024.
Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/06.024/3310
Edifício-sede do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP. 1946. Arquitetos Rino Levi, Abelardo de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Zenon Lotufo
Tradição do IAB-SP
Entrevista com José Armênio de Brito Cruz José Wolf
José Wolf: Alguns arquitetos ainda questionam: IAB pra quê? Na sua opinião, o IAB significa o quê?
José Armênio de Brito Cruz: O IAB é a entidade representativa dos arquitetos que pode representá-los independentemente da sua forma de organização para a atuação profissional. No IAB, tanto os empresários, os profissionais liberais, os funcionários públicos, os que trabalham com ensino e pesquisa na universidade, enfim, os arquitetos em geral se fazem representar. Só no IAB isto pode acontecer, tanto pela sua história como pela abrangência de sua estruturação. Nenhuma outra entidade pode ocupar este espaço. Assim, a entidade que pode contribuir para a estruturação da face pública da arquitetura é o IAB. Entretanto, os arquitetos, de uma forma geral, estão, já há algum tempo, sem prática política coletiva organizada. Oscilamos entre a necessidade de sobrevivência e a promoção de eventos. A situação da profissão e principalmente a situação das nossas cidades e do nosso território nos dirigem para a reconstrução de uma nova ação política organizada, apesar do descrédito a que tanto esta ação como a própria dimensão coletiva da nossa atuação profissional estão lançadas. Estamos construindo o nosso Conselho de Arquitetura e Urbanismo onde os arquitetos serão os próprios responsáveis pela regulamentação de sua profissão. O IAB tem papel crucial na estruturação do CAU. Não conseguiremos nosso lugar no processo de construção do país se não nos organizarmos melhor – o IAB reúne todas as condições históricas e de abrangência para ser o espaço para esta organização.
JW: O IAB paulista já tem uma história de mais de 60 anos. Ao longo do tempo, ele envelheceu ou se mantém atual e contemporâneo?
JABC: Falar que o IAB paulista envelheceu é o mesmo que dizer que a ação política ou o compromisso com a construção do nosso país está fora de moda. Sabemos a que serve este tipo de postura e esta é uma situação que temos que mudar. Em primeiro lugar não se deve confundir o IAB, o instituto com a(s) sua(s) direção(ões) ou com as práticas políticas que um ou outro grupo de representantes vem assumindo. O IAB deveria estar acima disto. Nada é mais atual e contemporâneo do que a organização da sociedade civil em torno de suas especificidades e identidades, inclusive profissionais. Hoje mais do que nunca.
A crise dos partidos políticos mostra o quão necessária é a nossa organização direta em torno dos graves problemas que o país enfrenta, hoje ainda acirrados.A história de mais de 60 anos de luta pela construção de um país democrático deve continuar e temos de elaborar e apresentar nossas propostas para as cidades, para o ambiente, para o território. Será que as nossas cidades são geridas de forma tão democráticas quanto o nosso sistema eleitoral? A busca de uma forma de contribuição através do compromisso profissional passa pelo IAB, pela sua história e principalmente pelas possibilidades que esta organização sinaliza. Repito. A profissão está carente de uma face pública conseqüente, que a afaste do papel de frivolidade que muitos tentam nos enquadrar. O aumento de escolas, as mudanças pelas quais a sociedade brasileira passou nas últimas décadas transformou o espaço de inserção social da arquitetura. Precisamos começar a desenhar um novo estatuto para profissão e não faremos isto desorganizados e sozinhos.
Edifício-sede do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP. 1946. Arquitetos Rino Levi, Abelardo de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Zenon Lotufo
José Wolf: Quais são os principais pontos de sua plataforma?
José Armênio de Brito Cruz: Nossa proposta para o IAB-SP caminha em dois eixos:
I – enriquecer as reflexões que orientam a prática do arquiteto, procurando fundamentar novas propostas para sua inserção social;
II – fortalecer o instituto como a principal voz pública da Arquitetura.
Com estas duas abordagens, uma série de ações começa a se construir:
Superar a contradição entre a necessidade que a sociedade tem da ação dos arquitetos e as restrições do mercado de trabalho – isto significa abrir-se à sociedade, romper o discurso autocentrado e enfrentar as reais demandas sociais. Os arquitetos e o poder público – o Estado é ainda o maior responsável pelo fomento e regulamentação da ocupação territorial, portanto uma política clara diante deste agente, tanto nos processos de contratação como de regulamentação é base para nossa participação na produção da sociedade
Canalizar a produção dispersa de Arquitetura para qualificar o IAB-SP como principal voz pública dos arquitetos – as teses existem, o IAB-SP pode catalisar e estreitar a distância entre este pensamento valioso (nas universidades/ ONGs/ ateliês/ escritórios) e a realidade.
O IAB-SP (e as demais entidades ligadas a Arquitetura) frente aos desafios da reorganização da sociedade civil no País – o reconhecimento da nossa identidade (do IAB) passa pelo reconhecimento da legitimidade das demais entidades específicas representantes dos arquitetos. Só uma ação conjunta de todos nos fortalecerá diante dos desafios que precisamos enfrentar.
O IAB-SP como instituição de abrangência estadual: por um Conselho Estadual deliberativo – os núcleos são parte integrante do IAB-SP.
Fortalecer as representações institucionais do IAB-SP – este fortalecimento passa pelo entendimento de que estas representações são voz do Instituto, não de indivíduos. Portanto, o andamento das diversas pautas das representações deve ser aberto e assumido como compromisso da nova direção evitando exposições contraditórias e, portanto diluidoras de nossa ação como fatos recentes demonstram.
O IAB-DN (Nacional), as organizações internacionais e o CAU – o IAB-SP faz parte de uma organização federativa, o IAB Nacional, que participa de uma rede internacional e tem um objetivo na constituição do Conselho de Arquitetura e Urbanismo.
Ampliar a representatividade do IAB-SP – o reconhecimento das diversas formas de atuação do arquiteto bem como o incentivo a jovens arquitetos e estudantes de arquitetura deve ser uma constante.
O IAB-SP e sua materialidade – a sede do IAB-SP, na Rua Bento Freitas, é a sua própria história, portanto a sua recuperação é o fortalecimento da entidade.
JW: Como tornar o IAB mais visível e acessível junto à mídia e à sociedade civil?
JABC: Nossa opinião é de que a visibilidade do instituto se dá a partir do conteúdo de suas proposições lançadas na sociedade. A perspectiva é romper com a separação que nos é impingida entre o conteúdo do projeto e a sua importância.
É através do conteúdo de nossas propostas que nos qualificamos enquanto interlocutores no processo de construção das nossas cidades e de organização e desenho do nosso território. Acreditamos sim em uma comunicação estruturada a partir de propostas significativas. Não acreditamos em ações meramente midiáticas ou de eventos.
O esforço será o da construção de um discurso (não retórica) que extrapole os limites da profissão. Precisamos falar com a sociedade, com os outros profissionais para fazer com que nossas teses, projetos, respondam a demandas reais. Não é o arquiteto sozinho que defenderá a sua ação em campanhas de marketing ou que tais. Será a própria sociedade que reconhecendo a importância da contribuição deste profissional o incluirá, estruturalmente em seus processos de transformação. A visibilidade está no conteúdo das propostas.
Se pautarmos as questões que sensibilizam a sociedade, seremos acessíveis. Se continuarmos no discurso auto-centrado e de auto-vitimização, não há campanha de marketing que nos torne visíveis e acessíveis. A ação sobre a mídia em geral é estratégica e deve ser construída estruturalmente, desde a maneira como arquitetura é pautada nos meios de comunicação até o fornecimento constante de material.
JW: Qual a relação com os Núcleos do Interior?
JABC: Devemos estruturar o IAB-SP como uma entidade de abrangência estadual. Isso significa mais do que termos Núcleos nas cidades do interior. É preciso aprimorar os meios de interação entre os Núcleos e a direção do Departamento para que possamos ter uma política coerente com a nossa escala estadual e de fato nos configurarmos enquanto rede. Uma rede onde cada pólo é agente propositor. Assim, propomos alterar o estatuto para que o Conselho Estadual passe a ser deliberativo e não apenas consultivo.
Desde o início da apresentação de nossas propostas a partir de diversas discussões com colegas dos núcleos do interior vimos esta proposta como fundamental para fortalecermos a entidade. Alguns departamentos estaduais já funcionam assim e a experiência tem sido positiva. Assim, os núcleos poderão atuar em pé de igualdade na definição das diretrizes políticas do IAB SP. Os Núcleos ampliam o raio de ação do IAB SP e trazem novos temas e propostas que devem enriquecer a ação da entidade em âmbito estadual.
Por outro lado, a expansão da quantidade de Núcleos não foi acompanhada de um trabalho da sua consolidação. Um sintoma é que em 8 cidades os núcleos não apresentaram chapas para a próxima gestão! É urgente um trabalho para apoiar a organização e a manutenção dos núcleos, o que envolve inclusive a definição do relacionamento das finanças e mesmo na operação, para que não haja um sufocamento dos Núcleos.
Edifício-sede do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP. 1946. Arquitetos Rino Levi, Abelardo de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Zenon Lotufo
José Wolf: Quanto aos veículos de comunicação do IAB (site, boletim impresso, cartazes, banner´s etc. ), há algumas propostas de inovação? Há a possibilidade da contratação de uma assessoria de imprensa?
José Armênio de Brito Cruz: O fortalecimento da entidade passa pela organização e construção de uma política de comunicação. Comunicação com os seus associados, o conjunto dos arquitetos e a sociedade como um todo. Com o entendimento de que a entidade deva ser um nó de uma rede de informações relativas à arquitetura e a construção da cidade. Tanto a sua sede deve comunicar isto (a materialização no espaço real) como também o seu espaço virtual. Assim deve ser com relação a todos os outros instrumentos de comunicação com vistas a gerarmos um processo integrado nas suas diversas frentes.
Com relação à contratação de uma assessoria de imprensa, não temos elementos hoje que nos possibilitem afirmar se existe ou não a possibilidade, pois infelizmente, a situação financeira da entidade não tem sido objeto de comunicação e esclarecimento nas últimas gestões. De qualquer forma, reconhecemos a importância deste tipo de consultoria que uma vez integrada com os objetivos estratégicos da direção da entidade, pode ser muito útil no cumprimento destes objetivos. Através dos veículos de comunicação bem como a mídia de uma forma geral o IAB-SP poderá superar episódios vergonhosos como o recente acontecimento de uma divulgação contraditória entre uma representação da entidade e uma posição expressa na imprensa pelo seu presidente (acompanhado por alguns ex-presidentes) na questão do edifício anexo ao MASP. Sem entrar no mérito da questão, é inadmissível que uma entidade com tão poucas oportunidades de exposição tenha produzido duas manifestações opostas, uma a favor e outra contra. Isto demonstra não só falha de comunicação como principalmente uma desintegração de procedimentos na direção da entidade.
É justamente isto que gostaríamos de mudar.
JW: Como profissionalizar, enfim, o IAB e torná-lo financeiramente viável e ágil?
JABC: A viabilidade financeira do IAB é uma preocupação, pois sem ela nenhuma política ou ação poderá ser implementada. Fala-se na profissionalização, mas precisamos definir como entendemos este conceito, pois não entendemos o IAB como um prestador de serviços que deve se equalizar aos parâmetros profissionais de outras entidades.
Em primeiro lugar, entendemos que o IAB-SP deve ter uma direção política clara na sociedade. Uma direção política não significa filiação a um ou outro partido político, mesmo porque podemos observar a distância que estes guardam com relação à pauta que estamos propondo no IAB. Uma direção política clara significa a estruturação da entidade como voz pública da arquitetura na sociedade, o que exige canais de comunicação e participação dos arquitetos na sua definição. A construção desta direção deve ser um princípio sobre o qual a estruturação da entidade deve se pautar fundamentada nos seus estatutos nacionais (o IAB é uma entidade federativa).
Se o que se chama de profissionalização é a viabilidade de ação política forte? Sim, vamos profissionalizar a nossa ação. Acho melhor mencionar a profissionalização da ação do que do Instituto porque a ação política é afirmação da cidadania, não uma prestação de serviços. A viabilidade financeira da entidade passa pela estruturação de programas e projetos que irão além dos profissionais arquitetos, ainda que estruturados por estes.
A hipótese é a seguinte: os recursos não devem ser levantados para o IAB, pelos seus belos olhos, mas sim para seus programas e projetos que contemplem o interesse público.
Edifício-sede do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP. 1946. Arquitetos Rino Levi, Abelardo de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Zenon Lotufo
Edifício-sede do Instituto de Arquitetos do Brasil-SP. 1946. Arquitetos Rino Levi, Abelardo de Souza, Galiano Ciampaglia, Hélio Duarte, Jacob Ruchti, Miguel Forte e Zenon Lotufo
José Armenio de Brito Cruz
Arquiteto pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP em 1982. Professor de Projetos entre 1991 e 1993 na Universidade Brás Cubas. Desde 1984, sócio-fundador do Escritório Piratininga Arquitetos Associados, aonde atua até hoje. Foi membro da diretoria do IAB/SP em 1988 e representante do Instituto na Comissão Procentro de 2002 até sua extinção em 2004. Os trabalhos na área de arquitetura e urbanismo acumulados nos 21 anos de atividade do escritório tem sido ao longo deste período objeto de congressos e publicações. Os trabalhos recentes são o “Plano de Desenvolvimento Econômico Territorial da Zona Sul de São Paulo” – “Operação Urbana Pólo de Desenvolvimento Sul”, realizado em 2003/2004 para a Prefeitura do Município de São Paulo e a Biblioteca Ambulatório do Campus 2 da PUC-Campinas, em 2004/2005.
Entrevista
Depoimento a José Wolf (via e-mail), editor do Informativo do IAB/SP, em 14 de novembro de 2005. A entrevista foi disponibilizada em Vitruvius em novembro de 2005.
Chapa 2 para Diretoria IAB-SP Biênio 2006/2007
Conselho Diretor
Presidente José Armenio de Brito Cruz
1º Vice Presidente Paulo Eduardo Fonseca
2º Vice Presidente Renato Anelli
3º Vice Presidente Marcelo Barbosa
4º Vice Presidente Financeiro Gustavo Partezani
Secretario Geral Elefterios Athanasopoulos
1º Secretario Roberto Portugal Albuquerque
2º Secretario Marcelo Ignatios
Diretor Financeiro Marcelo Ursini
Diretores 1. Gustavo Panza 2. Onesimo Carvalho 3. Carlos Leite 4. Helio Mariz de Carvalho 5. Martin Corullon 6. Hugo Louro Silva
Conselho Fiscal 1. Anderson Fabiano de Freitas 2. Gustavo Cedroni 3. Renata Semin
Conselho Superior 1. Nabil Bonduki 2. Ubirajara Giglioli 3. Silvio Sawaya 4. Araken Martinho 5. Edson Eloy 6. Marcelo Ferraz 7. Roberto Loeb 8. Julio Katinsky 9. Minoru Naruto
Conselho Superior (suplentes) 1. Fernando Mello Franco 2. João Walter Toscano 3. Maria José Gomes Feitosa 4. Milton Braga 5. Hector Vigliecca 6. Jupira Corbucci 7. Luciano Margotto 8. Ricardo Ramos 9. André Dantas