português Ailton Krenak – líder indígena, ambientalista e escritor – é entrevistado por Abilio Guerra, Isa Grinspum Ferraz, Marco Altberg e Suely Rolnik.
como citar
Abilio Guerra.
“Ailton Krenak, o intérprete dos intérpretes do Brasil”.
Vitruvius entrevista, ed. 21.083. 2020.
Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.083/7825
Ailton Krenak e seu filho Nakrahe, o "Naka", Marco Altberg, Suely Rolnik, Abilio Guerra, Helena Romano Guerra e Giovanni Pirelli, Isa Grinspum Ferraz, Caio Romano Guerra e Silvana Romano
Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante De uma estrela que virá numa velocidade estonteante E pousará no coração do hemisfério sul Na América, num claro instante Depois de exterminada a última nação indígena E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias Um Índio, Caetano Veloso
Como resposta à pandemia da Covid-19, o projeto Marieta lançou em abril de 2020 o “Transa Marieta”, programa de entrevistas com personalidades da arte e da cultura contemporânea, com o propósito de discutir uma trajetória de vida e uma percepção específica do mundo atual. Desde então, o coletivo paulista e diversos convidados conversaram com o escritor Milton Hatoum (1), o músico Arrigo Barnabé (2), a arquiteta Erminia Maricato (3) e o gestor cultural Danilo Santos de Miranda (4), todos com expressiva audiência.
Nesse mês de julho, com a pandemia em curso e sem adoção de medidas de contenção pelo governo federal, Isa Grinspum Ferraz, Marco Altberg, Suely Rolnik e Abilio Guerra entrevistaram o líder indígena, ambientalista e escritor Ailton Krenak no quinto episódio da série. O evento ocorreu no dia 21 de julho de 2020, a partir das 18h30, com aproximadamente duas horas e quarenta minutos de duração, e transmissão ao vivo via Facebook, na página do projeto Marieta (5). Com grande repercussão e participação do público, teve mais de 3.000 visualizações, 303 comentários, 241 curtidas e 68 compartilhamentos durante sua exibição. Agora, na íntegra, a entrevista está disponibilizada na plataforma Youtube e pode ser acessada no módulo 2 dessa edição da entrevista.
A cultura indígena vivencia hoje em nosso país um agravamento de suas condições de vida, com as investidas cada vez mais violentas de invasores de suas terras para plantio e garimpo, com a dizimação sistemática do seu meio ambiente – florestas queimadas, rios enxovalhados, lavoura de subsistência envenenada pelos agrotóxicos das fazendas que avançam sobre seus territórios. Com a pandemia avançando nas tribos de diversas etnias, nunca os indígenas brasileiros estiveram tão perto da extinção. Estamos diante de um projeto oficial de genocídio, tema que os militares do atual governo querem interditar, fato que não escapou à fala irônica do entrevistado.
Mas se os indígenas sofrem com os venenos da civilização branca, sua cultura se oferece de forma generosa como sucedâneo para os males contemporâneos da sociedade de consumo. As práticas e conhecimentos das diversas etnias que habitam o país podem sustentar uma visão transformadora da sociedade humana, como foi visto e salientado por Eduardo Viveiros de Castro, um de nossos maiores intelectuais, em relação aos Yanomami (6). Seu amigo Ailton Krenak, ativista indígena que sempre priorizou a aproximação das agendas das diversas nações que habitam nosso território muito antes da chegada dos europeus, é um dos porta-vozes mais autorizados para nos apresentar uma visão de mundo alternativa, que prioriza o bem comum, a vida comunitária e o respeito extremo aos outros seres – vivos e inorgânicos, como as montanhas e rios – que compartilham a mãe Terra com os humanos.
Muito ativo desde quando se apresentou em 1987 na comissão preparatória para a Assembleia Constituinte, Ailton Krenak se afasta da postura romântica, que cultiva uma visão paralisante do paraíso perdido, mas apresenta uma promessa de futuro, uma aposta que ele vai existir, apesar dos riscos das atividades de agressão constante ao meio ambiente e aos modos de vida não integrados – caiçaras, índios, quilombolas... O pensamento de Krenak, embebida dos valores culturais do seu povo, aponta a possibilidade de adotarmos práticas e modelos mais inclusivos, de baixo impacto no sistema ecológico, que valorizem a vida e fujam da armadilha presente na narrativa hegemônica do desenvolvimento econômico ilimitado.
Sua fala, contudo, não se materializa a partir de um lugar específico – o espaço cultural e socialmente determinado ao oprimido. Fluente e fluída, sua narrativa alterna uma visão pessoal e um ponto de vista coletivo, um “nós” que pode ser sua tribo, os povos originários, os supliciados pelo povo branco, ou a própria humanidade, que ele destaca ter uma origem comum. Ao invés de simplesmente responder perguntas, Ailton Krenak a situa na sua visão de mundo, a relativiza, retira sua aparente solidez. Responder é radiografar a fala do Outro, evidenciar o quanto a pergunta está impregnada de pressupostos que escapa ao próprio interrogador. Mas não se coloca como rival refratário à palavra do interlocutor, pois a essa forma de ver as coisas, de enunciar o mundo, não faltam as referências do mundo culto branco, cujos personagens e argumentos são convocados para a conversa – Michel Foucault e a vigilância da sociedade, Claude Lévi-Strauss e as mitologias indígenas, Darcy Ribeiro e suas ambiguidades em relação ao povo nativo, Eduardo Viveiros de Castro e sua persistente busca de diálogo entre universos culturais distintos...
Em textos e conversas recentes, Ailton Krenak tem proposto uma discussão de como evitar a extinção – e, se não for viável, retardar ao máximo o processo de esgotamento dos recursos naturais e viver a melhor das vidas possíveis (7). Na entrevista, ele faz uma candente defesa da vida como um dom maravilhoso, que deve ser preservado, mas fundamentalmente compreendido em sua radicalidade, que envolve não só o prazer, mas também a dor e a morte. E que envolve também um compromisso ético ao recusar a depredação do planeta para atender as necessidades artificiais de consumo de uma parcela minoritária da humanidade. E essa ética fundada no viver e no se saber vivo, como tudo, ou quase tudo, em sua linguagem, tem o discurso convertido em uma narrativa vivencial:
“Aquele menino que batia balaio na beira d’água, ele continua sendo o que vai na minha frente, correndo, batendo as carpinhas na beira d’água para ver aonde eu passo. Então, eu sempre tenho um menino me estendendo a mão. Minhas decisões são guiadas por essa memória” (8).
A quinta edição do Transa Marieta traz uma conversa simpática e um discurso poderoso, que faz ainda mais sentido nesse momento de urgência. A trincheira virtual cavada pelo coletivo se oferece agora à visitação de todos (9).
Ailton Krenak observando grafite que reproduz sua manifestação na Assembleia Constituinte em 1987, fotograma do filme “Ailton Krenak, o sonho da pedra”
notas
1 O primeiro episódio do “Transa Marieta”, com Milton Hatoum, ocorreu no dia 20 de abril de 2020, com início às 18h30, e está disponibilizado no portal Vitruvius: GUERRA, Abilio; MASSI, Augusto; BUSSIUS, Julia. Milton Hatoum: literatura em tempos de cólera política e pandemia de coronavírus. Transa Marieta – episódio 1. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.02, Vitruvius, abr. 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7713>.
2 O segundo episódio do “Transa Marieta”, com Arrigo Barnabé, ocorreu no dia 12 de maio de 2020, com início às 18h30, e está disponibilizado no portal Vitruvius: GUERRA, Abilio; ROMANO SANTOS, Silvana. As mil faces do artista Arrigo Barnabé. Transa Marieta – episódio 2. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.04, Vitruvius, maio 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7740>.
3 O terceiro episódio do “Transa Marieta”, com Erminia Maricato, ocorreu no dia 26 de maio de 2020, segunda-feira, com início às 18h30, e está disponibilizado no portal Vitruvius: GUERRA, Abilio; SAMPAIO, Celso Aparecido; WHITAKER, João Sette; RUBANO, Lizete Maria. Erminia Maricato, arquiteta, professora, gestora pública e ativista social. Transa Marieta – episódio 3. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.05, Vitruvius, maio 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7757>.
4 O quarto episódio do “Transa Marieta”, com Danilo Santos de Miranda, ocorreu no dia 22 de junho de 2020, segunda-feira, com início às 18h30, e está disponibilizado no portal Vitruvius: GUERRA, Abilio; BOGÉA, Marta; PIRELLI, Giovanni. Danilo Miranda, um intelectual a serviço do Brasil. Transa Marieta – episódio 4. Entrevista, São Paulo, ano 21, n. 082.07, Vitruvius, jun. 2020 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/21.082/7792>.
6 “Que venha, então, dos Yanomami, uma mensagem, uma profecia, um recado da mata alertando para a traição que estamos cometendo contra nossos conterrâneos – nossos co-terranos, nossos co-viventes –, assim como contra as próximas gerações humanas; contra nós mesmos, portanto”. CASTRO, Eduardo Viveiros de. O recado da mata. Prefácio de: KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu – palavras de um xamã yanomami. 7a reimpressão. São Paulo, Companhia das Letras, 2019, p. 23.
7 Em seu livro recente, sugere uma alegoria maravilhosa, onde os humanos inventam magníficos artefatos multicoloridos para retardar a queda no precipício existencial: “Por que nos causa desconforto a sensação de estarmos caindo? A gente não faz outra coisa nos últimos tempos senão despencar. Cair, cair, cair. Então por que estamos grilados agora com a queda? Vamos aproveitar toda a nossa capacidade crítica e criativa para construir paraquedas coloridos. Vamos pensar no espaço não como um lugar confinado, mas como o cosmos onde a gente pode despencar em paraquedas coloridos”. KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo, Companhia das Letras, 2019, p. 30.
8 Ailton Krenak, o sonho da pedra. Direção de Marco Alberg, 1’49”.
9 É fundamental agradecer as pessoas que espontaneamente têm apoiado o centro cultural Marieta, impossibilitado no momento atual em desenvolver suas atividades cotidianas e obter recursos para a manutenção de seu espaço: Ana Lucia R M F Costa, Andrea Pisani Megna Sipoli, Daniel Martins Rodrigues, David da Silva Junior, Denise Matta, Erika Almenara, Fausto Sombra, Gleisson Arrabal, Guilherme Severo, Helder Lourenzi Inaie Cardozo, Isabella Hernandes, Jaime Cupertino, Laís F Braun Ferreira, Lana Terpins, Larissa Dionisio, Leda Braga, Magaly Corgosinho, Marcelo Consiglio Barbosa, Mariana Schmidt, Marina Dias Teixeira, Marina Frugoli, Matheus de Sousa Santos, Néliane Catarina Simioni, Norma Maria Romano Santos, Patrícia Martins, Paula Nocchi Martins, Paula Sacchetta, Paulo Moritz Kon, Renato Luiz Sobral Anelli, Ruth Verde Zein, Sandra Rodondi de Godoy, Sergio Kon, Taisa Cristina dos Santos Leonardo, Thomas Goldenstein Leirner, Yadhira Álvarez e Yasmin Abdalla.
Abaixo, segue o roteiro da entrevista elaborado pelos entrevistadores, que foi parcialmente seguido durante a realização da conversa.
Ailton Krenak faz discurso-performance na Assembleia Constituinte de 1987
Bloco 1 – Origem e destino: índio cidadão
Abilio Guerra: Em uma entrevista dada a Marco Antônio Tavares Coelho, em 2009, você conta um fato pessoal, que reproduzo parcialmente:
“Darcy Ribeiro apresentou esses índios [os ‘Krenak’, ou ‘Botocudo’] como extintos. Uma vez, quando ele era secretário de Cultura, do governo Brizola, fui visitá-lo com um grupo de guaranis no Rio de Janeiro. [...] entramos no gabinete do Darcy para cumprimentá-lo e ele perguntou como é que estávamos. Respondi: ‘Como você disse que nosso povo está extinto, um fantasma veio lhe visitar. Porque, pelo seu livro, estamos mortos. Quem está extinto não dá notícia’. Darcy deu uma risada e perguntou: ‘Continua a matança em cima de vocês?’. Falei: ‘Claro que continua. Vim aqui pedir sua intervenção junto ao governo para que a Funai e as outras agências do governo parem essa perseguição contra as restantes famílias de Botocudo’ (1)”.
Essa história abre espaço para muitas conversas, mas te pergunto especificamente como foi sua vida na infância e juventude como membro de uma etnia à beira da extinção. Como foi sua formação e como se deu sua conscientização dos riscos existenciais e do que era necessário ser feito.
Isa Grinspum Ferraz: Em seu livro O povo brasileiro, Darcy Ribeiro escreveu o seguinte:
“Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados. Todos nós, brasileiros, somos por igual, a mão possessa que os supliciou. A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal que também somos” (2).
Como você entende a relação do índio com o negro e outras camadas que sofreram com os modos e processos de opressão? Há uma agenda comum? Qual o grau de pertencimento das nações indígenas no concerto geral da nação e da cultura brasileiras?
Suely Rolnik: Em nossas conversas, um dos assuntos mais recorrentes é a diferenciação entre resistência macro e micropolítica, que dizem respeito ao combate ao regime colonial-racializante-capitalista, em duas dimensões, distintas e indissociáveis, da vida humana. Uma é nossa condição de cidadão, cuja luta é contra a inequidade da distribuição de lugares nas sociedades sob reste regime e, respectivamente, da distribuição de direitos de acesso a bens materiais e imateriais, no limite do próprio direito de existir. Esta é a luta macropolítica, na qual atua a esquerda, em todas suas versões e matizes. Já a luta micropolítica se dá no âmbito de nossa condição de vivente, elemento entre outros (não só humanos) que compõem a biosfera, responsáveis pela manutenção do equilíbrio da ecologia ambiental, social e mental, o que implica a criação de outros modos de existir toda vez que a vida se vê sufocada nas formas do presente. A luta neste âmbito é a favor da integração dessa dimensão em nossa subjetividade, já que o acesso a ela se encontra blindado no tipo dominante de subjetividade produzido por este regime. É essa blindagem que lhe fornece a consistência existencial, sem a qual ele não existiria, pois um regime não é uma abstração mas encarnar-se em modos de existência. Na base desta blindagem, em vez de agirmos em direção da restauração do equilíbrio vital, agimos em direção ao abuso da vida (não só dos humanos) para a acumulação de capital econômico, político e narcísico. Somos muito mais conscientes da violência macropolítica do que da violência micropolítica, já que ela estrutura nossa subjetividade. Gostaria que você nos falasse desta violência micropolítica.
Marco Altberg: Ailton, nos conhecemos pessoalmente por volta do ano 2000, embora já te conhecesse antes e nosso encontro só fez confirmar essa sensação. E foi exatamente na Serra do Cipó, durante o Festival de Cultura Indígena – Taru Andé, que você realizava naquele ambiente mágico, reunindo diferentes etnias para a celebração da vida através da música, dança e arte. Fizemos a partir desse encontro a série de “TV Taru Andé – O encontro do céu com a terra”. Visitamos e registramos doze diferentes etnias pelo país. Tempos depois fizemos o filme Ailton Krenak, o sonho da pedra (3). O filme ia se chamar “O Resgate dos Botocudos”. Conta o que é esse sonho...
Ailton Krenak e José Celso Martinez Corrêa, mesa 13 – Vaza-Barris (O Irapiranga dos Tapuias), Flip 2019
Bloco 2 – O lugar da fala: linguagem e memória
Abilio Guerra: Uma certa vez, durante uma Flip em Paraty, você contou para um pequeno grupo uma história a partir do poema de Carlos Drummond de Andrade, “A máquina do mundo”, que contemplava duas dimensões: a real vivida pelo seu povo; e uma parábola das forças dizimadoras do capital – e ambas convergem para uma mesma mensagem: a fome insaciável do branco que só pensa em devorar o mundo. Você comenta, dentre tantas coisas, o atropelamento dos nativos pelo “guapó”, o “braço que vai e vem”, como vocês chamam as locomotivas (4). Como você pensa essa narrativa do homem branco devorador de montanhas, que estabelece vasos comunicantes entre mito e história?
Isa Grinspum Ferraz: Você contou uma vez que acompanhou Davi Kopenawa à Grécia quando você foi receber uma importante honraria, e que lá foram visitar a Acrópole. Você poderia contar novamente essa história, lembrando as observações feitas por Kopenawa diante das ruínas gregas?
Marco Altberg: Fizemos uma viagem incrível para São Petersburgo, na Rússia, expressamente para ver o material existente no Museu Etnográfico Kustkamer, onde estavam guardados, quase esquecidos, um rico material – objetos, instrumentos musicais, adornos, livros manuscritos do etnólogo viajante russo Henrik Maniser, com aspectos da cultura e da língua dada como perdida. Ele passou uma temporada junto aos Botocudos no Vale do Rio Doce. Registramos essa aventura que está no filme Ailton Krenak, o sonho da pedra. Como foi para você viver essa experiência tão profunda?
Suely Rolnik: Quando você se apresenta publicamente, você não se restringe a ocupar o lugar de fala: lugar cuja fala foi e continua sendo silenciada por ser considerado um lugar no qual o valor da existência é menor, para não dizer que tende a zero, na sinistra hierarquia imaginária entre valores atribuídos à existência dos distintos grupos humanos, estabelecida pela cultura moderna ocidental branca antropo-falo-ego-logocêntrica. Ao mesmo tempo em que você ocupa este lugar de fala, você também fala desde um outro lugar: um lugar que você cria com teu corpo-expressão que se diferencia do personagem que lhe cabe no script do teatro desta hierarquia tóxica. Falar a partir do lugar deste personagem e, ao mesmo tempo, sair dele, tem o poder de arrastar junto a própria cena regida por este script, já que não dá para manter um script se um dos personagens deixa de cumprir seu papel e vira outro. Neste gesto tão sutil, a tal hierarquias maldita parece desmanchar-se como um castelo de cartas. Numa conversa recente, você me contou que decidiu não usar mais aquela faixa na testa. Eu entendo esta tua decisão como parte desta dinâmica. Em suma, você não se expressa exclusivamente do lugar de oprimido que se dirige ao opressor recusando seu silenciamento, mas produz um desvio que desmancha esse lugar com sua presença. A meu ver, é o que dá a esta sua presença, uma imensa força de mobilização, pois ela reverbera em algo que está latente em muitos corpos, mas cujo acesso é obstruído pelo tipo de subjetividade que prepondera no regime colonial-racializante-capitalista. Você nos ajuda a desobstruí-lo, e isso não é pouca coisa. Gostaria que você nos falasse sobre isso...
Ailton Krenak e Davi Kopenawa Yanomami
Bloco 3 – Cultura e micropolítica
Abilio Guerra: No seu “Manifesto antropófago”, de 1928, Oswald de Andrade estabelece uma genealogia da visão libertária ocidental:
“Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos” (5).
Na frase sintética de Oswald temos uma constatação e uma promessa. A constatação seria que o homem branco europeu, mesmo não querendo, sofreu um enorme impacto em suas convicções ao contatar os chamados povos primitivos e a eles deve suas expressões históricas e culturais na defesa da liberdade e da igualdade. A promessa está na imagem do “bárbaro tecnizado de Keyserling”, onde se imagina uma transformação cultural e civilizacional dos povos originários da América. É possível encontrar um equilíbrio entre o universo cultural indígena de suas origens e o conhecimento ocidental? É importante traduzir e unir entre esses dois universos?
Suely Rolnik: Há alguns anos atrás, você, Pablo Lafuente e eu organizamos juntos um projeto no Goethe Institut (6), para o qual você convidou quinze artistas indígenas e Pablo e eu e quinze brancos envolvidos no sistema da arte desde uma perspectiva crítica à tendência do tal sistema de neutralizar a potência criadora das práticas artísticas, para transformar seu valor vital em valor econômico e também narcísico. Naquele momento, o tal sistema, ávido por buscar novas fontes de valor, começava a “englobar” artistas oriundos de camadas da população tradicionalmente excluídas deste campo, por ocuparem o andar de baixo da tal hierarquia imaginária maldita inventada pela modernidade ocidental colonial-racializante-capitalista. Foram dois dias inteiros de imersão para pensarmos como situar-se nesta relação que então se iniciava com a branquitude do sistema da arte, ao final dos quais chegamos à ideia de que era preciso investir esta relação, criando as condições para deslocá-la do legado do movimento antropofágico que ainda hoje é a referência cultural no país. Embora o movimento dos anos 1920 tenha sido um passo importante para superar a política de relação colonial com o outro do branco, numa atitude irreverente em relação ao falso self de europeu, “O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos”, como dizia Oswald (7), há nele ainda marcas desta política, na medida em que o outro comparece como adorno que se agrega à composição de sua auto-imagem: isso resulta numa casa-cor e não numa casa-corpo. Ou seja, embora este ideário aponte para uma transformação da cultura marcada pelo colonial, há nele ainda uma blindagem ao outro, sobre o qual se projeta representações. Ele não comparece como uma presença viva que produz efeitos em seu corpo-expressão que o convocam a um trabalho de transformação de si. Naquele momento da reunião, você disse que para além de reivindicar o direito ao território no sentido concreto (o que é o mínimo que se possa almejar), tratava-se de ocupar o território da cultura brasileira numa nova política de relação entre os elementos que a compõem. Gostaria que você nos falasse sobre isso.
Isa Grinspum Ferraz: De algumas décadas para cá, a luta política dos povos indígenas e o protagonismo de lideranças como você e Davi Kopenawa trouxeram visibilidade no Brasil e no mundo para a seguinte realidade: não existe uma única forma de estar no mundo e ser feliz, e é preciso que isso continue assim. Qual a contribuição que os povos indígenas podem dar à sociedade brasileira nessa encruzilhada em que ela está metida hoje?
Airton Krenak manuseia instrumento de seu povo coletado pelo linguista russo Henrikh Maniser em 1912, hoje no acervo do Museu Kunstkamer, São Petersburgo, Rússia, fotograma do filme “Ailton Krenak, o sonho da pedra”
Bloco 4 – Emergência dos tempos
Marco Altberg: Ailton, durante nossos diferentes projetos audiovisuais chegamos a aventar a possibilidade da criação de um canal de TV de conteúdos indígenas, voltado para a população em geral, como uma representação de imagens de uma parcela primordial da formação do que se constituiu o povo brasileiro. Com o incremento da internet e das mídias digitais essa ideia se disseminou e hoje vemos muitos canais indígenas cumprindo essa função. Você é um pregador das diferentes culturas indígenas e seus profundos conhecimentos. Hoje, depois de pregar muito tempo no deserto, parece que está havendo algum eco...
Coletivo Marieta: No seu artigo “Ecologia política – carta manifesto”, você afirmou o seguinte:
“A vida da floresta é o suporte para a materialidade e a espiritualidade da existência, da cultura e da produção/reprodução da subsistência. Essa existência comum entre sujeitos coletivos e o lugar é desgarrada da Terra pela violência colonial, um processo político e marcado pela relação assimétrica de poder que caracteriza a expansão/conquista do capitalismo” (8).
Lembramos da passagem do filme Ailton Krenak, o sonho da pedra, onde você afirma diante de uma cachoeira que esse é um daqueles “lugares onde a Terra descansa” (9), em contraste com a terra exaurida, cansada, fruto da exploração capitalista. Você, que tanto fala da importância dos “sonhos”, também nos faz lembrar em Ideias para adiar o fim do mundo (10) do “pesadelo” vivido por todos nós na atualidade. Estamos à beira do colapso ambiental? Existe salvação ou estamos destinados à extinção?
notas
1 COELHO, Marco Antônio Tavares. Genocídio e resgate dos “Botocudo”. Entrevista com Ailton Krenak. Estudos Avançados, v. 23, n. 65, São Paulo, 2009 <https://bit.ly/2ZI1F3p>.
2 RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 2a edição. São Paulo, Companhia das Letras, 1995, p. 120.
3 Ailton Krenak, o sonho da pedra. Direção de Marco Alberg. Documentário, 52’, Rio de Janeiro, Indiana Produções Cinematográficas, 2017.
4 GUERRA, Abilio. Quando o mundo acabar vou estar flutuando com um paraquedas colorido. A contemporânea cosmovisão ameríndia de Ailton Krenak. Resenhas Online, São Paulo, ano 18, n. 211.04, Vitruvius, jul. 2019 <www.vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/18.211/7419>.
5 ANDRADE, Oswald (1928). Manifesto Antropófago. In ANDRADE, Oswald. Do pau-brasil à antropofagia e às utopias. Obras completas, volume 6. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira/MEC, 1972, p. 14.
6 Encontro de arte indígena, com Ailton Krenak, Pablo Lafuente, Sandra Benites, Suely Rolnik e Ticio Escobar. In Episódios do Sul, Goethe-Institut, São Paulo, 1 dez. 2017 <https://bit.ly/2OKspda>.
7 ANDRADE, Oswald (1928). Manifesto Pau-Brasil. In ANDRADE, Oswald. Do pau-brasil à antropofagia e às utopias. Obras completas, volume 6. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira/MEC, 1972, p. 5.
8 KRENAK, Ailton. Ecologia política – carta manifesto. Ethnoscientia, v. 3, n. 2, jul./dez. 2018 <https://bit.ly/2BWqks1>.
9 Referência ao título de um dos livros do líder indígena: KRENAK, Ailton. O lugar onde a terra descansa. Fotografias de Adriana Moura, Zaida Siqueira, Igor Pessoa e José Caldas. Nova Lima, Nu?cleo de Cultura Indi?gena, 2000.
10 KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo, Companhia das Letras, 2019.
Ailton Krenak
Nascido no Vale do Rio Doce, em 1953, Ailton Krenak, ativista indígena dos direitos humanos, pertence à etnia Krenak. Em 1987, no contexto das discussões da Assembleia Constituinte, liderou a luta pelos princípios inscritos na Constituição Federal do Brasil. Fundou e dirige o Núcleo de Cultura Indígena; na década de 1990, criou o Festival de Danças e Culturas Indígenas na Serra do Cipó, Minas Gerais.Como jornalista, apresentou a série Índios no Brasil(TV Escola, 1998) e série Tarú Andécom temática indígena(TV Canal Futura, 2007). Em janeiro de 2016, foi distinguido com o diploma de “Professor Honoris Causa” pela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF. Autor de textos e artigos publicados em coletâneas no Brasil e exterior, e do livro Ideias para adiar o fim do mundo (2019). Recebeu diversos prêmios, como o Prêmio Internacional de Direitos Humanos para a América Latina Letellier Moffite, da Fundação Letellier, em Washington DC (1987), o Prêmio Onassis – Homem e Sociedade, da Fundação Aristóteles Onassis, em Atenas, Grécia (1989), o Premio Nacional de Direitos Humanos – Brasil, do Conselho Nacional de Direitos Humanos (2005), e a Comenda da Ordem do Mérito Cultural do Brasil (2008) e a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cultural do Brasil, ambos da Presidência da República (2015).
Abilio Guerra
Arquiteto (PUC-Campinas, 1982), mestre e doutor em História (IFCH Unicamp, 1989 e 2002), professor da FAU Mackenzie. Membro fundador do Marieta (com Caio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra e Silvana Romano Santos), é editor da Romano Guerra Editora e do Portal Vitruvius ao lado de Silvana Romano. É coautor do livro Rino Levi – arquitetura e cidade (com Renato Anelli e Nelson Kon, 2001), autor de O primitivismo em Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Raul Bopp (2010), Arquitetura brasileira: viver na floresta (2011) e Arquitetura e natureza (2017), e organizador de Textos fundamentais sobre historia da arquitetura moderna brasileira (2010), Brasil Arquitetura – Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz (com Marcos Grinspun Ferraz e Silvana Romano Santos) e diversos outros livros.
Isa Grinspum Ferraz
Bacharel em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo e doutoranda na FAU USP, é roteirista, documentarista e curadora de exposições e museus multimídia. Dirigiu a premiada série O Povo Brasileiro, as séries Intérpretes do Brasil, O valor do amanhã, Galáxias e A cidade no Brasil. Realizou os médias-metragens Lina Bo Bardi, O milagre do pão e A cidade não para. Coordenou a criação de conteúdos e roteiros do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Foi curadora da Estação Natureza, da USP, e do Cais do Sertão, em Recife. Idealizou o Museu do Pampa e o Museu das Missões, no Rio Grande do Sul. Atualmente, é curadora na recriação do Museu da Língua Portuguesa e da renovação dos museus do Instituto Butantan, em São Paulo. Foi colaboradora de Lina Bo Bardi e, por 12 anos, de Darcy Ribeiro.
Marco Altberg
Roteirista, diretor e produtor de cinema, TV e novas mídias, é sócio diretor da Indiana Produções e participa ativamente de entidades da área de cinema e televisão (Associação Brasileira de Documentaristas, Associação Brasileira de Cineastas, Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica e BRAVI – ABPITV). Em cinema participou como diretor e/ou produtor dos filmes Prova de fogo (1980), Aventuras de um paraíba (1982), Fonte da saudade (1986, prêmios de música e de som no Festival de Gramado; e de direção e de roteiro no Festival de Brasília), Os Trapalhões – o mistério de Robin Hood (1990), Sombras de Julho (1994) e Panair do Brasil (2007), dentre outros. Para a televisão, realizou séries de ficção e programas TV Futura, Canal Brasil, Canal Multishow e TV Brasil (onde “Revista do Cinema Brasileiro” foi exibido durante 22 anos), além de especiais de conteúdo cultural, artístico, educativo e ambiental. É diretor do documentário Ailton Krenak e o sonho da pedra (2017).
Suely Rolnik
Psicanalista, Suely Rolnik é graduada em Sociologia e Filosofia pela Sorbonne (Paris VIII, 1973 e 1975), mestre em Ciências Humanas Clínicas pela Sorbonne (Paris VII, 1978) e doutora em Psicologia Social (PUC-SP, 1987), é professora titular da PUC-SP (onde leciona desde 1979 e onde fundou o Núcleo de Estudos da Subjetividade no Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Clínica). Atuou como professora, pesquisadora, conferencista, jurada e curadora em universidades, museus e outras instituições no Brasil e em diversos países das Américas e da Europa. Autora de inúmeros ensaios e livros publicados em vários países, com várias edições, como Micropolítica – cartografias do desejo (com Félix Guattari, 1986), Cartografia sentimental – transformações contemporâneas do desejo (1989), A hora da micropolítica (2016), Antropofagia Zumbi (2012), e Esferas da insurreição – notas para uma vida não cafetinada (2018). Em 2019 participou com Ailton Krenak do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.
Entrevista
A entrevista com Ailton Krenak ocorreu no dia 21 de julho de 2020, terça-feira, das 18h30 às 21h. O encontro ocorreu virtualmente, via Zoom, e foi transmitido ao vivo no Facebook, na página do projeto Marieta (www.facebook.com/projetomarieta), com as participações dos entrevistadores Abilio Guerra, Isa Grinspum Ferraz, Marco Altberg e Suely Rolnik, e participação do público, que encaminhou antecipadamente perguntas por escrito, material que serviu de base e referência para as perguntas.
Projeto Marieta
O projeto Marieta é voltado para o pensamento contemporâneo, envolvendo pessoas de gerações e experiências diferentes, se propondo como lugar de criação, debate e difusão de produções artísticas e culturais. A diretoria e conselho curatorial é da responsabilidade do coletivo formado por Abilio Guerra, Caio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra, Silvana Romano Santos, Julia Zylbersztajn e Pedro Santiago. Atualmente conta com as participações de Magaly Corgosinho e Neliane Simioni (assessoria de imprensa); Bianca Leite (artista residente); Julia Rantigueri, Pedro Iwo de la Costa e Flavia Fonseca (colaboradores internos); André Scarpa, Felipe Rodrigues, Julia Vianna, Marina Dias Teixeira e Pablo Figueroa (colaboradores externos); Lírios Spacca (design gráfico); Lucas Minari (tuttofare). O grupo conta com a adesão fundamental de Claudia Romano, Emiliana Romano Santos, Norma Romano Santos (apoio moral) e de Garibaldi Maria Pirelli Guerra, Martino Pirelli Guerra, Piero Pirelli Guerra, Tom Guerra, Francesca Tosi, Francesco Pirelli e Nina (apoio emocional). Nos tempos atuais de pandemia, o espaço está se mantendo aberto e atuante (virtualmente) graças ao apoio de amigos do Marieta, via apoio cultural no website benfeitoria.com/marieta.
Nesses tempos de pandemia e de paralização das atividades presenciais, vitais para a manutenção do espaço, o projeto Marieta conta com o apoio de Ana Lucia R M F Costa, Andrea Pisani Megna Sipoli, Daniel Martins Rodrigues, David Da Silva Junior, Denise Matta, Erika Almenara, Fausto Sombra, Gleisson Arrabal, Guilherme Severo, Helder Lourenzi Inaie Cardozo, Isabella Hernandes, Jaime Cupertino, Laís F Braun Ferreira, Lana Terpins, Larissa Dionisio, Leda Braga, Magaly Corgosinho, Marcelo Consiglio Barbosa, Mariana Schmidt, Marina Dias Teixeira, Marina Frugoli, Matheus De Sousa Santos, Néliane Catarina Simioni, Norma Maria Romano Santos, Patrícia Martins, Paula Nocchi Martins, Paula Sacchetta, Paulo Moritz Kon, Renato Luiz Sobral Anelli, Ruth Verde Zein, Sandra Rodondi De Godoy, Sergio Kon, Taisa Cristina Dos Santos Leonardo, Thomas Goldenstein Leirner, Yadhira Álvarez e Yasmin Abdalla.
Bibliografia
COELHO, Marco Antônio Tavares. Genocídio e resgate dos “Botocudo”. Entrevista com Ailton Krenak. Estudos Avançados, v. 23, n. 65, São Paulo, 2009 <https://bit.ly/2ZI1F3p>.
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filmes e vídeos
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Índios no Brasil – episódio 1. Direção geral de Vincent Carelli. Apresentação de Ailton Krenak. TV Escola, 1998, 32’02” <https://bit.ly/3iT6put>.
Índios no Brasil – episódio 2. Direção geral de Vincent Carelli. Apresentação de Ailton Krenak. TV Escola, 1998, 30’19” <https://bit.ly/3ftuyWE>.
Índios no Brasil – episódio 3. Direção geral de Vincent Carelli. Apresentação de Ailton Krenak. TV Escola, 1998, 30’19” <https://bit.ly/2Wdozxp>.
Índios no Brasil – episódio 4. Direção geral de Vincent Carelli. Apresentação de Ailton Krenak. TV Escola, 1998, 34’57” <https://bit.ly/2OkDzoJ>.
Índios no Brasil – episódio 5. Direção geral de Vincent Carelli. Apresentação de Ailton Krenak. TV Escola, 1998, 32’59” <https://bit.ly/3fowm2O>.
Aílton Krenak – a vida, sempre (Aílton Krenak – Life, forever). Programa TEDxVilaMadá. Entrevista, 21’, 2011 <https://bit.ly/3gG6EHx>.
A história de vida do líder indígena Ailton Krenak. TV Cultura, 30 set. 2011, 3’40” <https://bit.ly/38Jt8oe>.
Ailton Krenak. 20 ideias para girar o mundo. Unesco Brasil, 9 jul. 2012, 6’41” <https://bit.ly/3gNCG4b>.
A ciência que eu faço – Ailton Krenak. Museu de Astronomia, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, 24 set. 2014, parte 1, 7’43” <https://bit.ly/2Ob0gMb>; parte 2, 8’42” <https://bit.ly/3edzBc7>.
Ailton Krenak. In Os Mil Nomes de Gaia – do Antropoceno à idade da Terra. Colóquio Internacional, Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro, 15 a 19 de setembro de 2014. Depoimento e debate, 25’35”, 2015 <https://bit.ly/2ZV7zNp>.
Índio cidadão? Direção de Rodriguarani Kaiowá. 7G Documenta e outras produtoras. Brasília, 2014, 52' <https://bit.ly/3ep60MZ>.
Índios no poder. Roteiro e direção de Rodrigo Arajeju. 7G Documenta / Argonautas / Machado Filmes. Brasília, 2015, 21’ <https://bit.ly/3gOylxV>.
Ailton Krenak – no meio do caminho havia uma pedra. Entrevistado por Laura Capriglione. Direção de Luiza Fagá. Jornalistas Livres. Entrevista, 06’50”, 2015 <https://bit.ly/2Oo4f8p>.
Ailton Krenak: “A natureza não é uma fonte inesgotável de recursos”. Programa Sempre um Papo, Museu das Minas e do Metal, Belo Horizonte, 07 de julho de 2015. Depoimento, 55’32”, 2015. Integral <https://bit.ly/2BLaX5D>; editado <https://bit.ly/2BLaT5T>; resumido: <https://bit.ly/3gM2m14>.
Ailton Krenak – do sonho e da terra. Ciclo Questões indígenas, Teatro Maria Matos, Lisboa, no âmbito do ciclo Utopias e de Passado e Presente Lisboa 2017 – Capital Ibero-Americana de Cultura. Conferência de Ailton Krenak, 02h07’55”, 2017 <https://bit.ly/3fh3PfN>.
Direitos humanos e a questão indígena – Ailton Krenak. Pastoral Universitária Anchieta, 11 set. 2018, parte 1, 6’20” <https://bit.ly/2ZepNKD>; parte 2, 7’12” <https://bit.ly/3gJSRjg>.
Conversa Ailton Krenak e Christian Cravo. Instituto Tomie Ohtake, 7 out. 2019, 1h16’20” <https://bit.ly/2Dj7sDF>.
Enquanto tiver gente no Brasil, vai ter presença indígena. Nexo Jornal. Entrevista, 11’43”, 2019 <https://bit.ly/2AOC4fA>.
Claudia Andujar por Ailton Krenak. Conversa na galeria. Instituto Moreira Salles – IMS Paulista, 14 fev. 2019 <https://bit.ly/2ZfohYT>.
Ailton Krenak. Entrevistado por Marcelo Tas. Programa Provocações, TV Cultura. Entrevista, 27’13”, 2019 <https://bit.ly/2ZcUPm4>.
Literatura e a voz da liberdade. 38a Semana Literária & Feira do Livro Sesc. Palestra de Ailton Krenak, 01h49’35”, 25 de setembro de 2019 <https://bit.ly/38GA0CR>.
Ailton Krenak no Sesc Santo André. Programa Sempre um Papo, 01h12’48”, 30 out. 2019 <https://bit.ly/2APIHhK>.
Constelações insurgentes: fim do mundo e outros mundos possíveis. Conversa com Ailton Krenak e Suely Rolnik, mediação de Tatiana Roque. Rio de Janeiro, Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, 10 out. 2019 <https://bit.ly/2WeNKQ8>.
Ailton Krenak: ideias para adiar o fim do mundo em tempos de coronavírus. Inconsciente Coletivo. Entrevista, 34’08”, 2020 <https://bit.ly/2ZXdTUu>.
Vozes da Floresta – Ailton Krenak. Le Monde Diplomatique Brasil. Documentário, 59’38”, 2020 <https://bit.ly/32670D9>.
Conversa selvagem – Ailton Krenak e Marcelo Gleiser. Selvagem, ciclo de estudos sobre a vida. Debate, 01h09’44”, 2020 <https://bit.ly/2O8g7ev>.
Como adiar o fim do mundo – Ailton Krenak. Comunidade online http://olugar.org, 18 mar. 2020, 1h12’50” <https://bit.ly/3ejkcae>.
Ailton Krenak – ideias para adiar o fim do mundo. Espiral dos Afetos, apresentação de Leonardo Guelman. Centro de Artes UFF, 26 mar. 2020, 2h47”02” <https://bit.ly/2BWsJmf>.
Sonhos para adiar o fim do mundo, com Ailton Krenak e Sidarta Ribeiro. #NaJanelaFestival – Mesa 6. Evento on-line, Companhia das Letras, 22-24 mai. 2020, 1h16’14” <https://bit.ly/2ZeY90j>.
Ailton Krenak e Leandro Demori conversam sobre a crise do coronavírus. The Intercept Brasil, 8 abr. 2020, 57’17” <https://bit.ly/3092JMT>.
Ailton Krenak – O amanhã não está à venda. A arte nos une, Centro de Artes UFF, 15 mai. 2020, 1h24’32” <https://bit.ly/3iQ4xTa>.
Ailton Krenak e Paulo Arantes – perspectivas anticoloniais. MITsp 2020, mesa 1: Do tempo, 8 mar. 2020, 2h50’09” <https://bit.ly/3iNoI4s>.
Ideias para adiar o fim do mundo. Entrevista com Ailton Krenak. Mediação de Julie Dorrico. Círculo de Leitura TRT4, Porto Alegre, jun. 2020 <Https://Bit.Ly/2Oy0uNL>.
ficha técnica
programa Transa Marieta – episódio 5
entrevistado Ailton Krenak
entrevistadores Isa Grinspum Ferraz, Marco Altberg, Suely Rolnik e Abilio Guerra
pesquisa Abilio Guerra, Silvana Romano Santos, Helena Guerra e Giovanni Pirelli
organizadores Abilio Guerra, Giovanni Pirelli, Helena Guerra, Caio Guerra e Silvana Romano Santos
edição Caio Guerra
produção Helena Guerra, Giovanni Pirelli e Silvana Romano Santos
data 21 de julho de 2020, 18h30
divulgação transmissão ao vivo via Facebook publicação posterior no portal Vitruvius