português Entrevista com o arquiteto Moacyr Gomes, que projetou, ao longo de seis décadas de atuação profissional, algumas das construções mais importantes edificadas na cidade de Natal, dentre as quais está o estádio “Machadão”, recentemente demolido.
english Interview with architect Moacyr Gomes who, over six decades of professional experience, designed some of the most important buildings in Natal, among which we can find the recently demolished ‘Machadão’ stadium.
español Entrevista con el arquitecto Moacyr Gomes, quien, a lo largo de seis décadas de trabajo profesional, ha construido algunos de los más importantes edificios de Natal, entre los que se encuentra el recientemente demolido estadio ‘Machadão’.
como citar
Luciano César Bezerra Barbosa.
“Entrevista com o arquiteto Moacyr Gomes”.
Vitruvius entrevista, ed. 14.054. 2013.
Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/14.054/4757
Moacyr Gomes em seu escritório.
Em busca de informações que pudessem subsidiar minha pesquisa de Doutorado “Competição e ícones urbanos - Arquitetura na cidade do sol e mar”, que estuda a cidade de Natal e suas características arquitetônicas marcantes, procurei o arquiteto Moacyr Gomes da Costa e solicitei que me recebesse para uma entrevista. De início, no primeiro contato telefônico, percebi certa relutância de sua parte em conceder a entrevista, talvez em função do seu estado de saúde ou, quem sabe, pelo seu afastamento cada vez maior das atividades profissionais. Na verdade, ao longo da entrevista, entendi que sua posição tinha como causa uma desilusão, um desencantamento com a cidade que o acolheu e com os recentes fatos que o colocaram como protagonista de uma polêmica envolvendo sua obra mais conhecida, o estádio João Cláudio de Vasconcelos Machado – ou Machadão, como ficou popularmente conhecido –, demolido para a construção da Arena das Dunas, para a Copa de 2014. Encontrei-o em seu escritório no bairro de Nova Descoberta, na cidade de Natal, no dia 26 de março de 2013, com excelente disposição e muita vontade para contar aquilo que viveu e aprendeu ao longo de seis décadas de intensa atividade profissional e centenas de projetos realizados. Moa, como era chamado pelos colegas cariocas, projetou alguns dos prédios e monumentos mais conhecidos e significativos da cidade de Natal e do estado do Rio Grande do Norte. Dentre suas obras mais importantes construídas em Natal, devem ser citadas, além do Machadão: o Ginásio Poliesportivo Humberto Nesi – ou “Machadinho” (também demolido para a construção da Arena das Dunas); a Faculdade de Odontologia da UFRN; o Pórtico dos Reis Magos (com a colaboração do arquiteto Eudes Galvão Montenegro); a sede da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil); a Biblioteca Pública Estadual Luís da Câmara Cascudo; o Centro Administrativo do Governo do Estado do Rio Grande do Norte (em parceria com o arquiteto Ubirajara Galvão); o edifício Barão do Rio Branco; e o edifício sede do DER/RN – Departamento Estadual de Estrada de Rodagens (em parceria com os arquitetos Daniel Holanda e João Maurício).
Esta entrevista precisa ser publicada para que os fatos relatados não caiam no esquecimento. É preciso registrar a obra de Moacyr Gomes antes que seus prédios e sua grande contribuição à arquitetura brasileira venham a ser vítimas, como parece ser agora uma rotina no país, de algum outro grande evento ou da mera especulação imobiliária.
Prédio da Faculdade de Odontologia da UFRN, Natal. Arquiteto Moacyr Gomes, 1965.
Luciano Barbosa: Quais as construções públicas ou privadas, incluindo edifícios, vias, espaços públicos, infraestruturas diversas, etc. são mais marcantes na cidade de Natal? O senhor acredita que a população em geral se dá conta da existência dessas construções marcantes?
Moacyr Gomes: Tenho percebido um absoluto alheamento, não só dos arquitetos e urbanistas, como dos habitantes em geral, em relação à cidade e à sua historia. Essa é uma característica lamentável. Por ter vivido tanto em Natal e ter nela minhas principais raízes, sofro profundamente com isso porque vejo que, a cada geração, isso piora. Existe um cidadão fazendo um trabalho hercúleo de levantamento de memória em relação à Rampa, o senhor Augusto Maranhão, que não conheço pessoalmente, mas acho-o admirável. Ele não é arquiteto. É um empresário de transporte e está fazendo um trabalho importante, talvez sem recursos, mas está conseguindo resultados.
LB: Ao que parece os esforços dele resultaram no projeto de recuperação da Rampa.
MG: Parece que vão restaurar o museu da Rampa! São tantos os desencantos, que estou procurando, já que falamos em falta de memória, sair da memória da cidade.
LB: Vai ser difícil o senhor sair da memória da cidade tendo em vista a quantidade de projetos importantes que fez ao longo de seis décadas de atuação.
MG: Na realidade, creio que sou um dos primeiros arquitetos a chegar a Natal depois de Palumbo. Ele chegou em 1929; eu, em 1955. Nesse longo hiato, a cidade teve a sorte de contar com a participação do Escritório Saturnino de Brito, que prestou um serviço inestimável à cidade, hoje quase esquecido. Tem um livro mais ou menos recente de sua trajetória em Natal produzido por professores da universidade, muito bom, que resgata parte da evolução da cidade antes da existência da CAERN, já que até então os serviços de saneamento de várias cidades do Nordeste eram concessões ao Escritório Saturnino de Brito, que se valia do que havia de melhor em termos profissionais da época. Deixou importantes obras, entre elas a Praça Augusto Severo, que além de bonita tinha o objetivo de corrigir o problema de alagamento do mangue do Potengi que chegava às proximidades do Teatro Alberto Maranhão. Lembro-me dos canais de drenagem interligados por pequenas pontes muito charmosas e o coreto, que davam aquele aspecto encantador. Parece que ainda existe um resquício de uma delas, após tantos anos de desamor e indiferença dos natalenses. São imagens de infância. Pois bem, voltando ao tema, esses arquitetos fazem parte da história de nosso desenvolvimento urbano. A praça foi projetada nos moldes franceses, e, por coincidência, em 1953, eu morava na Praça Augusto Severo, vizinho à Praça Paris, no bairro da Glória, Rio de Janeiro, que tinha linhas semelhantes, sendo muito maior. Eram todas muito bonitas e indispensáveis, num tempo em que as pessoas ainda podiam frequentá-las com segurança. As cidades vão mudando, e lamentavelmente suas memórias vão sendo esquecidas. Aí, nos meus devaneios de nostalgias, caminho nesses dois cenários, ambos com o nome de Augusto Severo, em homenagem a um grande potiguar que ficou na história da navegação aérea, um no Rio de Janeiro, onde vivi o melhor de minha juventude, outro em Natal, que abrigara minha infância e adolescência e mais tarde minha maturidade. Belos tempos, bela gente! Bom, pintei o quadro emocional. Vamos voltar a organizar, de acordo com a idade, as mais antigas: o Teatro Alberto Maranhão, por sinal irmão do citado Augusto Severo, é um deles, sem dúvidas, que eu conheci antes da reforma, ainda como Teatro Carlos Gomes, onde aconteceu o início da Intentona de 35, e eu morava nas proximidades. Quase o tiroteio me pega no meio da rua com oito anos de idade.
LB: O teatro é de 1904, mas foi logo reformado com projeto de Herculano Ramos, não é isso?
MG: Houve uma primeira reforma, e depois outra nos anos 50 feita por Meira Pires, o teatrólogo, que era meu amigo particular e meu companheiro nas peladas juvenis. A reforma foi bem feita e consta ter sido orientada por um cara que não era nem arquiteto. Era um desenhista, apaixonado por arquitetura, que andou uma temporada por aqui e fez alguns projetos interessantes. Então um dos seus trabalhos teria sido a reforma do teatro. A praça, evidentemente, como eu conheci, era marcante. Nos anos trinta, o dirigível Graf Zeppelin sobrevoou Natal, baixou sobre a estátua de Augusto Severo e deixou cair um ramalhete de flores. Hoje, é o caos. De praça não tem mais nada. Voltando a andar pela cidade, o Forte, evidentemente pelo seu aspecto histórico, é o marco mais importante de todos. Posteriormente, o Forte teve nos anos 1960 e 1970 uma reforma dentro do projeto de preservação e aproveitamento turístico. Procurou-se dar uma utilidade ao Forte do ponto de vista de atrair a visitação. Eu fiz parte do grupo de arquitetos que fez a primeira ponte de aproximação na Praia do Forte. Eram João Maurício e o saudoso Daniel Hollanda, e eu vinha chegando naquela época. Eu retornei a Natal nos anos 50, depois voltei para o Rio. Quando voltei novamente, com a intenção de ficar aqui, já tinha João Maurício, Daniel Hollanda, Jorge Vargas Soliz; já tinha Raimundo Gomes e Manoel Coelho, José Maria Fonseca, os três últimos já falecidos; pouco depois veio Marconi Grevy, além de um valoroso grupo de desenhistas que também deram grande colaboração a esse importante momento histórico no desenvolvimento da cidade e sua arquitetura. Então, juntos, fizemos um trabalho de recuperação com essa ponte, e tivemos que submeter à aprovação de Lucio Costa. Aquele projeto era nosso, como já falei. Ela fazia um bom trecho reto, e uma pequena curva, não lembro bem. Sempre recomendo a quem queira fazer um levantamento histórico desta cidade, que procure o João Maurício, que considero uma espécie de arquiteto/historiador de Natal. Quando aqui retornei, me associei com João Maurício e Daniel Hollanda, e abrimos o primeiro escritório profissional de arquitetura em Natal, que se chamava PLANARQ. Saindo então do Forte, chego à Ribeira, berço da história, que tem ainda o edifício creio que chamado Fabricio Pedroza, próximo aos Correios da Ribeira, ali na Av. Hidelbrando de Gois. Foi o primeiro prédio de quatro ou cinco pavimentos que vi em Natal, que é uma arquitetura muito interessante, com características do modernismo. Depois vem o edifício dos Correios e Telégrafos, também marco histórico considerável; aí vêm a velha Ribeira, a Dr. Barata; tudo aquilo ali é história. É a própria história da Natal paradisíaca. A Estação Ferroviária, sem dúvidas, é outra história que dá um livro, por sua grande participação no desenvolvimento do estado. Ali, na Ferreira Chaves, tem um prédio também marcante, que é o prédio do antigo IPASE, projeto de Rafael Galvão, arquiteto de muito renome no Rio de Janeiro, inclusive foi um dos arquitetos do finado Maracanã. O prédio é muito interessante, com fortes características do modernismo, com alguns exageros na escada toda em vidro, mas só que forrada de vidro no lado poente de maneira que quando se sobe a escada fica-se exausto. Inclusive, já trabalhei nele, no quinto andar, quando era o DNOCS. O prédio da esquina da Receita Federal, em diagonal com o Banco do Brasil da Ribeira, para mim, tem uma beleza ímpar e foi projeto de um desenhista pernambucano, que veio da Escola de Belas Artes do Recife, chamado Souza Lélis, que desenhava muito bem, bico de pena de Ingres; era fabuloso. Eu vi o projeto original, quando fui levado, pelo meu querido amigo Roberto Freire, ao escritório dele, na Travessa Venezuela, por trás da Tavares de Lira, num primeiro andar. Uma salinha deste tamanho, uma prancheta ali, muito desenho na parede, enfim, um ambiente modesto para abrigar um homem com tanto talento.
LB: Então ele não era arquiteto, era desenhista, era autodidata?
MG: Era desenhista e tinha curso de modelagem e detalhes ornamentais na Escola de Belas Artes de Recife, curso esse que fazia parte do currículo das Belas Artes desde a chamada “Missão Francesa” de D. João VI, que deram origem às escolas de Arquitetura. Nessa transição, herdou-se toda aquela elite de velhos professores de modelagem, de desenho artístico. Ainda cheguei a ser aluno dos professores Del Negro e Ubi Bava, no curso de arquitetura da antiga Escola de Belas Artes do Rio. Sou fruto dessa época, alcancei o que restava da Semana de 22, de Artigas, de Varchavchik, Atílio Correia Lima, desses grandes vultos da história brasileira. Todo esse legado marcou definitivamente meu destino profissional. Levei muitos anos me esforçando para deixar de copiar Niemeyer. Uma vez me convidaram para trabalhar no escritório dele; aí eu pensei direitinho e conclui que não passaria de uma modesta cópia do mestre.
LB:Iria ficar na sombra de Niemeyer?
MG: Eternamente! Aí é inevitável, em arquitetura, quando você quiser fazer alguma obra importante, evite olhar o mesmo tema feito por algum arquiteto famoso, porque você estará inevitavelmente influenciado. Você entendeu meu raciocínio. Fiz força para cortar o cordão umbilical com Niemeyer, um cara fantástico. Aí, se fosse chamado a fazer um museu, como o de Niterói, por exemplo, que é uma das obras mais lindas da produção desse gênio, teria que tentar um partido arquitetônico oposto, se ele fez redondo eu tentaria de fazer quadrado; ao invés de copiá-lo, teria que ter a audácia de tentar concorrer com ele, mas no bom sentido.
LB: E a arquitetura moderna brasileira como momento de afirmação cultural do país?
MG: Foi um momento em que Oscar, Lucio Costa, irmãos Roberto e outros de igual valor conseguiram despertar na Europa e nos Estados Unidos o respeito pelo Brasil como país de cultura, porque depois da Semana de 22, quando os arquitetos brasileiros começaram a aparecer na Europa, o europeu disse: “ora, aquilo não é terra só de índio, de jacaré, de cobra andando no meio da rua, não! É uma terra de gente civilizada.” Aí vieram os grandes expoentes em todos os ramos da cultura, trazendo para o Brasil um período fantástico de afirmação cultural que durou até a atual fase em que somos absolutos donos da “Medalha de Ouro” da corrupção. Então, é justo que se cobre o respeito das gerações posteriores para esses valores que já tivemos. Mas é claro que eu vou acreditar nos que vêm depois. Pode ter coisas do mesmo valor só que em moldes diferentes, mas a história não pode se acabar. Voltando à velha Ribeira, das modernistas eu citei algumas, mas tem ainda o Grande Hotel, cuja inauguração eu assisti, com 10 anos de idade ou coisa parecida, já que eu morava na Ribeira, quase a 100 metros do hotel.
Sede do Clube da Associação Atlética Banco do Brasil – AABB, Natal.
Arquiteto Moacyr Gomes.
Luciano Barbosa: E sobre as construções atuais?
Moacyr Gomes: Então, eu acho que, do Modernismo na Ribeira, eu não tenho muito mais a acrescentar. Analisando o atual processo de ocupação do bairro, principalmente dos novos prédios que estão surgindo na ladeira da General Cordeiro de Farias, percebe-se um novo processo de ocupação do solo, desejável como forma de revitalização do bairro, porém com efeito negativo pela obstrução da visão paisagística, outrora muito bonita, vista por quem descia a ladeira. Em tudo existem os dois lados da moeda, mas, de qualquer forma, acho que esse processo provocará a tão sonhada revitalização da Ribeira. É claro que essa ocupação deverá ter rigoroso controle, mas é necessária, pois não é possível revitalizar o que não tem vida. Você tem que dar vida à Ribeira para tal fim.
LB: Talvez através da moradia?
MG: Justamente através da moradia, porque traz a farmácia, a mercearia, o supermercado, a escola e traz gente! Então a Ribeira hoje tem uma atividade comercial em estado de decadência e à noite fica abandonada e perigosa. Os entraves poderão ser a obstrução da paisagem ou o excesso de densidade demográfica, se tomar um caráter especulativo. Este é, sem duvida, um dos maiores problemas do crescimento urbano desordenado. Onde se podia fazer um prédio com 20 apartamentos estão construindo com 80. Isso gera outro problema, a mobilidade urbana. Então nós estamos vivendo uma cidade que lamentavelmente cresce de forma desordenada, e aí vai também a culpa dos próprios arquitetos e urbanistas, inclusive eu, que não estão se preocupando com a cidade. Ah, a mobilidade urbana! Aí, fecha canteiro e bota esse retorno algumas quadras mais na frente. Não consigo entender essa lógica, depois fecha-se de novo e coloca-se outro retorno noutras tantas quadras adiante, e depois mais adiante. Quer dizer, são essas coisas que as universidades estão negligenciando; têm que mostrar para que servem os retornos, as rótulas, como medir e direcionar os fluxos, enfim, mostrar as verdadeiras soluções técnicas para o problema e não medidas empíricas paliativas caras e inúteis. O que se está ensinando hoje nas escolas de arquitetura é mais voltado para a venda de móveis, de decoração, enfim, é o que dá alguma compensação financeira ao arquiteto, que deixa de ser um obreiro e passa a ser um vendedor de “grife”. E o que é pior, ironicamente, deu-se agora o título de Arquiteto e Urbanista. Ora, um período normal universitário não é bastante para fazer um urbanista, cuja atividade eclética é essencialmente multidisciplinar. Outra grave deficiência que o “ensino” brasileiro impôs aos arquitetos, reduzindo ou eliminando seus conhecimentos básicos de mecânica dos solos, resistência dos materiais, instalações domiciliares, cálculo estrutural, limitando o arquiteto a simples operador de AutoCad, ou um simulacro de “modista”, ou um simples decorador. Portanto, essa coisa não está fazendo bem ao arquiteto. Ressalvo: não pretendo diminuir a importância dos nossos arquitetos atuais, antes pelo contrário, quero realçar seus esforços no sentido de superar as deficiências do ensino, e conheço vários arquitetos jovens de muito boa qualidade, frutos de sua própria paixão e talento, porque, parodiando Noel Rosa: “ninguém aprende samba no colégio”. Mas convenhamos que, se o sambista nato tivesse preparação erudita, poderia ser melhor. Desculpe, a crítica pode não ser simpática, mas é pertinente. Acabei de apontar as causas e efeitos, na minha ótica, que precisam ser corrigidas, concluindo, ainda sobre a Ribeira, do ponto de vista histórico não tem mais nada. Estou me antecipando ao fato novo.
LB: Ainda sobre a primeira questão, o senhor vê algo marcante feito dos anos 1980 para cá, considerando a necessidade de atrair o turista?
MG: Nos anos 80, Natal tinha seus 400 mil habitantes, então o que vejo de marcante nessa nova tendência de Natal é, digamos, a Via Costeira. Era uma proposta, me parece, mais adequada para se utilizar a beleza paisagística e a orla no sentido do turismo. Teve um projeto muito bom feito por Luiz Forte Netto, de Curitiba, com nome fora de nossas fronteiras. Ele pegou os 10 quilômetros de Areia Preta até chegar ali no Guinza, projetou uma via acompanhando a topografia da área, os arrecifes, as falésias, integrada à paisagem, tinha até um horto florestal projetado para a fralda das dunas, projeto de Burle Max. Em vez de uma via expressa, projetou uma via de lazer e colocou três núcleos de ocupação. Me disse o professor Forte: “Olha, é fundamental que você tenha residências porque turismo é temporada, quando a temporada acaba, fica deserto, mas se tem gente morando, tem comércio local, escola etc., terá vida o ano todo”. Concordei totalmente, porém advertindo que para isto seria necessária a verticalização daqueles três setores e, por isso, o projeto sofreria forte oposição daqueles que se dizem ecologistas. Não deu outra. Como resultado do debate irracional, surgiu no Plano Diretor um regulamento estabelecendo um limite de altura em até 15m. Seria muito mais racional que tivéssemos três conjuntos de edificações verticalizadas a cada 2 ou 3 quilômetros intercalados, do que um paredão continuo de 15 metros de altura, sob alegação de preservar a paisagem. Algum ser humano é capaz de descortinar uma paisagem com um paredão de 15 metros à sua frente? Então esse é o defeito maior da Via Costeira, mas ela presta seu serviço, seu papel no processo. Foi melhor do que se tivesse ficado deserta, para virar uma favela. Infelizmente, deturparam o projeto original, por motivos que prefiro não discutir, mas ainda é possível salvar a outra metade desocupada. Lembro que, por volta de 1995/1996, o Governador Garibaldi Alves me pediu opinião para uma proposta do Exército no sentido de permutar a área da antiga escola de pilotagem do Aero Clube, entre a Av. Roberto Freire e as dunas, por obras para as quais a instituição não tinha recursos e que seriam a contrapartida do Governo. Esse espaço tinha a extensão ao longo da estrada de Ponta Negra de quase 2 quilômetros, a partir da Rua Solon de Miranda Galvão até as proximidades da bifurcação com a via costeira, com uma área de cerca de 130 hectares. De imediato, aconselhei ao Governador que aceitasse a proposta e, com todo entusiasmo, parti para os estudos preliminares de um parque urbano com o enfoque de preservação ambiental, mas tendo uma característica mais ambiciosa de resolver sério problema de mobilidade urbana, a partir do congestionamento que já se sentia naquela avenida na ligação de todo o litoral sul com os bairros centrais da cidade. O parque da cidade, na minha opinião, seria um grande negócio para todos, não só para dar utilidade pública a uma área ociosa, como para a preservação do sistema geomorfológico mais importante da cidade e sua principal característica paisagística. Nos estudos preliminares, eu propunha diversas mudanças arrojadas, mas o mais importante desse “delírio” é que fiz um projeto de lei para mudança do Plano Diretor, na área em questão, que resultaria em doação à Natal de cerca de 100 hectares. Eu disse 100 hectares de graça. Isso mesmo, custo zero! Seriam quase 2 quilômetros da Av. Roberto Freire, desde a bifurcação até à Rua Solon de Miranda Galvão. Vão dizer: “tá doido”, “bota camisa de força”, mas, na verdade, a proposta foi aprovada pelo Serviço de Patrimônio do Exército, que era o mais difícil, e o sonho só não se concretizou porque a politicagem mesquinha, vocação irreversível desse pobre Rio Grande do Norte, impediu. Era véspera de eleição e ainda tive que pedir desculpas pelo fracasso, em nome de Natal, envergonhado, aos Generais que o aprovaram. Foi um dos maiores desencantos da minha vida. Hoje posso dizer que metade de mim morreu ali. Porque eu cheguei a ter a vitória na mão. Bem, estou falando da Via Costeira que é um dos fatos marcantes na cidade. Em consequência, houve uma atração para Ponta Negra, que, de qualquer maneira, hoje é um dos bairros mais valorizados da cidade.
Pórtico dos Reis Magos, Natal.
Arquiteto Moacyr Gomes com a colaboração do arquiteto Eudes Galvão Montenegro, 1999.
Luciano Barbosa: Se possível, eleja três marcos - que podem ser edifícios, monumentos históricos, áreas da cidade, etc. - mais significativos para a cidade de Natal, ou seja, quais os três que melhor representam e identificam a cidade?
Moacyr Gomes: O Forte, sem dúvidas, é um marco. Você queira ou não, vindo de avião ou de navio, você depara, porque ele é a esquina da cidade. É o marco de entrada da cidade pelo mar. Agora, adentrando a cidade, não vejo, sinceramente, nenhum prédio que marque a cara de Natal, fora os que já apontei; pelo contrário, eu vejo um monte de espigões que representam a tipologia urbana de Natal hoje. Prédios e mais prédios, alguns bonitos, outros comuns, todos com alta densidade de ocupação. Então, quando você chega ali no monumento dos 400 anos, você vê a floresta de prédios, ali perto do cemitério de Emaús. Aí, eu diria o seguinte: parece cabotinismo, mas um dos marcos de Natal é a entrada, o Pórtico dos Reis Magos, também dele participei. Aliás, eu acho que, como arquitetura, é o melhor que eu fiz em Natal, mais que o Machadão, por simular uma mensagem histórica, inspirada no nascimento de Cristo e sua relação com a data de fundação de Natal, com a anunciação dos Reis Magos ao mundo por via de uma estrela cadente. Pensei que a dinâmica da estrela e a riqueza das figuras bíblicas, com suas vestes e coroas, darão poderosa imagem arquitetônica. Juntei o calculista José Pereira, o saudoso Manchinha, grande escultor, o meu amigo e excelente arquiteto Eudes Galvão e fizemos um projeto audacioso, com uma estrela abstrata, garatuja meio surrealista, e as figuras clássicas dos Reis Magos. Aí comecei a riscar num papel como quem risca sem compromisso e disse: Manchinha, faça isso com tubulação, e ele fez. Ficou bonita, mas ela tinha uma haste muito comprida, engastada na cabeça da viga, e aí, no dia da inauguração, eu passei lá cedo e vi que a estrela estava oscilando com o peso, quando o vento batia. A construtora trouxe os bombeiros, cortaram o cano e recolocaram no lugar. Ficou até mais bonito. Depois da festa de inauguração, a cidade não deu nenhuma importância, e um jornalista chegou até a chamá-lo de “parangolé”, no sentido depreciativo. Aí, minha mulher disse: “Taí, você fez tanto esforço para virar um parangolé”. Falam que Cascudo dizia: “Natal não consagra nem desconsagra ninguém”. Mas ainda bem que ele mesmo escapou; era tão bom que é consagrado até hoje. Aí, morreu o assunto. Depois comecei a observar que os visitantes a Natal paravam ali para fotografar e pensei com meus botões: aquilo tem algum valor. Eu tinha consciência de que era um bom projeto e tenho: espero que a Fifa não o veja!
LB: É um grande balanço em concreto, não é? Um dos maiores?
MG: É verdade. Quatro ou cinco anos depois, eu recebo, de Zé Pereira, um livro que ele trouxe de Belo Horizonte, de autoria do professor Augusto Carlos de Vasconcelos, pioneiro do concreto pré-moldado no Brasil, no qual abordava os maiores monumentos em concreto protendido no Brasil, e colocava o nosso pórtico como um deles. É aí onde ele diz: “Já pesquisei e já tenho certeza de que é o maior balanço de concreto protendido do continente americano e estou pesquisando para saber se é do mundo”. Outro dia, Pereira me disse que recebeu a notícia que ele concluiu que, de fato, é o maior balanço de concreto protendido do mundo. É mole? Pois bem, só completando sobre esse marco, eu fiquei definitivamente vaidoso, após o livro do professor Vasconcelos. Enquanto Natal não lhe dava nenhuma importância, demonstrando sua “qualidade” de xenófila, em Belo Horizonte, num congresso de engenheiros de todo o Brasil, estava apontado como um dos grandes exemplares de nossa arquitetura. Pouco tempo depois, completados 50 anos da minha formatura, os colegas do Rio me chamaram para a festa de comemoração. Num momento de recordação das trajetórias de cada um, ao longo de tantos anos, eis que, surpreendentemente, um colega joga na tela as imagens do nosso pórtico, dizendo: “O Moa (carinhoso apelido de nossa juventude) estava caladinho em Natal fazendo coisas bonitas como esta e não dizia pra gente!”. Ele tinha fotografado nosso pórtico e eu não sabia. Valeu como uma medalha olímpica, e por isso me atrevo a apontá-lo como um dos marcos da cidade. Deixei de apontar a ponte Newton Navarro por não estar concluída, e por ainda não estar integrada ao sistema nos termos em que deveria ter sido projetada, melhor dizendo, não me parece estar no lugar devido. Quanto ao Machadão, conforme já disse, só posso citar in memoriam porque, inexplicavelmente, foi extirpado prematuramente da vida da cidade, embora já estivesse abandonado e moribundo.
Estádio João Machado – ou “Machadão”, Natal. Arquiteto Moacyr Gomes, 1972.
Luciano Barbosa: Quais construções são mais marcantes em Natal no que diz respeito à qualidade do projeto? Refiro-me à qualidade funcional, arrojo estrutural, qualidade nos aspectos de conforto ambiental, entre outras.
Moacyr Gomes: Eu vou lhe dizer uma delas que me agrada muito, a Capela do Campus. É um projeto lindo, tem o caráter modernista, logicamente porque foi projetada pelo João Maurício, que viveu toda a influência daquele movimento cultural. Eu acho a Capela uma bela arquitetura. Entre outros marcos, o Centro Administrativo merece destaque por sua funcionalidade e sua marca modernista e um partido urbanístico generoso em espaços livres e composição paisagística. Posso dizer que foi um dos bons projetos de que participei em parceria com o saudoso e excelente arquiteto Ubirajara Galvão. Hoje, infelizmente, mal reformado, remendado e ultimamente invadido por um gigantesco volume arquitetônico de um estádio em construção que irá transformá-lo em meras edículas secundárias e inexpressivas, será, no futuro, demolido para dar lugar a um gigantesco complexo imobiliário, conforme anunciado pelo Governo, há três anos, e ainda não desmentido. Tudo isso depõe contra a cultura potiguar. Aliás, eu tive a sorte de só ter tido como parceiros excelentes arquitetos. Criamos o UM, anos depois que fui sócio de João Maurício e Daniel Hollanda na PlanArq. Eu saí da PlanArq e voltei para o Rio; depois retornei a Natal e me associei com Ubirajara. Um outro projeto da UM, que pode ser citado, é o Senac, aqui na rua Capitão Mor Gouveia.
LB: E sobre o Machadão?
MG: Cabe ainda destaque, desculpe o marketing, para o falecido Machadão, por seu destino trágico, e por ser, na época, o que havia de mais avançado em forma arquitetônica. Foi o projeto de minha conclusão de curso, foi um fato inédito. Foi o seguinte. No segundo ano da faculdade, eu fui aluno do professor Pedro Paulo Bernardes, que era um dos arquitetos do grupo do Maracanã. Estávamos em 49, a poucos meses da Copa de 50. O Maracanã estava com o cronograma atrasado e, por isso, estava fechado a estranhos. Então, numa das aulas, pedi ao professor que me facilitasse o acesso, e ele gentilmente me atendeu. Resumindo, terminando o curso, me encontro com ele, que me reconheceu, e sugeriu para meu trabalho de conclusão e despedida o projeto de um complexo esportivo completo, recomendando ainda que, de preferência, este fosse voltado para a minha cidade. Aí eu liguei para Natal e consegui um levantamento topográfico dessa área onde hoje existe o Centro Administrativo do estado, que tem cerca de 50 hectares, mas, naquela época, só tinha, para o estádio, 17 hectares, porque o resto ainda era ocupado por Saturnino de Brito, para os serviços de saneamento em transição para a CAERN. O governador Dinarte Mariz prometeu que doaria o terreno pra construir o estádio, mas na condição de que fosse arranjado um documento que o livrasse de uma possível crítica dos seus adversários políticos, dizendo: “Estou em uma campanha política e meus adversários vão dizer que o Governador tá acabando com a água do povo para dar para jogo de futebol”. Então fui para o Rio e trouxe o documento. Conseguimos a doação, foi feito o estádio, 40 anos depois ocorreu sua estúpida demolição, veio o desencanto, lá se foi outro pedaço de mim e o desprezo à memória daqueles valorosos homens que o fizeram com o único propósito de prestar serviço à comunidade. Mas, voltando à história, quando foi inaugurada a obra em 72, o Governador Cortez Pereira fez um discurso, em pleno gramado, dizendo: “Isto aqui é um poema de concreto”. Dias depois, veio o famoso João Saldanha e publicou em sua coluna no Globo do Rio: “Acabei de vir de uma cidade linda e vi um estádio muito bonito que o Governador chamou ‘poema de concreto’, e acho que quando concluído deverá ser uma obra prima”. Muita gente ficou pensando que o “poema de concreto” era daquele grande jornalista, mas na realidade foi uma tirada do espírito romântico desse inesquecível Cortez Pereira. Mas tudo isso não impediu o ingrato esquecimento daquele notável homem público, nem me deu medalha de ouro; me deu foi o desencanto de vê-lo demolido. Não sei se era um poema, mas era um bom projeto. Merece destaque in memoriam.
LB: De certa forma, o Machadão era um marco que identificava a cidade já desde o momento em que foi construído, não?
MG: Sim, ele passou a figurar em todas as bancas de jornal, vendiam fotografias para turistas, cartões postais, etc. Mas o detalhe mais interessante de sua visão, para quem vinha descendo de carro da Candelária, na Avenida Prudente de Moraes, nas imediações da Rua Raimundo Chaves, era o movimento que aparentava o símbolo matemático de infinito se mexendo, na medida do deslocamento do veículo.
LB: Como uma ola?
MG: Isso mesmo, parecia uma ola.
LB: Ele existiu por 40 anos como uma referência da cidade. Tentaram pelo menos evitar sua destruição?
MG: No princípio, sim, parecia uma insanidade, muitos tentaram, tanto pessoas como jornais, instituições públicas, políticos, etc., depois apareceu a dinheirama e seu poder imbatível, anestesiou o povão em nome de um legado virtual e foi tudo para o espaço. Nada do que se disser agora resgatará o que foi surrupiado do patrimônio público, os malfeitores ficarão impunes e o povo pagará a conta. Para mim, restou a firmeza e a lealdade dos muitos cidadãos e amigos corajosos e independentes, meus colegas arquitetos contemporâneos, enfim, todos aqueles que me deram solidariedade, embora me reste a tristeza do silêncio decepcionante dos órgãos que congregam minha categoria profissional, como o Clube de Engenharia e o Instituto de Arquitetos do Brasil. Por essa razão, resolvi me afastar de tudo.
LB: Mas houve manifestações! Pode não ter havido formal, mas houve. Inclusive na universidade muita gente foi contra...
MG: Sim, dos jovens sempre recebi apoio. Basta dizer que uma turma formada em janeiro do ano passado me honrou com o título: Turma Arquiteto Moacyr Gomes da Costa. Isso foi no momento que já haviam iniciado a demolição, e o convite trazia na capa a foto do Machadão, obviamente, a única maneira daqueles jovens de demonstrar seu repúdio àquela insânia. Outras quatro turmas anteriores já tinham feito o mesmo. Estou me queixando apenas dos outros mais maduros, que conviveram comigo e escafederam-se de mansinho. Entendo que aos jovens falta experiência, mas sobra dignidade. Mas, queixumes não são o objetivo desta entrevista, me desculpe o desabafo.
LB: Poderiam ter feito uma demolição parcial?
MG: Claro, podiam ter deixado pelo menos um pórtico envolvido por um verde paisagístico como testemunho da competência de nossa engenharia estrutural nativa. Foi uma coisa estúpida! Uma agressão ao bom senso e desprezo à memória de alguns de nossos engenheiros que já se foram. Poderia até ter sido totalmente poupado, servindo como escola de formação de atletas, se construíssem um novo estádio em outro lugar. Se tivessem deixado cinco pórticos pelo menos, poderia ter se transformado num anfiteatro ao ar livre sem nenhum prejuízo para a construção de uma outra arena, porque caberia no espaço disponível.
LB: Pois é, e Natal carece deste tipo de espaços, inclusive para grandes shows.
MG: Conclusão, não havia necessidade de demolir, não há explicação, senão... Deixa para lá, há muito mais coisa obscura por trás de tudo isso, do que imagina nossa vã filosofia. É que talvez aquilo ali fosse um marco testemunhal do crime cometido contra o patrimônio público, aquela mesma aberração que cometeram na África do Sul, em Cape Town, chegaram a cogitar da demolição do “Elefante Branco”. Pela inutilidade e falta de recursos para conservação, por sinal é o mais bonito de todos. No ano passado, recebi de um jornal o convite para receber o prêmio Cultura Potiguar, obviamente face ao impacto do irracional extermínio do Machadão. Eu disse: me desculpe, se eu tivesse contribuído para a cultura potiguar, essa “cultura” não teria permitido sua demolição. Me parecia uma espécie de abraço de pêsames ou uma espécie de complexo de culpa. “O senhor não é o arquiteto que fez?” “O senhor está convidado a participar desse programa.” Recusei por questão de coerência e autorrespeito, agradeci à jornalista que convidou e aos arquitetos que me indicaram. Prefiro não citar nomes por respeito a ela e aos colegas que me indicaram, que estariam jogando um bálsamo nas feridas, quer por sincera admiração pessoal ou estavam apenas cumprindo seus deveres. De qualquer forma, falavam em nome de uma sociedade passiva e acomodada, que vive de aparências. Neste patamar de minha vida, nenhum troféu me traz qualquer emoção, significando apenas um esparadrapo em cima de cicatrizes difíceis de curar, e espero que não me tomem por arrogante. Ou que isso signifique empáfia, esnobação ou soberba, vez que não sou ninguém para esnobar a cultura de ninguém. Me disseram: “Tudo bem, mas agora os arquitetos que lhe escolheram querem lhe fazer uma visita e levar o troféu”. Respondi: recebo a visita com o maior prazer, mas deixem o troféu para lá. Aí mandei uma mensagem a cada um deles, agradecendo e justificando. Na semana passada um vereador meu amigo me disse: “Eu estava na festa que você não compareceu”. Aí aproveitei para agradecer-lhe por ter sido um dos poucos políticos que tentaram evitar aquele crime contra o patrimônio do povo, naquela farsa do Complan, quando tentou vistas do processo e quase foi agredido. E, posteriormente, no plenário da Câmara dos Vereadores, junto com mais cinco colegas, escapou do opróbrio que desmoralizou aquela casa legislativa, quando esta agachou-se diante de interesses escusos. Assim, você fica sabendo por que não compareci àquela solenidade. Mesmo entendendo que lamúrias não são boa estratégia para aparecer na foto, acho necessário que a sociedade reflita sobre o que aqui está relatado. Enfim, dos três marcos que você me pediu, citei o Forte, o Pórtico e o Machadão, por coincidência participei de todos, mas não tome como autopromoção. Considere que a referência é apenas fruto de mais de 50 anos que dediquei a esta cidade sem que ela me deva nada. Uma das escolhidas já não existe mais, agora a escolha é sua.
Ginásio Humberto Nesi ou “Machadinho”(em primeiro plano), Natal.
Arquiteto Moacyr Gomes, 1992.
Moacyr Gomes da Costa
Nasceu em Caicó, no estado do Rio Grande do Norte, em 07 de junho de 1927, e graduou-se em Arquitetura pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1954.Ocupou os cargos de Secretário de Planejamento Urbano de Natal (1971-1974) e de Presidente do Instituto de Planejamento de Natal (1997-1999).
Luciano César Bezerra Barbosa
É arquiteto com Graduação e Mestrado em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Atualmente, é professor dos cursos de Artes Visuais e Design da UFRN e Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da mesma universidade. Desenvolve a pesquisa “Competição e ícones urbanos: Arquitetura na cidade do Sol e mar”.
Entrevista
Realizada em 26 de março de 2013, no escritório do arquiteto, no bairro de Nova Descoberta, em Natal/RN. A transcrição da entrevista, que foi gravada em áudio, foi feita pelo entrevistador, que tentou manter a espontaneidade e sinceridade da fala do entrevistado.As fotos foram ou cedidas pelo entrevistado ou capturadas pelo entrevistador. A revisão do texto foi feita pelo redator Lucílio Barbosa. Gostaria ainda de agradecer ao Professor Doutor Márcio Moraes Valença pela colaboração e orientação.