português Há quem defenda que com a chegada da crise chegou também ao fim o reinado dos “Arquitectos-Marca”, há quem diga que os arquitectos estão em crise há muito tempo e até quem defenda que a recessão veio salvar a arquitectura
español Algunos argumentan que con la llegada de la crisis también llegó a su fin el reinado de los "arquitectos-estrella", o que los arquitectos están en crisis desde hace mucho tiempo o sostienen que la recesión ha venido a salvar a la arquitectura
Fredy Massad é um arquiteto argentino, formado pela FADU-Buenos Aires, e há vários anos colaborador do Vitruvius. Junto com Alicia Guerrero Yeste, sua companheira, também de trabalho, se dedicam à árdua tarefa de exercer a crítica arquitetônica, cultural e social através de seus artigos publicados nos jornais espanhóis ABC e La Vanguardia, além de revistas de todo o mundo. Durante todos esses anos, o exercício de construir essa ponte construída com muito afinco entre a difícil relação entre o leitor não especializado e a crítica arquitetônica. Fredy e Alicia publicam frequentemente na revista Drops do portal Vitruvius (1).
Por isso, mais do que nunca, suas palavras de análise sobre o contexto espanhol e europeu, onde mora e está afincado há anos, são as mais acertadas. A entrevista cedida gentilmente pela revista Traço é um termômetro das inquietudes da península ibérica que quiçá estejam longe das perspectivas da atual pujança econômica pela qual passa a América Latina.
Entretanto, há muito do discurso que, mais do que a esfera econômica, discute o fracasso da profissão do arquiteto, e daí a sua pertinência para qualquer contexto. Fredy não hesita em apontar "culpáveis", faz a crítica aos nossos colegas arquitetos que denigram a imagem da própria disciplina, cujo trabalho baseado na auto-afirmação nos meios de divulgação, especializados ou não, asseguram mais a sua imagem pessoal do que relevência à sua obra.
notaNE Publicado originalmente em Traço, n. 3, Lisboa, Oct./Nov./Dez. 2011 (versão original em PDF).
1 Alguns dos artigos publicados podem ser encontrados nesta lista.
Ana Rita Sevilha y Ricardo Batista: A arquitectura foi tomada de assalto pela palavra crise?
Fredy Massad:Em Espanha sim. Ao nível institucional (Colégio de Arquitectos, pela sua falha nas previsões) a crise apanhou de surpresa os arquitectos, do mesmo modo que entendo que os arquitectos confiaram demasiado que a forma como se fazia arquitectura nas últimas décadas do século XX ia perdurar eternamente, absolutamente indiferentes à evidência de que o cenário mundial se estava a tornar totalmente insustentável, e obstinados em querer que essa fórmula poderia fazer frente a qualquer tipo de alteração.
Mas também considero fundamental que se perceba que a crise de ideias antecedeu a crise económica na arquitectura e que foi precisamente a euforia económica que a pôde manter velada. A crise de ideias na arquitectura evidencia o declive ideológico que permitiu o endeusamento inquestionável dos arquitectos-estrela e a transcendência da sua influência, outorgada por críticos e meios complacentes e coniventes.
Imagem digital de simulação da paisagem arquitetônica sobre a ilha artificial Palm Jumeirah em Dubai
Uma influência que contagiou a arquitectura do narcisismo, uma obsessão formal que culminou na supremacia da “objectualidade” e da “iconicidade” espectacular mas simplista, que provocou que muitos dos arquitectos e arquitectura com um inquestionável valor e capacidade e pró-actividade no panorama contemporâneo resultassem numa carreira irreflexiva que perdeu para a arquitectura do reconhecimento da sua própria essência e obrigações.
Um dos factores problemáticos neste momento é a forma com se assume e se define a crise e as reacções a ela e ao período de euforia e inconsciência ideológica precedente, porque em minha opinião existe uma forte componente de auto-negação e manipulação. Neste momento estão-se a produzir transformações de estrutura e atitudes que, na realidade, não são mais do que simulações que, no fundo, tratam unicamente de preservar o statu quo da arquitectura como poder e interesse, sem compreender que a crise está a evidenciar a necessidade peremptória de equacionar outros esquemas e sistemas. Possivelmente, o que a arquitectura deve reconhecer é que o que tem de enfrentar não é tanto uma crise mas uma ruptura e que não há volta a dar. A experiência, num sentido mais profundo e não a experiência resultante deste período de crise, tem de servir para nos posicionarmos com realismo face a este novo cenário.
ARS e RB: Quais as principais mudanças que este cenário infringiu à arquitectura e à profissão de arquitecto?
FM: No meu entender este contexto produziu dois tipos de transformações: as autênticas e as simuladas.
As mudanças simuladas podem encontrar-se entre a grande e a pequena oligarquia arquitectónica. Entre estes grupos, a crise provocou um estado de desconcerto e de verdadeiro desespero que levou os “pequenos” a fugir, em busca de novos mercados e os segundos, a tentar mascarar o seu perfil para manter o seu poder, actuando como os grandes salvadores e os grandes expoentes. Os grandes oligarcas que criaram enclaves paradisíacos para conceber a desengonçada arquitectura do Capitalismo (China, Dubai, Russia) tentarão abrir agora novos mercados, como a América Latina ou enclaves em África. Os pequenos oligarcas, reféns do pânico, fugiram para o passado, provocando a emergência de um novo conservadorismo e purismo reaccionário que confunde e manipula a ideia da responsabilidade e da ética da arquitectura, transformando-o num conceito trendy e politicamente correcto.
As mudanças positivas e as autênticas não estão relacionadas directamente com a crise mas encontram-se na obra de arquitectos que há muito que vinham voltando as costas a esta tendência de arquitectura narcisista, de poder e espectáculo. Hoje, graças às mudanças de rumo, este tipo de arquitectura recebe finalmente a atenção e a difusão que os meios e os elementos do chamado “establishment arquitectónico” lhes haviam negado.
Trabalhadores asiáticos nos Emirados Árabes, cuja situação profissional e humana nessas circunstâncias é excessivamente controvertida
Cortesia de Klaus Toons www.klaustoon.wordpress.com
ARS e RB: Que soluções está a arquitectura a encontrar para lhe fazer frente?
FM: A minha sensação é ambivalente. Por um lado existe uma necessidade clara por parte dos muitos arquitectos (à escala intergeracional) de se tentarem adaptar a este novo contexto, evoluindo, integrando com coerência a realidade económica e necessidades com as possibilidades de optimização que as novas tecnologias permitem, optando por desenvolver os seus próprios interesses e inquietudes desde a investigação para abrir não só novas vias técnicas e construtivas como também para gerar, simultaneamente, uma distinta tomada de consciência da posição e capacidade de intervenção da sociedade no século XXI. Creio que é uma busca que surge como consequência de uma tomada de consciência da importância de afirmar e transformar o sentido de democracia e de sociedade.
Por outro lado, e como dizia anteriormente, creio que há arquitectos que permaneceram absortos numa pose obsoleta e num pavor paranóico de perda dos velhos cânones da arquitectura. Na Catalunha acaba de surgir a AxA Arquitectes per l’Arquitectura, uma associação que aglutina a velha guarda da arquitectura, perpetuando-se assim a ideia de proteccionismo e obstinação em seguir mantendo o autoritarismo e a aura poderosa do arquitecto. Subliminarmente, victimizam-se pela forma como a sua posição se vê ameaçada pelas circunstâncias da crise, tomando uma atitude de incompreendidos e inclusivamente de estigmatizados pela sociedade, incapazes de entender que é o arquitecto quem deve estar ao serviço da sociedade.
ARS e RB: Que novos caminhos poderão ser traçados graças a este contexto?
FM: Vislumbro dois eixos fundamentais: por um lado o carácter técnico. Que o arquitecto investigue sobre o que se pode chamar uma nova industrialização. Superado o “fordismo” da Revolução Industrial, hoje devemos encarar a industrialização em coerência com o potencial que oferece o mundo digital, uma indústria digital e flexível ao serviço da arquitectura.
Se nos anos 90 a revolução da tecnologia digital empreendeu a busca de complexas formalizações que fracassaram ao materializar-se (o último exemplo é o Metropol Parasol de Jurgen Mayer H. em Sevilha, uma forçada passagem do render digital à realidade construída que evidencia o desencontro total entre ambos). Afastarmo-nos deste caminho para buscar soluções realmente baseadas na eficiência e na sustentabilidade que permite a sólida investigação em tecnologia digital e na produção de materiais pode ser um importante caminho a seguir. Outro caminho é redireccionar o poder intelectual e criativo do arquitecto na construção social e cultural, além da construção de edifícios. Perceber como o conhecimento de arquitectura pode ser uma base sólida para a colaboração na articulação das estruturas sociais nas transformações exigidas pelo século XXI.
ARS e RB: Que mais-valias poderá deixar este contexto de crise como herança na arquitectura?
FM: Creio que fundamentalmente corroborar que a estrutura social e económica (a nível local e global) são totalmente insustentáveis e assim romper com a inércia passiva na que estamos mergulhados. Como dizia anteriormente, a crise de ideias precede a crise económica, mas a primeira não ficou exposta até que se notaram as questões económicas. A crise económica colocou a nu o que muito poucos se atreveram a ver por detrás do pano de fundo de entretenimento e overdose de arquitectura. Uma coisa me parece certa: que a crise fará com que se perceba se são necessárias muitas das estruturas que se construíram, e ainda mais importante, reconfigurar a ideia da importância do edifício, entender e descortinar se é ou não necessário um novo edifício. Esquecer a ideia do edifício como peça decorativa, alienada do contexto urbano, introduzir paulatinamente transformações nas concepções do que é o bem estar e funcionalidade do espaço e do edifício para nos centrarmos em outros aspectos, mais essenciais, sermos mais capazes de reconhecer o supérfluo e o incoerente e as necessidades e dinâmicas do que é o presente.
The Cloud, MVRDV
Bjarke Ingels, imagem de seu livro Yes is More (DAC, 2009)
ARS e RB: Acredita que será o fim ou a desvalorização da dita “arquitectura de autor” ou do “arquitecto-marca”?
FM: Não. Apesar de tudo, continuamos a viver na sociedade do espectáculo e do consumo. É evidente que até agora não houve qualquer movimento de autocrítica credível por parte dos protagonistas. Esse tipo de arquitectura continua a ser um bom negócio e seria necessário que a crise mundial se agravasse muitíssimo mais para que esta arquitectura colapsasse verdadeiramente. Eu constato que estamos a viver um momento de impasse, mas que sobressai a convicção de que a arquitectura-estrela regressará logo que passe este momento mais complicado. Não se compreende que esta é uma arquitectura para um mundo que não existe, obsoleto e insustentável. Na minha opinião, seria desejável que este conceito desaparecesse ou se transformasse, ainda que estou pessimista a esse respeito. De qualquer modo, será difícil prever o que acontecerá.
ARS e RB: Poderá o lado social do trabalho do arquitecto sair beneficiado?
FM: A arquitectura social passou para segundo plano nas últimas décadas, depois da massificação da arquitectura de marca. Deu-se inclusivamente o caso curioso de que, num dado momento, se ter tentado mediatizar uma suposta arquitectura social convocando arquitectos que nunca haviam demonstrado interesse pela arquitectura de baixo custo para que esta tivesse um certo prestigio, digno de interessar a publicações. O caso ocorreu na periferia de Madrid, onde se consumaram despropósitos como as vivendas em Carabanchel, do atelier FOA, ou as assinadas pelos Morphosis, que tentaram recorrer a uma fórmula que funcionava para outro tipo de arquitectura, preocupando-se mais com a imagem exterior e com o objecto do que em propor formas de habitar e de fomentar bons níveis de bem estar aos seus ocupantes. É um problema endémico desta sociedade de consumo, que transforma em produto tudo o que toca, mas na arquitectura social não é possível que funcione. Representativo também da duvidosa interpretação sobre o que de “social” foi feito neste contexto é a confusão entre a arquitectura social e a arquitectura de “esmola”. Exemplo desta trapaça é o fascínio da Europa pelo trabalho do atelier Elemental Chile, com as vivenda multiplicadas da Quinta Monroy, onde Alejandro Aravena, recorrendo a fórmulas que são aplicadas na América Latina desde os anos 50, utilizou a construção de vivendas miseráveis como elemento de projecção do seu perfil mediático e para se posicionar na elite da arquitectura, vendendo um conceito social, de arquitectura de austeridade que, basicamente, é falsa, um embuste. Acredito que o pós-crise deve potenciar uma reconciliação dos arquitectos com a sociedade através de uma arquitectura inteligente, democrática, baseada em novos conceitos de industrialização e numa abordagem complexa da ideia de sustentabilidade, que permita uma arquitectura que não seja entendida como um objecto de luxo mas sim que compreenda os fundamentos de qualidade, baseados na exequibilidade, acessibilidade e bem-estar.
ARS e RB: Concorda que durante anos o “Arquitecto como Arquitecto” se tornou irrelevante quando comparado com o “Arquitecto como Artista”, o “Arquitecto como Designer” ou o “Arquitecto como Entertainer”?
FM: Estou totalmente de acordo, mas esse não é um sintoma que afecte apenas a arquitectura mas também outras áreas da cultura. Os chef de cozinha, por exemplo, adoptaram um perfil semelhante. Ser, hoje, unicamente o arquitecto que pensa, que trabalha para que a sua arquitectura seja mais eficiente para melhorar e construir a cidade, parece algo demasiado aborrecido ou antiquado. Hoje, tudo tem de se converter numa espécie de performance do ego, do talento e da individualidade criativa e é evidente que a dedicação prioritária de muitos dos personagens que se apresentam presentemente como “arquitectos” é a criação da sua aura e do seu próprio mito e a arquitectura não é mais do que um pretexto para essa finalidade. Com isso, a arquitectura perdeu o seu fundamento de serviço ao indivíduo e à sociedade. Pode soar a exagero mas por vezes fica-se com a impressão de que demasiados atelier de arquitectura (e não apenas os das super-estrelas) cuidam mais da eficiência do funcionamento do seu próprio marketing que da reflexão e do desenvolvimento da sua arquitectura. E depois, os meios, a crítica e as instituições…acabaram por se converter a estas dinâmicas submetendo as suas acções em formas de marketing.
Nesse sentido, interessa-me o aparecimento e a ascensão meteórica da personagem Bjarke Ingels: uma personagem que, com escassa obra construída mas com um repertório de ideias supostamente audazes e visionárias, plasmadas em apelativos gráficos digitais, anda pelas bocas do Mundo, despertando uma espécie de irresistível fascínio a que sucumbiu o sistema arquitectónico e que muitos críticos não se atrevem a colocar em causa por medo de que sejam acusados de estar fora do tempo.
Quem já subscreveu a newsletter dos BIG já deve ter percebido que recebe com regularidade notícias de que o atelier recebeu um novo e importante concurso, com edifícios cada vez mais impossíveis. São newsletters cuidadosamente preparadas com a intenção de deslumbrar, de afirmar Ingels como o arquitecto mais importe e mais procurado do momento. Ingels é o mais popular desta nova geração de arquitectos que, num contexto de hipercapitalismo, optou por se tornar uma celebrity através da arquitectura, herdeiros das ambições dos starchitects e directamente associáveis a figuras como o Justin Bieber ou Lady Gaga: produtos prefabricados, de consumo rápido, que atingem o auge através da Internet, que fazem com que cada uma das suas aparições tenha um enorme impacto, numa sociedade que vive cada vez mais sobre o imediato e sobre o acrítico. Mas à margem das fobias arquitectónicas, para mim a questão mais perigosa é que apesar do optimismo complacente que envolve estas personagens, nestas correntes que ninguém questiona e esta pose de vanguardismo, sobressai uma perigosa subversão ideológica que lhes permite trabalhar tanto para ditadores ou democracias corruptas como para sustentar sem qualquer complexo o capitalismo mais extremo sem qualquer pudor ético.
Adolf Hitler e Albert Speer
HArquitectes, Casa em Sabadell (Barcelona), 2003-2005
ARS e RB: Poderá também dizer-se que a recessão veio salvar a arquitectura?
FM: Este é um tema importante que importa que seja analisado com atenção. Não creio que a recessão beneficie ninguém a não ser aos chamados “mercados”, os especuladores. O que sim, me parece certo, é que a recessão colocou um travão a uma situação insustentável, caracterizada pela irresponsabilidade social e pouco sustentada do modelo. Pensando positivamente, o que hoje é algo difícil de fazer, podemos aproveitar este tempo perdido para pensar em estratégias e mesmo que seja num prazo distante, começar a pensar num novo cenário pós-crise, que consistirá numa transformação radical de um modelo esgotado que na arquitectura nos levou a perder muitos dos logros ideológicos conseguidos durante o século XX. É um golpe forte que pode fazer com que, paulatinamente, as coisas melhorem. Mas isso depende da reacção a uma profunda autocrítica, de um reconhecimento da responsabilidade pessoal das causas desta crise. De outro modo não será possível uma transformação real e sólida.
ARS e RB: Barry Bergdoll, curador para a Arquitectura e Design do MoMa de Nova Iorque, revelou que na sua opinião “daqui a 100 anos as pessoas vão relacionar o fenómeno dos arquitectos estrela com os conflitos da economia global no final do século XX”. Concorda?
FM: Não vai ser necessário esperar 100 anos. É algo evidente com o qual concordo plenamente.
Como disse anteriormente, seria necessária uma profunda reflexão e colocar este fenómeno num plano mais amplo num período que não seria exagerado considerar-se de decadência. No entanto, parece que tudo o que foi escrito sobre o fenómeno dos arquitectos-estrela tem mais de caça às bruxas que de necessidade de empreender uma auto-crítica em que se reconhece como a sua influência moldou as ideias e expectativas de muitos arquitectos sobre a sua profissão. Às vezes, a reflexão sobre este fenómeno é mais parecida com uma leitura superficial - às vezes com a mesma superficialidade insultante dos tablóides (imprensa cor-de-rosa) - que não aprofunda sobre o verdadeiro significado deste processo. Não se trata unicamente de assumir os arquitectos-estrela como celebridades – primma donna ao serviço dos poderosos e recapitular as histórias de corrupção, mas sim de entender a chegada a este estado como a evidência de uma inversão de valores democráticos e éticos que deveriam ser intocáveis.
ARS e RB: Gonçalo Byrne referiu recentemente em entrevista a um jornal português que a arquitectura portuguesa, por ser discreta, pode beneficiar com a crise. Que lhe parece?
FM: Acho que este é um factor muito interessante da arquitectura portuguesa e pode ser um elemento que aporte referências quer a outros arquitectos quer à arquitectura. A discrição é, neste momento, uma qualidade particularmente positiva. No entanto- e separo totalmente esta observação de qualquer apreciação da arquitetura portuguesa- insisto que neste contexto em que estamos, precisamos que austeridade e discrição não se convertam em termos mal-interpretados que sirvam para camuflar e legitimar propostas arquitectónicas que continuam a apresentar o edifício como um elemento narcisista e um objecto. A discrição é um factor positivo sempre que não seja uma mera “discrição de ocasião”, surgida como um gesto estético de tendência. Trata-se de entender que a boa discrição é uma atitude que surge da combinação de um conjunto de qualidades: inteligência, sensatez, modéstia, respeito. Quem sabe se estas não são as condições de que o arquitecto necessita hoje em dia para entender verdadeiramente o novo valor da arquitectura.
Emiliano López e Mónica Rivera, 27 habitações de proteção oficial e aluguel para jovens em Sant Andreu (Barcelona), 2003-2007
Fredy Massad
Arquiteto argentino nascido em 1966.
Juntamente com Alicia Guerrero Yeste (historiadora de arte), fundaram em 1996 "¿btbW", focando seu trabalho na crítica e pesquisa sobre arquitetura contemporânea.
¿BtbW são correspondentes na Europa para a revista de arquitetura argentina Summa+ desde 1996. Eles são colaboradores regulares da mídia especializada em arquitetura e design publicada na Europa e na América (The Architectural Review, La Vanguardia, Arquitextos, Il Progetto, Experimenta, Arcade, IAZ, Transversal WAM ...).
¿BtbW ministram palestras sobre arquitetura e novas tecnologias nas universidades e simpósios na Europa, EUA e Argentina.
Eles são autores do livro Notas sobre ciudades (mutantes) (Ajuntament de Lleida, Lleida, 1998) e Enric Miralles:Archittetura del sentimento (Testo & Immagine, Turim, 2003) são editores do livro a+a arquitecturanimación (Actar, Barcelona, 2002)
Interessados no impacto das novas tecnologias na arquitetura, Fredy e Alicia têm realizado uma intensa actividade como curadores e conselheiros para eventos dedicados à análise crítica da mesma.
Eles escrevem regularmente em jornais espanhóis como ABC ou La Vanguardia, e todo o material é republicado em seu blog.
Ricardo Batista
Director do portal Construir.pt e director da revista Traço.
Ana Rita Sevilha
Arquitecta (2004) e trabalhou em escritórios de arquitetura, além de ter sido editora do Jornal Construir. É atualmente editora da revista Traço.
A revista Traço foi criada em abril de 2011 e deriva do jornal Construir.
maisLinks para outros artigos em que o autor dá exemplos do que considera o bom caminho traçado por jovens arquitetos contemporâneos.