entrevista ISSN 2175-6708
089.01 · ano 23, mar. 2022

sinopses

português
Antônio Agenor Barbosa entrevista Jô Vasconcellos, arquiteta responsável por projetos institucionais como o Museu da Cachaça e o Espaço de Conhecimento UFMG.

english
Antônio Agenor Barbosa interviews Jô Vasconcellos, architect responsible for institutional projects such as the Cachaça Museum and the UFMG Knowledge Space.

español
Antônio Agenor Barbosa entrevista a Jô Vasconcellos, arquitecta responsable de proyectos institucionales como el Museo de la Cachaça y el Espacio del Conocimiento de la UFMG.

como citar

Antônio Agenor Barbosa. “Entrevista com a arquiteta Jô Vasconcellos”. Vitruvius entrevista, ed. 23.089. 2022. Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/23.089/8424

Colégio Pré-Universitário de Brasília, Brasília DF
Colégio Pré-Universitário de Brasília, Brasília DF

Durante o início dos anos 1990 quando estava ainda na graduação em arquitetura e urbanismo na cidade do Rio de Janeiro, ao me interessar por estudar arquitetura brasileira, havia uma dupla de então jovens arquitetos que me atiçava fortemente a curiosidade, em razão de sua instigante produção em Minas Gerais. Tratava-se de Éolo Maia e Jô Vasconcellos que, desde aquele momento, começavam a despontar e aparecer no cenário nacional e internacional com seus projetos de arquitetura e com a qualificação de pós-modernos, dentro do que foi chamado por Hugo Segawa de Pós-mineiridade (1).

Na ocasião da minha formação tive a oportunidade ser aluno do professor de Teoria da Arquitetura Mauro Neves Nogueira (2) que, muito provavelmente, foi um dos primeiros a se debruçar na realização de uma crítica a respeito daquela produção que ainda incluía, em boa parte, a importante participação do arquiteto Sylvio de Podestá no grupo então chamado de “Os 3 Arquitetos”.

De alguma forma, os novos ventos vindos de Minas mudaram o roteiro pré-definido de discussões de estudantes e professores de arquitetura do eixo Rio-São Paulo, até então fechados em si mesmos, ainda acomodados nas categorizações já conhecidas da tradição modernista da Escola Carioca e/ou da Escola Paulista.

A pós-mineiridade despertava então amor e ódio, inclusive pelo inusitado e surpreendente que provocava nos arquitetos e críticos que não entendiam ainda as pontes e conexões que aquele grupo já estava fazendo com a recente produção internacional. Não há como não citar, portanto, a chegada ao cenário arquitetônico do icônico Rainha da Sucata, assinado por Maia e Podestá, e construído em 1990, na tradicional praça da Liberdade de Belo Horizonte, e do Edificio Office Center, popularmente conhecido como Marmitão, de autoria de Maia e Vasconcellos.

Falecido precocemente em 2002, Éolo Maia deixou a sua marca registrada não apenas na cidade de Belo Horizonte como em tantas outras partes do Brasil e, certamente, o registro importante de uma provocativa contribuição para aquele cenário da arquitetura brasileira, numa sociedade recém saída de 21 anos de uma ditadura civil-militar e à espera de novos ventos que lhe faria jus ao nome. Sua parceira profissional e de vida, com quem teve três filhas, a arquiteta Jô Vasconcellos, é a personagem que aqui apresento nesta longa e importante entrevista onde ela, a um só tempo, revê seus momentos de juventude e formação e as parcerias realizadas com Maia e outros, mas também se reposiciona e insere a sua produção autoral no que chamou de “quarto movimento” de sua carreira como arquiteta.

Mal podia imaginar aquele jovem estudante de arquitetura dos anos 1990, que algum tempo depois teria a oportunidade de construir um diálogo franco e simétrico com esta importante arquiteta brasileira que aqui nesta entrevista se mostra bastante consciente do percurso que trilhou, e do que conseguiu produzir tanto na parceria com Éolo Maia, como mais recentemente na sua careira solo.

Resta ao leitor agora apreciar esta entrevista e esta visita à obra e à vida de Jô Vasconcellos por ela mesma.

Edificio Le Corbusier, Belo Horizonte MG
Edificio Le Corbusier, Belo Horizonte MG

notas

1
SEGAWA, Hugo. Pós-mineiridade revisitada: Éolo Maia. MDC — Revista de Arquitetura e Urbanismo, Belo Horizonte / Brasília, 2007.

2
NOGUEIRA, Mauro Neves. A nova arquitetura de Minas Gerais. Anuário de Materiais e Serviços Projeto, São Paulo, fev. 1984, p. 25.