português O arquiteto paisagista José Tabacow conta sobre sua formação e as possibilidades abertas ao trabalhar com Burle Marx. Relata ainda sua atuação enquanto professor e as divisões equivocadas entre paisagismo e urbanismo, paisagem natural e urbana.
english Landscape architect José Tabacow tells about his training and the new possibilities when working with Burle Marx. He also reports his role as a teacher and the mistaken divisions between landscaping and urbanism, natural and urban landscape.
español El arquitecto paisajista José Tabacow cuenta sobre su formación y las posibilidades abiertas al trabajar con Burle Marx. Divulga sus actividades como maestro y divisiones equivocadas entre el paisajismo y el urbanismo, paisaje natural y urbano.
como citar
Luis Guilherme Aita Pippi.
“Relatos em arquitetura paisagística”.
Vitruvius entrevista, ed. 19.076. 2018.
Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/19.076/7177
O relato aqui apresentado é fruto de uma troca, bastante generosa, que nos foi oferecida por José Tabacow quando da sua vinda, no 2° semestre de 2015, a Santa Maria RS, para participar como palestrante da X Oficina Transdisciplinar do Curso de Arquitetura e Paisagismo da Universidade Federal de Santa Maria – CAU UFSM. A fim de falar sobre seu trabalho e contribuições inspiradoras decorrentes de experiências conceituais, metodológicas e projetuais, e em especial abordando o projeto para o Sapiens Parque em Florianópolis SC, a oportunidade pretendeu subsidiar as propostas de alunos para a seguinte temática: “Projeto de Paisagismo para o Parque Tecnológico”. Após sua palestra, parte da Comissão Organizadora da X Oficina Transdisciplinar teve o privilégio de percorrer junto com Tabacow a Quarta Colônia de Imigração Italiana, região formada por municípios de pequeno porte, como Silveira Martins e São João do Polêsine, próximos à Santa Maria. Tendo como cenário a igreja e os casarões italianos do distrito de Vale Vêneto, Tabacow em uma conversa informal, nos concedeu uma entrevista a qual abordou os seguintes assuntos: carreira profissional e pessoal ao longo de sua trajetória paisagística; experiência com Roberto Burle Marx; envolvimentos culturais nos anos 1960; suas obras paisagísticas; os cursos de Arquitetura e Urbanismo e a abordagem disciplinar do paisagismo; sua visão para com o paisagismo brasileiro no passado, na atualidade e os desafios contemporâneos futuros desta profissão.
notaNE – Esta entrevista foi publicada de forma parcial no Youtube com o título: “Entrevista com José Tacabow – Parte 1” <https://www.youtube.com/watch?v=FbScbcXyxQM&t=32s> e “Entrevista com José Tacabow – Parte 2” <https://www.youtube.com/watch?v=JDQKvj72xM0>.
Ana Paula Nogueira: Você poderia nos contar como foi sua experiência para com a escolha do paisagismo?
José Tabacow: É uma história um pouco longa, mas eu vou tentar abreviar. Eu entrei no curso de arquitetura no ano do golpe militar. Um mês depois de eu estar na faculdade aconteceu o golpe e as instituições foram todas, praticamente, destruídas de um dia para o outro. Nada mais funcionou, até porque o país ficou em estado de sítio, com leis de exceção, com perseguição política. O presidente deposto, Jango, um pouco antes de fugir, tinha feito um decreto duplicando o número de vagas em todas as universidades federais. Na arquitetura também duplicou. Havia cento e cinquenta vagas, entraram trezentos e depois os outros cento e cinquenta candidatos que não tinham entrado, entraram por mandado de segurança. Então ficaram quatrocentos e cinquenta alunos na minha turma. A gente tinha aula em duas salas gigantescas, que os alunos batizaram de Maracanã. Os professores se esgoelavam, acabavam a aula afônicos de tanto que tinham que gritar e nada funcionava direito, não havia material disponível pra todo mundo e os alunos começaram a perceber que o curso ia ser difícil pra gente nesse sentido. A solução que nós encontramos na época foi a de procurar alternativas de trabalho, de trabalhar em escritórios. Desde o primeiro ano todo mundo trabalhava em escritório de arquitetura, para um melhor aprendizado. Então eu e o Haruyoshi Ono estávamos voltando da faculdade e tinha uma placa no Aterro do Flamengo, do escritório Burle Marx. Eu estava dirigindo e falei pra ele “Anota aí, vamos lá pedir para fazer um estágio lá”. Ele anotou o telefone, o endereço, nós fomos lá e batemos na porta. Pedimos ao Burle Marx pra fazer um estágio e, pra nossa surpresa, fomos aceitos. Eu não esperava, na verdade eu não esperava ser aceito, mas fomos. As circunstâncias eram favoráveis, o Burle Marx tinha, um pouco antes, brigado com todos os sócios que ele tinha na época e estava sozinho, não tinha nem material de desenho mais no escritório. Tanto foi assim que os primeiros trabalhos nós fizemos usando os nossos próprios materiais. A gente começou assim. Se tem algum mérito no que nós fizemos, foi de ter ficado lá, porque ficamos um ano sem fazer praticamente nada, não tinha trabalho, não tinha nada, nós ficamos no escritório, íamos lá todos os dias. Então inventamos de arrumar o escritório, porque os projetos eram totalmente desarrumados. Sabe, às vezes o Roberto pedia um projeto pra gente olhar e a gente tinha que abrir todos! Eram rolos e mais rolos, tinha uns tubos de cartão vermelho, sem etiqueta, sem nada e tínhamos que abrir e olhar: não, não é esse, não é esse... tinha que abrir tudo (risos). Nós ocupamos nosso tempo e fizemos uma superorganização, desenhamos um movelzinho que depois foi apelidado de órgão porque os tubos ficavam em pé e a gente fez uma escadinha pra todas as etiquetas serem visíveis, então aquilo virou um órgão, percorria as paredes do escritório assim, de um lado do outro, sabe. Aí acabou aquilo e agora, o que a gente faz? E nada de trabalho né. Enquanto isso passava muita gente, passaram colegas de faculdade que já estavam no quarto ano, quase saindo, quinto ano, mas não se animaram a ficar porque não acontecia nada. O Roberto foi muito amigo de um botânico de Minas chamado Mello Barreto, ele não era de Minas, era do Rio, mas morava em Minas. E o Mello Barreto fez pro Roberto um arquivo de plantas, vegetação, mas tudo manuscrito. Então nós batemos a máquina todas as fichas, todas as plantas, fizemos um fichário para o escritório e um pra cada um de nós, mas paisagismo mesmo, nada. Depois, um ano, mais ou menos, começou a aparecer trabalhos, projetos, e a gente foi gostando mais. Fomos, e ficamos. Eu fiquei dezessete anos, depois resolvi sair pra trabalhar sozinho. O Haru continuou até sua morte, em janeiro de 2017. Ele havia herdado o escritório do Burle Marx e continuou trabalhando e produzindo projetos.
Ana Paula Nogueira: Você poderia comentar quais e como foram as influências da sua carreira?
José Tabacow: Olha, eu fui produto do modernismo. Gostava muito e fiquei influenciado pelo funcionalismo. Agora, assim, de influências, como eu trabalhei com paisagismo, a gente trabalhava complementarmente aos arquitetos, eu tive a sorte de ter contato com todos os nomes da arquitetura conhecidos no Rio, São Paulo, em Minas Gerais e no Nordeste. Sabe, eu gostava muito do trabalho do Ruy Ohtake na época, do Paulo Mendes da Rocha de São Paulo, do Paulo Casé antes da fase Pós-Modernista dele, do Severiano Porto e do Acácio Gil Borsoi que era carioca radicado em Pernambuco, importante como arquiteto modernista lá no Nordeste, o Hans Broos, eu fui tendo contato assim com eles. E eram contatos muito profundos, porque eles eram amigos do Roberto, eram admiradores do Roberto e nas festas que o Roberto dava nos finais de semana, esse pessoal estava sempre por lá, eles iam se alternando.
Ana Paula Nogueira: Você poderia comentar como se deram os envolvimentos culturais nos anos 60?
José Tabacow: Se pegar a produção da música popular brasileira, por exemplo, no momento em que apareceram Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque de Holanda, Geraldo Vandré, Paulinho da Viola, Edu Lobo, sabe... depois mais tarde, outra leva dos nordestinos. Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Elba Ramalho – esse pessoal aí é dessa época. Era uma época de intensa atividade cultural no Rio de Janeiro. Um pouquinho depois do golpe, o governador do Rio, do Estado da Guanabara que já não existe mais, era o Carlos Lacerda. E 1965 foi o quarto centenário do Rio do Janeiro, então nós tivemos um ano de intensidade muito grande de acontecimentos culturais. Eu vi de regentes de vários países Rio. Veio toda a Orquestra da Filadélfia com Eugene Ormandy que era um grande nome da época em regência sabe, em gravação de música clássica. Foi a primeira audição americana da Carmina Burana que estreou no Rio de Janeiro no centenário. Então era uma época de teatro, de música e tinha show de música popular pipocando por tudo que é lado. A gente, lá no escritório, tinha um grupo de umas dez pessoas que íamos a shows duas a três vezes por semana... Candeia, Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros, ou então os novos, Chico Buarque, MPB-4. Foi muito vívida esta época.
Luis Guilherme Aita Pippi: Quais as memórias e vivências com o Roberto Burle Marx que mais ficaram desse período, em especial em suas viagens?
José Tabacow: Olha, pra mim, o mais marcante, certamente foram as excursões de coleta que a gente fazia. Não é a toa que eu fui chamado pela televisão pra fazer esse programa porque, primeiro eu sempre fui viajante explorador, eu sempre gostei de explorar. Quando ia pra faculdade com um fusquinha, a faculdade no Rio... e eu fazia caminhos diferentes mas não podia perguntar nada pra ninguém, tinha que voltar pra casa sem perguntar nada, a gente se perdia intencionalmente lá pela zona oeste do Rio de Janeiro e se re-encontrava nos lugares mais surpreendentes. Eu sempre tive isso... quando eu cheguei no escritório, foi em agosto de 1965, em setembro Burle Marx saiu pra uma excursão e foi uma excursão fatídica porque ele convidou o Rino Levi, que era amigo dele e o Rino morreu na excursão, teve um infarto. As condições foram dramáticas porque na hora em que ele se sentiu mal estava sozinho, então o corpo ficou desaparecido um dia e meio, quase dois dias. Tinha morrido e Burle Marx quase foi acusado de assassinato pela polícia local, que fez investigações. Foi dramático e ficou algum tempo sem o Roberto fazer viagens.
Quando passou o trauma, na primeira viagem que houve, o Roberto já convidou a gente pra participar, o Haru e eu. E nós fomos, foi uma viagem em Rio dos Macacos lá na região de Brasília, em Goiás, e aí eu me apaixonei por aquele tipo de viagem. Eu fiquei assim, doido para viajar mais, para fazer aquelas coisas, porque era muito enriquecedor, aprendíamos muito sobre botânica, ecologia e paisagem. Quando eu já estava há bastante tempo, já estava administrando o escritório, esse tipo de coisa, eu passei a ser mais ou menos organizador de viagens de longo curso que era o que o Roberto não fazia antes. Ele ficava entre Rio, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Goiás, no máximo, sabe. Essa de Brasília foi porque ele ia a Brasília de avião, nós fomos de carro e encontramos com ele lá, uma coisa rápida de três dias. É...
Então eu comecei a participar das viagens e a inventar viagens maiores. Eu queria ir muito ao Pantanal e o Roberto tinha medo do tempo e do custo, porque ele tinha uma despesa muito grande, pagava um caminhão, o motorista do caminhão, os empregados que iam pra ajudar na coleta, pra acomodar as plantas, esse tipo de coisa, então não saia barato, ele pagava o hotel pra esse pessoal todo e, o resto do pessoal, os que queriam ir do escritório, pagavam as suas despesas. Então ele tinha receio, mas eu insisti muito com o Pantanal, até que ele cedeu. Foi engraçado, porque ele disse “Tá bom, eu vou. Mas você é o responsável”. Respondi “Tá bom, eu sou” e até hoje eu não sei qual era a minha responsabilidade na história, mas eu fui o responsável, sabe. Eu não sei se era pelo itinerário ou se era se acontecesse alguma coisa eu ia ter que responder... não sei até hoje, mas eu aceitei. E foi uma viagem fantástica, muito boa. Fomos pelo sul, pela parte sul do Pantanal, por Miranda e depois até Corumbá, de onde avançamos um pouquinho pra entrar na Bolívia, em Puerto Suárez.
A partir de então eu inventei a nossa grande viagem à Amazônia que só aconteceu em 1983. Eu já tinha saído do escritório, mas a viagem foi fruto do meu trabalho, eu que corri atrás, eu que pedi financiamento, essas coisas todas, eu já estava perseguindo isso, sei lá, durante uns 8 ou 10 anos, até que saiu o financiamento e a gente fez a essa grande viagem lá pra a Amazônia. Bom, esses foram os momentos assim que eu gostava mais, embora não tenha muito a ver com paisagismo, a não ser pelas plantas que a gente coletava, pelo meu aprendizado do ambiente brasileiro sabe, hoje eu me orgulho de conhecer praticamente, não todo o Brasil, eu não sou louco de dizer isso, mas de conhecer um pouquinho de amostras de cada ecossistema que tem nesse país que é tão rico. Inclusive, daquele grupo lá, o único que continuou fazendo viagens de uma certa forma, prolongando aquelas viagens, fui eu.
Hoje em dia a gente não pode coletar mais pela legislação, mas eu coleto imagens, fotografias. Então eu continuo viajando pelo interior do Brasil e adoro. Adoro viajar, adoro ver e ter esses momentos inspiradores. Esses programas de televisão que nós fizemos foram muito gratificantes pra mim fazer, foi uma revisita a muitos lugares. Eu pude rever que antes eram absolutamente selvagens com cidades novas na Amazônia. Na primeira viagem, nós havíamos parado num lugar pra tomar banho de rio, no Igarapé das Pedras que fica a uns 150 km ao norte de Manaus. Em 1983 era floresta e água. Hoje em dia tem uma cidade ali, Presidente Kennedy, com pousadas para todos os lados, porque é um lugar muito bonito, muito bom pra banho, essas coisas... tem pousada pra tudo que é lado, asfalto, coisas impensáveis na época.
No Mato Grosso, quando eu fui com a equipe da TV, procuramos a cidade de Campão mas, aparentemente ela já não existia. Eu pensava que estava louco. Eu dizia: é Campão o nome da cidade. Olhava nos mapas não achava, perguntava lá, ninguém sabia. Mas eu tinha este nome na memória. Eu lembrava de Campão por causa de um concerto de sapos, tinha um brejo perto da cidade e dele vinha aquele som fervilhando à noite. Nós fomos pra lá pra ouvir e acho que nós ficamos umas três horas em silêncio sentados na beira do brejo e aquele barulho “uelueluel...” os grilos e as pererecas, sapos, aves noturnas... Foi muito bonito! Mas eu não encontrava a cidade, até que eu vi um senhor mais velho e perguntei: estou procurando uma cidade... Campão, não existe Campão? Aí ele riu e disse: hoje em dia a cidade se chama Bodoquena, era Campão há muitos anos atrás, já mudou o nome. Tudo tinha mudado e estava irreconhecível, não existia mais o brejo, aterraram tudo, fizeram construções, casas, edifícios, hotéis. Foi uma mudança muito forte.
O próprio Pantanal quando a gente foi, isso foi no ano de 1978, via-se animais – jacarés, porco-espinho, pacas, todos na beira da estrada, era uma estrada de terra de Miranda para Corumbá. Hoje em dia é asfalto, você não vê um bicho, não vê água mais, não vê planta, brejo... não tem mais, aterraram tudo ao longo da estrada, acabou-se. Pra ver alguma coisa de original do Pantanal você tem que buscar um daqueles resorts que tem Jeep tracionado que te apanha no aeroporto em Campo Grande e só eles conseguem chegar, assim bem difícil. É a única forma de você ver amostras do Pantanal como era o original.
Letícia de Castro Gabriel: Você poderia nos contar das suas obras e experiências projetuais paisagísticas mais marcantes?
José Tabacow: Não, na verdade eu não tenho nenhuma obra minha que tenha sido feita como eu projetei, né e eu acho que o próprio Burle Marx também não tem. Alguma coisa sempre vai mudando e, ao longo do tempo também muda, enfim... Eu gosto muito de um período que eu trabalhei em Salvador, na Bahia, sabe, eu tinha feito um parque em Salvador com o arquiteto e urbanista Manoel Lorenzo. Era amigo de um amigo meu, me apresentaram ele e ele me chamou pra trabalharmos juntos. Nós entramos na licitação da Companhia de Desenvolvimento Urbano do estado – Conder, e ganhamos a licitação. Então começamos a fazer esse parque. É um parque pequeno de 77 mil m² na orla de Salvador né e chama-se Parque Costa Azul. Foi muito interessante o trabalho. O projeto foi desvirtuado em muitos pontos, mas as linhas gerais da composição estão lá ainda. Considero que o resultado foi bem bom em função das dificuldades no local, as próprias dificuldades com a equipe, com o governo baiano, intervenções do secretário que ia lá e mudava as coisas arbitrariamente e a dificuldade do local, que é o segundo maior em salinidade do Brasil. Eu saía da obra com uma casquinha de sal na lente dos óculos!
É difícil escolher plantas para essas condições. Então fizemos a proposta de um viveiro pra aclimatação das plantas. Esse viveiro ficou pronto muito tarde, não deu tempo de produzir a vegetação que eu tinha especificado e eles plantaram tudo com coqueiros que é a garantia que vai dar certo na beira-mar. O projeto sofreu muito, mas as estruturas, o desenho, ficaram. Tem aquela pista, aproveitando a berma do talude, uma ciclovia que integra com a que tem na orla marítima através de uma passarela e depois uma ponte que liga também para o bairro vizinho que é a Pituba. Depois disso, coincidentemente, o arquiteto foi nomeado foi nomeado secretário de obras e me chamou para ajudá-lo na prefeitura. Trabalhei em muita coisa por lá, o Parque da Cidade, a Praça da Sé, a Via Paralela, a arborização de várias avenidas de Salvador. Foi um período bom de trabalho, bem ativo, eu ia para a Bahia a cada mês e meio, mais ou menos, entre 1994 até 2002, por aí, foi quando mudou a prefeitura.
Outra coisa que eu tenho boa lembrança é o projeto de um parque que eu fiz recentemente pra Tractebel lá em Capivari de Baixo, no sul de Santa Catarina. É um parque grande, 600 mil m² que está sobre lagoa de decantação e é uma espécie de compensação ambiental que a empresa faz porque a cidade de Capivari sofre com a fuligem que sai da usina termoelétrica, é a geração de energia a partir de carvão, então ela deixa dois subprodutos industriais: um é essa fuligem que sai pela chaminé e cobre toda a cidade, e o outro é o chamado carvão pesado, que é retirado por água de dentro da indústria e vai para as lagoas de decantação. Então, esse parque eu fiz sobre quatro lagoas de decantação dessas já saturadas. Ele tem tido um uso muito intenso. Também tem problemas de execução mas ainda dá pra salvar, tem uma grande área reflorestada com espécies autóctones. São cerca de 300 mil árvores que ali foram plantadas. Esse parque é mais recente, é de 2006, 2007, por aí.
Agora no escritório, tem alguns projetos que eu fiz que também me são caros, por exemplo, a Praça Peru em Buenos Aires, era uma pracinha que praticamente foi feita num trabalho do escritório que teve participação de todo mundo, de estagiários, até da moça que limpava as salas. Ela dava palpite também (risos). O Roberto fazia os traços iniciais do projeto, depois o Haru e eu desenvolvíamos e ele supervisionava e dizia se estava bom, queria mudar e tal e quando ele liberava, a gente passava pra o pessoal de desenho. Nós fizemos uma espécie de revolução lá no escritório, porque o Roberto nunca queria saber muito da organização. Essas coisas não eram com ele e, pouco a pouco, foi deixando em nossas mãos. Primeiro, acabamos com a figura de desenhista profissional, os desenhistas eram todos estudantes. Quem queria fazer um estágio, quando tinha vaga, fazia. Tinha eventualmente, de outras áreas, mas a maior parte era de Arquitetura, cerca de 80%. Mas tinha de Belas Artes, tinha de Biologia, de Agronomia. Na época os desenhos eram a nanquim. Quem entrasse aprendia a desenhar a nanquim com a gente. Todo mundo desenhava muito bem no escritório, desenho técnico, de projeto, porque era uma coisa que, quando a pessoa aprendia, ela passava a ser remunerada por produção. Então por isso que a gente podia viajar sabe, porque eu dizia aos estudantes desenhistas: nós vamos viajar sexta-feira, se você acabar antes você pode vir com a gente (risos).
Outra grande mudança foi a forma de remuneração. Eu também ficava muito irritado com o sistema de pagar por hora, porque tem umas coisas que são terríveis, por exemplo, você ficar controlando se o desenhista chegou na hora marcada, se ficou meia hora tomando cafezinho. Então, eu atribuí a responsabilidade, eu digo eu, porque com o tempo, o Haru ficou muito mais vinculado a desenvolvimento de projeto e eu fiquei fazendo a parte administrativa. Aliás, foi por isso que eu quis sair do escritório em 1982, porque eu tinha me tornado um administrador, não saía do avião, viajava para tudo que era lado e prancheta mesmo, tinha cada vez menos oportunidades.
Voltando ao assunto, nós acabamos com o desenho por hora. Passou a ser por tarefa. Então, no verão o pessoal começava a chegar no escritório às duas da tarde, todos iam para a praia, depois ficavam trabalhando até as duas, três da manhã, eles podiam ficar até a hora que quisessem. Nós deixávamos a sala de desenho e o portão abertos, o resto era trancado porque ali também era a casa do Roberto. E eles ficavam lá na sala de desenho, tinha banheiro, uma pequena copa, tinha tudo de que podiam precisar. Na hora que queriam, iam embora e eu nem estava controlando, só controlava a entrega e a qualidade do serviço. Então eles podiam, inclusive, participar das viagens, que para um estudante era uma experiência fantástica. Roberto convidava os grandes botânicos do país. Eram de primeiro time: Graziela Barroso – eu dizia que Graziela Barroso era argumento de congresso: “a Graziela disse” pronto, ninguém discutia mais nada. Luis Emygdio, que era do Museu Nacional do Rio de Janeiro, uma humildade, uma pessoa fantástica, então a gente aprendia muito em viagem.
Voltando àquela questão do dia-a-dia no escritório, às vezes o Roberto começava a falar sobre o que ele estava fazendo e porquê, e então, pouco a pouco, todo mundo que estava naquelas pranchetas, era um salão enorme, tinham dez pranchetas que eram “portas” de 1mx2,10m na horizontal, porque os desenhos de paisagismo são desenhos grandes, mapas grandes, então, o pessoal vinha e começava a se juntar em volta da mesa. Virava uma aula. Esses momentos eram preciosos porque o Roberto estava descontraído e ele falava muito bem nessas horas sabe. Ele nunca fez uma palestra falando, fazia lendo, porque tinha medo, ficava nervoso. Você chegou a assistir alguma? Quando acabava de ler, começavam as perguntas. Então ele já se descontraía um pouco para responder, começava a falar mais descontraído e todo mundo já gostava mais.
Muitas vezes pessoas vieram falar comigo, “Por que o Burle Marx fica lendo? Ele falando é tão mais legal” e eu disse ó “Não tem jeito, ele não quer abrir mão disso”, mas na prancheta dele, ali ele falava muito bem e muito claro o que ele estava pensando e eram aulas, como se fossem palestras de bolso sabe, assim, rapidamente, meia hora, vinte minutos, mas eram de grande conhecimento, de grande aprendizado para nós. E depois criamos a figura, nos mais desenvolvidos, que já estavam por se formar, de chefe do projeto. Ele era um intermediário entre a gente e os desenhistas, tinha mais de experiência, ganhava um pouquinho melhor e viajava, ia pras obras, ia pra ver se a implantação estava correta, dava assistência ao cliente. Isso também deu uma vida muito grande ao escritório, que era também um ambiente de aprendizado muito grande.
Letícia de Castro Gabriel: Em comparação com toda ambiência vivenciada desta época, como os atuais Cursos de Arquitetura e Urbanismo tem trabalhado com arquitetura da paisagem? Como o senhor vê a existência das duas associações de profissionais que atuam no paisagismo, a de arquitetos paisagistas e a de não-arquitetos?
José Tabacow: Não vejo muita diferença. As disciplinas vinculadas a paisagismo tem sido muito modificadas. Hoje em dia, a carga teórica pesa muito, em detrimento da prática do projeto. Já teve um urbanista, numa equipe de trabalho de um projeto lá de Florianópolis, que me propôs: “Olha, você fica com a paisagem natural que eu fico com a paisagem urbana”. Eu não sei o que é isso, sabe, eu não sei essa diferença e como ela pode interessar... e eu disse “Não vou trabalhar assim, porque eu não sei bem como é isso, paisagem pra mim é paisagem e se ela é classificada de um jeito ou de outro, não importa muito. É apenas um rótulo. Um milharal, por exemplo, não se enquadra em nenhuma dessas categorias (risos). Então não é paisagem! Certa vez convidei uma urbanista da universidade pra ir comigo, e com os alunos a Curitiba. A gente visitou dez ou onze parques e, na hora da despedida ela disse assim “Ah, foi muito bom ter visto a visão de um paisagista”! Os parques, pra mim, são puro paisagismo.
Na época do escritório, quem quizesse fazer um projeto de parque, chamava um paisagista, não chamava urbanista não. Não sou absolutamente corporativo, pelo contrário, eu acho que paisagismo é uma coisa de atriubuição ainda indefinida, não tem nenhum curso superior que tenha se consolidado, então pra mim, agrônomo pode fazer paisagismo tanto quanto arquiteto. Eu acho que pra resolver essa questão haveria que propor um curso superior de paisagismo como já houve uma proposta do Aziz Ab'Saber, da USP com o Fernando Chacel que era um dos grandes paisagistas aqui do Brasil e o Luiz Emygdio, que era botânico com grande experiência em paisagismo. Eles fizeram toda uma proposta com a estrutura do curso, as disciplinas, as cargas, tudo estudado, discutido e seria fantástico implantar um curso de paisagismo nesses moldes né.
Mas fora disso tem curso de arquitetura que não tem disciplina de paisagismo, outros cursos como era na Unisul quando entrei, que tinha apenas uma disciplina de dois créditos na quarta fase, quer dizer, os alunos ainda crus, não há tempo e não pode fazer milagre. Eu e outros professores lutamos muito pra aumentar a carga e passar o paisagismo para uma fase mais avançada, um período em que os alunos já teriam maior experiência. Quando conseguimos uma disciplina de oito créditos a ideia era trabalhar parque urbano. Então mudaram o nome da disciplina pra Projeto Urbano da Paisagem, ou algo assim, incluíram conteúdo urbanístico. Eu passei a dar aulas junto com um urbanista, que ficou com a parte mais ou menos urbana e eu fiquei com a parte mais ou menos do paisagismo, porque as duas coisas obviamente têm superposições.
Luis Guilherme Aita Pippi:Como você vê o paisagismo brasileiro contemporâneo?
José Tabacow: Tem um fato altamente positivo que é como uma evolução em que o paisagismo deixou de ser uma imitação do que o Burle Marx fazia. Logo depois que ele morreu e durante algum tempo, mas as pessoas têm se libertado disso, e eu vejo propostas bastante interessantes nesse sentido. Eu sempre digo que influência não é vergonha, agora imitação sim pode ser vergonha, se a pessoa está imitando só a questão de desenhar, está imitando um estilo ou uma coisa assim, aí não tem muito valor, mas eu tenho identificado essa independência, que eu acho muito boa.
Tenho visto também, principalmente em ambiente acadêmico, um pouco de exagero na conceituação e na discussão das coisas em detrimento de uma prática maior, sabe. No meu curso é assim, porque eu acho que falta a ponte, a ligação entre a conceituação e o desenho. E como eu fui profissional de escritório, sei que o cliente não quer saber de conceito não, o cliente quer projeto, desenhos, ideias. Às vezes o Burle Marx dizia “Vamos fazer um parque em Uberlândia”! Ótimo! A gente sentava, discutia um pouco, visitava Uberlândia, olhava as coisas da cidade e desenho, desenho em cima!. Então fico até um pouco angustiado, ansioso, quando eu entro nessa conversa de conceito, conceito, conceito, mas sem produzir. E o conceito não aparece, é difícil aparecer inclusive, sabe por quê? Porque eu não estou dizendo pra não conceituar nada, não, eu acho que a gente precisa de um esforço, de alguma base teórica, é claro que você precisa ter, mas tem que saber que o dia-a-dia do mercado, do escritório, não dá chance de ser fiel a tudo que você falou, por isso que não dá tudo certo sabe.
Eu tenho um método de tentar analisar o projeto pra saber como que eu vou trabalhar nele, isso é uma coisa pra mim, sagrada sabe, eu chamo projeto do projeto, como que eu vou trabalhar nesse projeto? É diferente para cada um, claro, mas é porque os problemas são diferentes. Mas isso a gente não aprendia na escola, ninguém ensinou pra ninguém isso na escola na época que eu fiz. Hoje em dia na escola onde eu lecionei também não se ensina, que eu saiba não se ensina e eu vejo que os alunos ficam receosos de traçar sabe, a gente pergunta muito, pode falar na frente de um aluno? Ela depois vai deixar tudo isso lá pra... (risos). A gente fica criando muito engessamento, muita regra, muita norma, tem o sol, tem não sei o que, a funcionalidade... os meus alunos de Paisagismo têm uma mania de exagero funcionalista que eu sei que não precisa. O parquinho se está aqui, ou o outro que está lá, não tem diferença nenhuma em termos funcionais. A criança quando está indo para o parquinho... a ida já é uma brincadeira pra ela, sabe, então se ela vai daqui para lá não faz diferença.
Tem uma coisa que é recorrente, muitos alunos fazem e eu ridicularizo, brincando, (eu sou muito amigo deles, nunca ofendi ninguém, nunca, nunca ninguém se sentiu ofendido). Mas o aluno fala assim “Ah eu botei essa academia ao ar livre, eu botei ela perto do parquinho porque aí o pai tá fazendo ginástica, mas está olhando pro filho. Olha que loucura, qual é a pessoa que está fazendo ginástica, vai estar olhando pro filho? E se acontecer alguma coisa com o filho? Então eu digo “Olha, gente, na queda mais grave que a minha filha teve, eu estava a dois metros dela lendo um jornal, sentado no banco, ela estava num trepa-trepa. Ela caiu lá de cima de cabeça “Buum” no chão, de 3 metros de altura, foi sangue pra tudo que é lado, foi uma coisa terrível, mas que não teve consequência nenhuma, graças a Deus, mas eu estava a 2 metros dela. Então você acha que um cara que está lá fazendo ginástica, na hora que o filho vai ter algum problema, ele vai sair, largar o aparelho e sair correndo lá e aparar heroicamente o filho antes de ele chegar ao solo? Não existe isso, talvez eu tenha sido o chato de lá sabe, porque nas reuniões de colegiado, nas discussões eu, eu ficava insistindo muito, ah tinha muita gente que nem queria estar na reunião, queria ir embora pra casa né (risos) e eu ficava nessas coisas, mas acho que os cursos, embotam um pouco a criatividade dos alunos sabe, com essas coisas todas. Claro, também não é pra deixar totalmente solto, porque tem que ter um norte, tem que ter uma referência, algo em que se pegar, mas as coisas tem um limite. Por outro lado, e eu sempre digo isso aos alunos, a facilidade que você tem pra começar um trabalho não tem nada a ver com a qualidade dele, mas tem gente que tem facilidade de começar. Tem outros que ficam penando, penando pra começar, mas isso não tem nada a ver com o resultado final, qualquer um dos dois pode ser bom ou não.
Lembro sempre o exemplo de Beethoven, que tinha uma angústia pra criar assim, você lê os escritos de Beethoven, era e descobre que, em determinados períodos, era um sofrimento atroz pra ele criar. No entanto, ele erigiu monumentos de música que dificilmente serão superados. Outros compositores, parece que o Jobim, não sei bem, mas parece que o Jobim, sentava ao piano e dizia “Vou fazer uma música” e fazia uma música. Era bom também, mas tinha facilidade, não tinha as mesmas barreiras criativas que Beethoven.
Luis Guilherme Aita Pippi:Qual a oferta e demanda contemporânea nacional e internacional de trabalho com arquitetura paisagística?
José Tabacow: Fica difícil responder a tal pergunta, em razão de haver, atualmente, muitas superposições entre o trabalho do paisagista e o do urbanista. Quando comecei, em 1965, a divisão entre estes dois profissionais era muito nítida e, em várias oportunidades, trabalhamos em conjunto com urbanistas como Ary Garcia Roza, Maria Elisa Costa, Wit Olaf Prochnik, Marcelo Fragelli e diversos outros. Lembro o projeto Rio Cidade, na década de 1990, quando vários paisagistas integraram as equipes de urbanistas, e em que houve muito desentendimento, inclusive alguns que foram parar na justiça, de qual o papel de cada um. Muitos urbanistas convocaram paisagistas para integrar a equipe, reservando-lhes um papel de meros especificadores de vegetação. Esta situação, de uma forma ou de outra, permanece até hoje. Assim sendo, a demanda vem caindo, quando comparada com a das últimas décadas do século passado.
LGAP: Para você, quais os maiores desafios do paisagismo na contemporaneidade?
JT: Acho que os vinculados com as questões ambientais, de forma geral. A formação de paisagistas, pelo menos no Brasil, não inclui formação e aprimoramento profissionais para o enfrentamento dos problemas de conservação. Eu tenho falado sistematicamente aos meus alunos sobre a importância de se preparar para este desafio que, adicionalmente, constitui um mercado de trabalho com alto potencial, porém meio que ignorado pelos paisagistas que, cada vez mais, restringem-se às limitadas possibilidades de agenciamento dos espaços livres urbanos, ações que pressupõem contatos e contratos com o poder público. Este, através de licitações por menor preço, despreza a experiência como diferencial e fator positivo, igualando as propostas por baixo, aceitando profissionais minimamente capacitados, e procurados pelas empresas "profissionais" de licitação, pelo baixo custo. Em toda minha vida profissional, participei de apenas uma licitação em que a experiência individual valia pontos (a do Parque Costa Azul, na Bahia). As demais não fazem qualquer distinção entre um profissional experiente com as questões envolvidas e outro, despreparado para desempenhar um papel que exige tomada de decisões e capacitação inquestionáveis.
LGAP:Como vê o futuro trabalho com arquitetura paisagística no pais?
JT: Se não houver mudanças drásticas nas questões como as colocadas na pergunta anterior, vejo o futuro de uma forma sombria. A qualidade dos trabalhos tende a diminuir, em função da formação nem sempre cuidadosa dos profissionais da área. Este fato é agravado pela ausência de um curso superior de paisagismo em nível de graduação, com a única exceção no curso da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro que, até hoje, parece não ter se firmado em sua posição pioneira e solitária.
Ficha Técnica
José Tabacow
Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1968), Especialização em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Federal do Espírito Santo (1991) e doutorado em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2002). Ex-professor das disciplinas de Paisagismo do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Sul – UNISUL, Florianópolis e Tubarão, entre 2000 e 2012. Professor na disciplina de paisagismo Comercial na pós-graduação em Arquitetura Comercial da Universidade Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó. Atualmente leciona no Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Católica de Santa Catarina – CatólicaSC, em Joinville, Brasil. Vínculo: Celetista, Enquadramento Funcional: Professor, Carga horária: 21 horas. Disciplinas: Paisagismo I, Paisagismo III e Paisagismo Residencial (optativa). É sócio-gerente de José Tabacow Arquitetura da Paisagem e Consultoria Ambiental Ltda; Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Projetos de Espaços Livres Urbanos, atuando principalmente nos seguintes temas: paisagismo, jardim, parque, urbanização e botânica aplicada. Presta consultoria ambiental em Estudo de Impacto Ambiental – RIMA e RAD. Consultor ad hoc do Portal Vitruvius e da Universidade Mackenzie.
Currículo Lattes de José Tabacow disponível em: <http://lattes.cnpq.br/6353720269668209>.
Luis Guilherme Aita Pippi
Arquiteto e Urbanista, PhD. Doutor, professor adjunto do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria e coordenador do Grupo QUAPÁ–SEL Núcleo Santa Maria.
Letícia de Castro Gabriel
Arquiteta e Urbanista, mestre, professora adjunta do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Maria – Campus Cachoeira do Sul.
Ana Paula Nogueira
Arquiteta e Urbanista, mestre, professora e coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Luterana do Brasil – Campus Santa Maria.
Entrevista
As partes 1 e 2 da entrevista foram realizadas em conversa pessoal informal no dia 25 de maio de 2015 durante um passeio por Vale Vêneto, distrito de São João do Polêsine, região da Quarta Colônia de Imigração Italiana, Rio Grande do Sul, Brasil. A parte 3 da entrevista foi realizada via correspondência eletrônica. Esta entrevista contribui como complemento à entrevista feita com José Tabacow no período de maio a setembro de 2006 por Abílio Guerra, do portal Vitruvius.
Filmagem, fotografia e edição das imagens e vídeos no Youtube
Letícia de Fátima Durlo Coutinho, acadêmica do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Transcrição da entrevista
Renata Michelon Cocco, Arquiteta e Urbanista, mestranda e bolsista CAPES do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (Mestrado) da Universidade Federal de Santa Maria.