português Conversa entre Marc Simmons e Gabriela Celani sobre detalhamento de fachadas em obras de arquitetura contemporânea. A entrevista ocorreu no mês de março de 2018 no Massachusetts Institute of Technology – MIT, em Cambridge.
english Conversation between Marc Simmons and Gabriela Celani on detailing façades in works of contemporary architecture. The interview took place in March 2018 at the Massachusetts Institute of Technology – MIT in Cambridge.
español Conversación entre Marc Simmons y Gabriela Celani sobre detalle de fachadas en obras de arquitectura contemporánea. La entrevista ocurrió en el mes de marzo de 2018 en el Massachusetts Institute of Technology – MIT, en Cambridge.
Aulas com Mark Simmons no Massachusetts Institute of Technology – MIT
Durante meu período sabático no Massachusetts Institute of Technology – MIT, de março a junho de 2018, acompanhei uma nova disciplina do Mestrado Profissional em Arquitetura, oferecida no 4º semestre do programa, com 3 anos de duração. A disciplina chama-se Architectural Assemblies, e foi ministrada pelos arquitetos Marc Simmons e John Klein. O programa da disciplina (1) deixa clara sua intencionalidade, apresentando uma foto de um carro completamente desmontado, com todas as peças espalhadas pelo chão. O edifício é entendido aqui como um produto a ser montado a partir de componentes industrializados e, consequentemente, com a qualidade de design e produção que encontramos na indústria automobilística.
Marc Simmons é bacharel em arquitetura pela Universidade de Waterloo, no Canadá, uma escola em que os estudantes passam parte de cada ano em estágios. Trabalhou em vários escritórios ao redor do mundo (Roma, Pescara, Paris, Kioto, Cingapura, Hong Kong e Vancouver), sendo que o escritório de Norman Foster em Hong Kong foi o mais influente em seu trabalho. Como resultado, levou nove anos para concluir seu curso. Ele é sócio-fundador da Front (2), Nova York, uma consultoria de fachadas responsável pelo detalhamento e execução de obras para escritórios renomados como os de Zaha Hadid, Renzo Piano, Shigeru Ban, Sanaa, Snohetta, Herzog & De Meuron, OMA, SHoP, Richard Meier, Gehry & Partners, David Chipperfield, Jean Nouvel, Scoffidio + Renfro, Steven Holl, Asymptote, Tadao Ando, Andrade Morettin e Triptyque, estes dois últimos no Brasil. Simmons foi professor nas universidades de Columbia, Princeton e Georgia Tech antes de lecionar no MIT.
Aulas com Mark Simmons no Massachusetts Institute of Technology – MIT
A entrevista com Simmons é dividida em quatro partes. Na primeira, ele fala sobre sua formação acadêmica na Universidade de Waterloo, no Canadá, entrelaçada com sua trajetória profissional. Ele é apontado como um dos dez ex-alunos mais notáveis de sua Universidade pela Wikipedia (3). Apesar de se definir como um engenheiro de fachadas (façade engineer), ele possui uma base sólida em arquitetura e urbanismo, incluindo aspectos técnicos e teóricos, o que lhe permite afirmar, por exemplo, que para se fazer um bom detalhamento é preciso entender do contexto urbano ao tecnológico em que um edifício está inserido. A conversa nos faz refletir sobre a importância da experiência prática na formação dos arquitetos.
Na segunda parte, Simmons fala sobre a empresa Front: como surgiu, que tipo de consultoria oferece, qual o nível de envolvimento com os escritórios de arquitetura e quais os projetos dos quais ele mais gostou de participar. Nesse trecho fica claro o nível de complexidade que a construção está atingindo com o uso das novas tecnologias, e ao mesmo tempo o crescente distanciamento entre as tecnologias de construção tradicionais e as contemporâneas.
O envolvimento com a academia e a disciplina oferecida no MIT por Simmons são o tema da terceira parte da entrevista. Sua atuação no ensino começou cedo, participando em bancas de projeto na Universidade de Hong Kong, oferecendo palestras na Universidade de Waterloo, e em seguida como professor adjunto nas Universidades de Columbia, onde deu aulas com Bernard Tschumi, e de Princeton, a convite de Stan Allen, participando de ateliers de projeto com Iñaki Ábalos, Juan Herreros, Hani Rashid e Alejandro Zaera Polo.
Aulas com Mark Simmons no Massachusetts Institute of Technology – MIT
Depois disso, a convite de Chuck Eastman, Simmons foi selecionado para ocupar a distinta cadeira Thomas W. Ventulett III na Georgia Tech e, após o término de seu contrato, foi convidado a atuar como Professor of the Practice pelo Departamento de Arquitetura do MIT. É importante frisar que o número de Professors of the Practice e de professores em tempo parcial que a Escola de Arquitetura e Planejamento do MIT pode contratar é limitado a no máximo 10% do corpo docente em tempo integral, um número relativamente baixo, considerando a importância do conhecimento prático para a área. Nas demais escolas do MIT o limite estipulado é de apenas 5% (4).
Ao final da entrevista, quando lhe pedi sua opinião sobre a arquitetura brasileira, a resposta de Simmons foi muito semelhante a um comentário de Walter Gropius sobre os edifícios de Niemeyer: “Os prédios de Niemeyer são sempre interessantes e ousados na sua concepção, mas ele parece dar pouca atenção aos detalhes, o que acaba comprometendo a qualidade dos edifícios” (5), disse Gropius.
5 GROPIUS, Walter. Um vigoroso movimento. In XAVIER, Alberto (Org.). Depoimento de uma geração: Arquitetura Moderna Brasileira. São Paulo, Cosac Naify, 2003. p. 153-154.
Maquete de estudo de detalhamento do Perez-Art-Museum, obra de Herzog & De Meuron
Gabriela Celani: Você poderia nos contar sobre sua formação como arquiteto? Como e quando você começou a se interessar pelo projeto de fachadas?
Mark Simmons: Minha história é um pouco curiosa. Fui criado em Toronto e eu só me interessava por duas coisas; a primeira era arqueologia e depois passou a ser arquitetura, a partir dos 14, 15 anos. Eu não me candidatei a escolas no exterior (naquela época você se candidatava), para as três escolas que estão da província de Ontário que eram mais acessíveis. Waterloo (6), a que eu cursei, é uma universidade muito boa – muito parecida com o MIT, eu acho. É uma universidade de pesquisa aplicada voltada para a tecnologia que, por acaso, tem também uma Escola de Arquitetura muito boa. Naquela época, havia um curso profissional de 5 anos de Bacharel em Arquitetura, o que (normalmente) levava seis anos, e para mim a experiência cooperativa funcionou bem demais e eu acabei levando doze anos (pra me formar).
GC: Você pode explicar o que exatamente é "co-op"?
MS: Co-op é (uma escola em que você) trabalha entre os semestres acadêmicos.
GC: Então você tem acesso a estágios?
MS: Sim, durante todos o curso, a cada semestre você faz um estágio.
GC: Isso é comum no Canadá?
MS: Não tanto. Existem apenas algumas universidades na América do Norte que possuem programas explicitamente cooperativos. E quando digo funcionou muito bem, quero dizer que gostei muito mais da prática do que da academia.
GC: E isso fez muita diferença na sua formação?
MS: Sim, especialmente por que eram experiências internacionais. Eu acabei fazendo estágios em Paris, em Kyoto, em Cingapura, em Vancouver, e no final Hong Kong foi o mais significativo, onde eu realmente trabalhei por três anos para Foster and Partners e três anos como engenheiro de fachadas, antes mesmo de obter o diploma profissional. Eu poderia ter me afastado da faculdade e trabalhado apenas na Ásia, mas por razões familiares nós escolhemos voltar para a América do Norte, terminar o trabalho de graduação (o que foi engraçado – aparecendo depois de todo esse tempo fora), e logo em seguida eu decidi me mudar para Nova York.
GC: E os estágios tinham que ser nas diferentes áreas em que você estava sendo formado a cada ano?
MS: Quando você fica muito tempo fora da faculdade – 6 anos no total – não é mais um estágio. Você está apenas adiando a faculdade e dizendo "eu vou para o trabalho". E você pode nunca mais voltar. Foram 3 anos trabalhando para a Foster and Partners no aeroporto de Hong Kong durante esse período. Para mim, trabalhar naquele escritório foi muito bom e descobri que os meus valores em design, estética e tecnologia eram os mesmos dos de Foster. Eu não tive conflito interno. Eu realmente gostei de estar lá. A maior parte do meu tempo foi gasto na obra do aeroporto de Hong Kong. Nesse ambiente você tem uma relação direta com a coordenação de empreiteiros, equipes de instalações prediais, estrutura e fachada. Isso me deu uma compreensão muito visceral do nível de conhecimento que existe nos negócios especializados. Não apenas com arquitetos e certamente não apenas com consultores, mas o conhecimento comercial também é muito profundo. E naquela época era aparente. E foi emocionante.
E então eu percebi que seria interessante me especializar, e minha esposa sugeriu que eu tentasse algo diferente ao invés de trabalhar para um empreiteiro. E então eu fui trabalhar na grande empresa de engenharia de fachadas australiana chamada Mainhardt Façade Technology (7), parte do grupo Mainhardt. Eles têm cerca de setenta mil funcionários, mas o grupo de Hong Kong era uma start-up – apenas um pequeno grupo de apenas uma ou duas pessoas. Eu fui trabalhar com esse pequeno grupo que fazia parte de um grande grupo de fachadas, com os recursos e apoio para nos permitir aprender. E foi aí que realmente comecei a entender esse mundo intermediário dos consultores especializados, entre arquitetos, proprietários, empreiteiros e gerentes de construção. Esse é um mundo muito pequeno. E se você não está lá, você não entende realmente o que eles fazem, e mesmo no meu escritório hoje, que executa fachadas, muitas pessoas simplesmente não sabem o que fazemos.
Maquete de estudo de detalhamento do Perez-Art-Museum, obra de Herzog & De Meuron
GC: Mas isso foi depois de ter uma experiência em todas as diferentes partes do processo, certo?
MS: Sim.
GC: E enquanto você fazia seus projetos acadêmicos na escola, você se concentrava nos detalhes da construção também?
MS: Na verdade não. Às vezes. Todo semestre vem depois de algum tipo de experiência e seu curso depende do que será tratado no atelier de projeto. Em um Bacharelado em Arquitetura, a maioria das disciplinas é obrigatória; não há realmente uma cultura de ateliers optativos. Você não pode nem começar a se especializar, até que esteja fazendo seu próprio trabalho final de graduação. Em Waterloo tudo é muito pré-definido, você tem as disciplinas fundamentais, depois você tem um projeto residencial no seu primeiro ano, um projeto institucional no seu segundo ano, e finalmente um projeto de urbanismo no seu terceiro ano; o quarto ano é o estudo no exterior em Roma, durante o qual você projeta em um contexto estrangeiro e, em seguida, o quinto ano é seu trabalho final de graduação – TFG. Meu TFG foi uma recuperação do aeroporto de Kai Tak (8), que havia sido recentemente abandonado, por isso foi um projeto urbano, mais especulativo e crítico, em oposição a um projeto arquitetônico.
GC: E foi provavelmente influenciado pela sua experiência na construção do novo aeroporto de Hong Kong.
MS: Sim! O que aconteceu comigo definitivamente foi que eu tinha um fascínio absoluto pelo projeto em múltiplas escalas, desde o objeto, passando pela montagem do sistema, até a construção e, é claro, até o impacto na escala urbana. E isso esteve presente durante toda a minha formação. Na Georgia Tech participei de dez ateliers de projeto, e todos eles eram multi-escalares, começando com uma situação de design urbano, passando para o edifício, e basicamente detalhando tudo em uma escala de um para um. Assim, os alunos realmente entendem o detalhamento de um para um e a seleção de material e a escolha da tecnologia são absolutamente necessários ao conjunto de considerações e valores de projeto que estão sendo implantados nas escalas urbana e arquitetônica. É por isso que para mim o projeto técnico na ausência de um entendimento da questão cultural é inócuo. Ele acabo sendo muito voluntarioso e subjetivo. E é por isso que, pedagogicamente, preferi usar estudos de casos em Architectural Assemblies (a matéria ensinada no MIT), em vez de projetos (originais).
8 Kai Tak foi o aeroporto internacional de Hong Kong de 1925 a 1998, quando foi substituído pelo novo Hong Kong International Airport.
Maquete de estudo de detalhamento da Morgan Library, obra de Renzo Piano
Gabriela Celani:Quando foi criada a empresa Front e com quais finalidades? Como o escritório evoluiu nos últimos anos? Quais foram seus principais projetos?
Mark Simmons:Após três anos no Foster e três anos ns Mainhardt FaçadeTechnologies eu conheci o engenheiro britânico Tim McFarlane (9), que é muito famoso por ter desenvolvido, na década de 1970, o uso do vidro como material estrutural, fazendo um monte de projetos boutique para arquitetos realmente interessantes, como Nigel Coates, e outros designers influentes do ambiente londrino dos anos 1980. E quando eu o conheci, ele havia acabado de abrir um escritório em Nova York, e como eu sou cidadão americano, ele disse: “Você quer vir para Nova York e começar um grupo de fachadas?” Eles atuavam mais em projetos em vidro, com cabos, mas não em engenharia de envoltórias ou com fachadas. Ter um arquiteto com o meu histórico parecia ser bom para eles, então ele me recrutou, eu fui para Nova York com Elaine (minha esposa, que também é arquiteta – estudamos juntos).
Elaine acabou se juntando ao escritório de Rafael Viñoli. E depois de três anos no escritório de Tim em Nova York, estávamos indo muito bem, foi muito bem-sucedido, mas a parceria de longo prazo entre Tim e seu parceiro Lawrence não foi um bom casamento e não criou um ambiente adequado para nós evoluíssemos e nos tornássemos sócios. Então nós finalmente dissemos: "Podemos fazer isso sozinhos". Tim originalmente se mudou para Nova York e ele estava morando lá e trabalhando conosco dia a dia. Mas, por motivos familiares, ele se mudou de volta para Londres, e nós (os outros associados do escritório de Tim McFarlane) acabamos ficando sozinhos. Ficou claro que poderíamos fazer nossos próprios projetos. E então meu parceiro Mike e eu, e outro colega que conhecemos da Foster and Partners, chamado Bruce Nichol (ele tinha trabalhado primeiro no Foster e depois no Renzo Piano), então nós três nos unimos para começar nossa nova empresa.
GC: E todos vocês já tinham grande experiência, certo?
MS: Sim, mas eu ainda era bem jovem, tinha 33 anos.
GC: Como o escritório evoluiu?
MS: Nós começamos com cinco pessoas, e isso cresceu muito lentamente ao longo de 16 anos até 50 pessoas. Houve alguns momentos ruins, como em 2009, mas nunca fomos muito agressivos. Quase todo o nosso trabalho ao longo de toda a história da empresa tem sido por referência, o que é mais estável. É melhor para nós porque a indústria de fachadas é muito instável e muito elástica. Os escopos estão sempre mudando, o risco e a responsabilidade estão sempre mudando, as coisas sempre dão errado na indústria e, na maioria das vezes, os clientes, até mesmo os arquitetos, nem sempre estão cientes de como a responsabilidade é atribuída e quem deveria estar fazendo o que e em que ponto... Você tem várias empresas envolvidas com diferentes estruturas de contrato, e é preciso um pensamento sofisticado para entender como essas estruturas estão alinhadas. Quando você está trabalhando por indicação, você geralmente está trabalhando com pessoas que vêm até você porque elas já pré-selecionaram seu trabalho, elas já entendem o que você faz e como você vai agregar valor. Acho que já temos uma ideia de como sustentar o negócio.
GC: É provavelmente mais divertido trabalhar assim…
MS: Sim, mas ainda é difícil. Desde o início dissemos que seríamos um escritório de projetos multidisciplinar, mas com interesse geral em fachadas e estruturas leves. Mas também estávamos abertos para nos tornarmos qualquer coisa, até mesmo um escritório de arquitetura comum. Mas os projetos de fachadas foram bastante interessantes, e percebemos, é claro, que porque éramos articulados em relação ao design e éramos sensíveis às necessidades dos clientes com os quais trabalhamos, porque somos arquitetos bem formados, entendemos os interesses dos clientes, e poderíamos colaborar com eles de forma criativa, sem infringir as questões de autoria. Assim, seríamos bem-vindos ao diálogo, sem ter que reivindicar crédito. No momento em que você não exige créditos pelo que faz, mas tem algo inteligente para dizer, você é muito bem-vindo.
GC: Seus clientes recebem créditos pelo trabalho que você fez?
MS: Certo! Em última análise, se você for dissecar como a autoria é gerada, é uma espécie de espiral, com esse tipo de acumulação não-linear de restrições e fragmentos e idéias que vêm de todos os lugares e, no final, você tem esses edifícios surpreendentes. E, é claro, nossa cultura exige que atribuamos a autoria a alguém, porque é necessário, assim como um texto tem que ter um ghost writer ou um coletivo ou um bot que foi o autor do trabalho. Mas eu realmente queria que a autoria na arquitetura fosse creditada como na indústria cinematográfica, com listas exaustivas de centenas ou milhares de pessoas no final do filme; cada prédio deveria ser assim.
GC: Você pode nos contar mais sobre a evolução da Front?
MS: O primeiro tipo de expansão, de certa forma, foram esses limites entre o que chamamos de design baseado em desempenho e design baseado em prescrição. O design baseado em prescrições é o design industrial total, a ponto de você ser responsável por tudo, incluindo a fabricação de todos os componentes, enquanto o design baseado em desempenho é quando você está projetando a aparência da coisa, a dimensão da coisa e tudo o que ela deve fazer, mas eles costumam atribuir esse problema ao empreiteiro e aos engenheiros do empreiteiro. A indústria de fachadas é tipicamente organizada de forma que 99% dos contratos são baseados em desempenho.
GC: E você também faz as simulações em termos de desempenho energético etc.?
MS: Sim, fazemos tudo o que você pode imaginar relacionado a uma fachada, em termos de análise, documentação, tudo. Nós somos como um balcão único. Setenta e cinco por cento do que fazemos é design baseado em desempenho para proprietários e arquitetos, onde eles não têm a responsabilidade de projetar detalhes completos – e não podem. Eles não sabem como fazer isso, mas eles também não têm o apetite pela responsabilidade de contratar alguém para fazer isso. Então você contrata seu empreiteiro geral, ou seu gerente de construção, e eles contratam o sub-empreiteiro da fachada, e então o subcontratado da fachada contrata um grupo de engenheiros que também poderiam ser nós. Então, 25% do nosso trabalho está do outro lado do balcão, para empreiteiros, fazendo um projeto prescritivo completo. Em um determinado momento, tivemos esse apetite por ambos, e muitas consultorias de desempenho ambiental e engenheiros de envoltórias não fazem isso. Eles não querem fazer isso. Eles querem só fazer a revisão do projeto. Eles querem sugerir e recomendar. E esse é um tipo de escopo muito limitado, que é muito diferente do que nós fazemos. Fazemos muito disso, mas somos realmente uma empresa de projeto e engenharia. As pessoas da indústria sabem diferenciar esses tipos de empresas, mas, do lado de fora, a maioria das pessoas não reconhece a diferença. Mesmo com (a empresa) designtoproduction (10), por exemplo, há poucas coisas em comum conosco; ela é mais focada, segmentada e talvez bastante integrada verticalmente, mas não é tão holística e abrangente.
GC: Sim, eles são muito específicos! Eles fazem a ponte entre os arquitetos e os fabricantes. É assim que eles descrevem seu próprio negócio. É empresa pequena.
MS: Algumas pessoas nos perguntam: “vocês são como a designtoproduction”? E nós respondemos: "bem, mais ou menos..." Se você pegar o projeto e expandi-lo, é o que nós fazemos. Então, por volta de 2005, três anos depois do início, o mercado estava muito intenso nos Estados Unidos, e certos clientes começaram a nos perguntar “você não poderia fazer isso apenas com base em design prescritivo?” E “você não poderia ser o empreiteiro da fachada?”, só para tornar o projeto mais economico, e assim acabamos fazendo isso. Começamos com duas empresas separadas e assumimos cerca de 25 projetos de criação, não enormes, mas grandes o suficiente para causar problemas. Acho que provavelmente processamos cerca de 30 milhões de dólares em contratos e não ganhamos nada.
GC: Você tem outros escritórios?
MS: Sim, temos Nova York, Seattle, São Francisco, Hong Kong, Londres e Verona, na Itália. Cinqüenta pessoas em todo o grupo. É muito pequeno, muito distribuído, mas trabalhamos como uma equipe integrada. Mas essa coisa de fazer o projeto e a construção é realmente muito incomum. Fizemos projetos realmente incríveis, como o Highline 23 (11). com o Neil Denari (12), projetos como a Lincoln Square Synagogue em Manhattan, que ganhou o IALD International Award (13), mas também muitas coisas curiosas, como o restaurante Morimoto com o Tadao Ando (14), e esses foram todos os contratos em que os clientes nos procuraram. Nunca anunciamos essa parte do nosso negócio porque não queremos canibalizar o nosso próprio negócio de consultoria. Porque, como consultor, você é responsável por administrar licitações competitivamente em nome de seus clientes, e nós nunca faríamos um trabalho que seria licitado competitivamente. E se o cliente disser “preciso de concurso”, não somos uma opção, porque nunca podemos ser vistos como concorrentes. Mas nós não fazemos mais isso. Nós fizemos isso por dez anos, mas por volta de 2015 paramos com isso, mas aumentamos os projetos prescritivos. E os contratos de projeto e construção foram muito importantes para que desenvolvessemos um conhecimento maior sobre os custos.
Uma espécie de diferença cultural, de logística, dos problemas de meios e métodos, de todos os tipos de desafios de mudança de oferta e do pesadelo que vem com os contratados. E isso nos proporcionou uma maneira de consultoria por meio do engajamento direto com várias partes interessadas em diferentes pontos da cadeia de suprimentos, como uma espécie de risco (porque, digamos, por exemplo, o maior risco é o custo do vidro curvo, então vamos projetar o vidro prescritivamente, para que saibamos o que é, não está sujeito à interpretação do contrato) e então vamos financiar a construção de uma série de mockups ao redor do mundo, e vamos negociar o preço diretamente, e então vamos internalizar isso como parte de um processo de design contínuo. E isso é muito estimulante, porque a indústria infelizmente está sempre lidando com um empreiteiro do nível de cima dos contratos e não há transparência sobre o que acontece abaixo disso.
Então você não sabe por que você está pagando três ou quatro vezes o que deveria, você não sabe se na verdade eles estão abaixo da licitação... Nós chamamos isso de análise de custo intrínseca para basicamente, com base em risco e margens de lucro razoáveis, e em uma compreensão de quais materiais realmente custam e o que a logística e o equipamento realmente são e o custo real do trabalho em um determinado mercado, você pode construir um modelo de custo muito plausível, e nós fazemos isso agora, o tempo todo, a cada etapa de nossos projetos para cada sistema. E muitas vezes podemos fazer isso em uma hora, muito rapidamente. Mas o que acontece é que, quando começamos a trabalhar em um projeto ainda na fase conceitual ou esquemática, podemos verificar com precisão se é viável. E isso é realmente importante, porque muitas vezes esses tipos de análise precipitam um novo design ou uma mudança no orçamento, no início do projeto. Porque quando você tem uma explosão mais tarde no projeto, é sempre um pesadelo.
Maquete de estudo de detalhamento da Morgan Library, obra de Renzo Piano
GC: O detalhamento costumava ser a última parte do processo de projeto…
MS: Nossos concorrentes nem sequer tocam em custo, mas para nós saber quanto isso vai custar logo no início do processo de projeto é uma maneira de torná-lo viável, porque você configurou vários parâmetros corretamente. Na compreensão tradicional do modelo ocidental de fases de projeto, o projeto esquemático talvez não seja tudo e não tão profundo, e o desenvolvimento do projeto é a extensão total de tudo, e talvez algumas áreas sejam um pouco mais profundas que outras, mas é de média (profundidade), e então os documentos de construção são a extensão total de tudo e a profundidade de tudo até o nível contratual apropriado, e então os desenhos executivos são tudo ao máximo. O que nós fazemos na fase do projeto esquemático ou mesmo conceitual é dizer: aqui está uma hipótese sobre como resolver tecnicamente essa intenção de projeto. E desenhamos a escala de um para um desde o primeiro dia. E o resultado disso é a capacidade de prever quanto isso pode custar, já nesse estágio inicial. As quantidades são relativamente fáceis, mas na verdade é surpreendente a frequência com que as pessoas não tem noção (dos valores). Eles deixam de computar parte das superfícies, ou eles não entendem a complexidade ou a panelização corretamente... E mesmo para todas as coisas que não estão definidas, nós elaboramos uma hipótese de como deveria ser.
GC: Quais foram os projetos que você mais gostou de fazer e por quê?
MS: Eu gosto de coisas diferentes por diferentes razões. Às vezes, é um projeto que tem uma exploração de material, que não daria pra fazer de outra maneira. Por exemplo, nós temos uma série de projetos em acrílico, e acrílico é um material muito incomum para a construção de envoltórias. O carrossel do Brooklyn foi um desses projetos, assim como o Park Avenue Plaza, no qual fizemos uma linda fachada de acrílico usinado para a Victoria Secret, e agora estamos fazendo, com a KPF, uma reforma de um saguão na 5ª Avenida com a rua 57. É uma bela parede de acrílico sem moldura de 14 pés de altura que é articulada com seções em forma de gota e junções em T, entre painéis de acrílico arredondados. E quase ninguém fez coisas assim. E não é fácil. Minha equipe pode lhe dizer que não é fácil. E as pessoas também têm expectativas engraçadas porque acham que você já fez isso antes mas, na verdade, o projeto tem atributos únicos, há desafios técnicos, de custo e de cronograma, para que tudo esteja alinhado. Não é tão fácil.
Certos projetos são baseados em materiais, ou baseados em efeitos, e eu realmente gosto deles. Temos centenas e centenas de projetos em que trabalhamos que são um pouco diferentes, mas há aqueles que eu diria que são holisticamente surpreendentes, onde a função pública é maravilhosa. E a equipe que fez isso é maravilhosa. E o projeto em si, o design, é do momento, e talvez até mesmo tecnicamente ambicioso. Mas certamente esteticamente incrível. A Biblioteca de Seattle é claramente uma referência fundamental para nós. Também é um projeto em que eu pessoalmente encontrei minha voz para influenciar colaborativamente. Joshua Prince-Ramus estava executando o projeto na época, e depois ele finalmente saiu e formou a REX (15), e hoje eu estou dividindo o escritório com eles. Nós fazemos todo o nosso trabalho juntos. Esse relacionamento nasceu do projeto da Biblioteca de Seattle. E há outros também... O Bjarke (16) também estava em Seattle naquela época; eu o conheci quando ele tinha apenas 24 anos. E logo depois ele começou o Plot e depois do Plot ele finalmente fundou o BIG, e o resto é história. E nós ainda estamos trabalhando com Bjarke hoje – não em um grande número de projetos, mas em alguns projetos incríveis, como San Pellegrino (17), uma torre de 240 metros de altura em Manhattan (18), e mais alguns por vir.
(Outro projeto importante para mim), com certeza, é o projeto Niarchos (19), em Atenas. Nove anos da minha vida trabalhando nesse projeto! Um envolvimento pessoal muito direto. Já fizemos sete projetos com o escritório de Renzo Piano. Este foi quando o relacionamento já estava maduro, e havia muita confiança, e o sócio responsável – Giorgio Bianchi – nos tratou como uma extensão da equipe de arquitetura, onde ele realmente solicitou e nos encorajou a também nos engajarmos no projeto. Por isso, foi uma grande colaboração – a equipe do projeto foi incrível, o cliente foi incrível, o projeto foi construído por todos os motivos certos e tem sido incrivelmente bem recebido por esse país. De certa forma, isso sustenta minha capacidade de conduzir meu atelier de projeto (do MIT) em Atenas (20), por causa da rede que tenho e da credibilidade que ganhei ao trabalhar nesse projeto.
GC: Até que ponto esses projetos evoluíram e se tornaram melhores projetos arquitetônicos após a consultoria da Front? Até que ponto você interferiu nesses projetos – por exemplo, em termos de materiais, dimensões etc.?
MS: É muito difícil responder a essa pergunta, porque na maioria dos casos nos envolvemos como parte da equipe no início do projeto, e muitas vezes não há um projeto completo, então todos estão envolvidos, estruturas, intalações, paisagismo, empreiteiros, todos eles, para seguir a intenção do projeto. Sabemos que existe uma consistência, integridade e qualidade no trabalho em que estamos envolvidos. Isso faz parte da nossa reputação, e todo projeto que recebemos para participar normalmente vai bem. Nós não temos nenhum projeto terrível que nos envergonhe. Então, isso é como uma linha de base. Mas se você está perguntando em que momento nós influenciamos o resultado de um projeto...
GC: Sim, se você pudesse nos dar um exemplo de um projeto que começou de certa forma e depois você introduziu novos materiais, etc…
MS: Bem, para a biblioteca de Seattle nós provavelmente fizemos cinquenta modelos (físicos) olhando diferentes configurações estéticas em termos de densidades de enquadramento, preferências, e aquela com o tipo de malha diagonal sobre toda a superfície como uma textura que todos acharam linda. Mas como você viu na minha palestra que estava nas superfícies inclinadas e nas superfícies verticais e uma não estava relacionada à outra. Uma delas tem uma geometria relacionada ao alto desempenho que é muito técnica, e a outro é totalmente estética.
GC: Então, isso não estava nos rascunhos iniciais que os arquitetos apresentaram para você?
MS: Não, a malha em forma de losangos veio do modelo que Erez Ella fez – ele está na HQ Architects (21) agora, em Israel.
GC: Não foi proposta pelo Koolhaas?
MS: Bem, Rem é brilhante, mas ele não desenha nem faz modelos. É sempre uma espécie de processo editorial crítico de avaliar o que está à sua frente e definir também a direção desse processo de revisão. Então toda semana era mais e mais conteúdo e um processo crítico de revisão. Em um determinado momento, quando você tem esses 50 modelos à sua frente, ele diz: "é esse!" Mas o aspecto integrativo da malha (foi uma proposta nossa). E o principal era alcançar o contexto da indústria – há uma grande empresa na Itália, que é, eu acredito, a fabricante de vidro mais avançada do mundo. Eles fazem principalmente vidros de segurança e automotivos, mas eles tinham experiência com malha tridimensional integrada laminada em vidro em um momento em que isso nunca havia sido feito por ninguém mais, e sua experiência veio de fazer janelas para o TGV, o trem de alta velocidade, para o qual eles faziam esse vidro laminado, mas as tensões na borda do vidro eram maiores do que no meio, e para otimizar o peso, o que elas faziam era inserir parte do quadro no laminado, fazendo um material composto, com uma borda reforçada, mas super fino.
E assim eles ganharam muitos contratos porque vendiam um vidro mais fino para a Bombardier, a Siemens e todos esses caras. Esse é um tipo incrível de inovação impulsionada por desempenho, mas eles aprenderam a laminar polímeros com metais e vidro, e muito poucas pessoas têm esse conhecimento, porque as camadas podem se soltar e pode haver outras questões de compatibilidade. Então, sabendo disso, nós dissemos: “se nós adquirirmos a malha microexpandida no mercado italiano, vocês mandariam algumas amostras laminadas, em grande escala, para Seattle, para que pudéssemos colocá-las em um mockup para mostrar à Biblioteca, e vocês ofereceriam uma garantia por escrito de dez anos?” E eles fizeram! E tudo isso foi feito com base em um relacionamento de amizade. Mas, infelizmente, eles não ganharam o contrato. A Biblioteca disse: "é lindo", mas a principal questão é que estávamos tentando arrecadar fundos adicionais para pagar por isso, porque não estava no orçamento base, e fomos autorizados a fazer isso, o que é muito importante, Rem e Josh fizeram os telefonemas.
Primeiro vem a hipótese – esta ideia ajuda? E então há uma parte cultural e econômica disso – você pode usar os relacionamentos para realmente fazer algo plausível, e você pode convencer as pessoas a fazer algo até esse ponto, e a Biblioteca disse: “Sim!” E a razão pela qual eles disseram que sim era porque em todo o escopo do prédio poderíamos usar o mesmo revestimento de baixa emissividade. Exatamente o mesmo. Mas onde tínhamos superfícies viradas para o sul e para o oeste e voltadas para cima, podíamos adicionar a malha de metal para obter o desempenho que realmente precisávamos, sem alterar o revestimento. Porque senão iria parecer que cada face do edifício era de uma cor diferente, com certas superfícies mais escuras e outras mais claras. E isso era algo que eles até aceitariam, mas se pudéssemos levantar o dinheiro para a malha... O que a malha faz é um brise-soleil, é um filtro real para refletir a maior parte da energia, mas como ela é prateada (poderia ter sido branca), os reflexos não mudam a cor da luz, então a cor da luz seria uniforme em todo o edifício. Você está realmente atenuando a intensidade, mas não a reprodução de cores. Assim, como em uma catedral, estamos vendendo a qualidade da luz em um prédio, em vez de vendê-la por um quarto extra. E em uma semana recebemos compromissos por metade do dinheiro, com pessoas dizendo: "Eu patrocino a qualidade da luz". Eles estavam interessados na tecnologia e no resultado.
Maquete de estudo de detalhamento da Morgan Library, obra de Renzo Piano
GC: Você acha que o trabalho que você faz na Front está criando um novo padrão de qualidade para o mercado internacional de construção?
MS: Eu não acho que seja um novo padrão de qualidade. Quer dizer, trabalhamos dentro de normas e padrões estabelecidos. Na verdade, você não pode pedir um padrão muito mais alto porque não é acessível. Mas a questão é: o que é um bom padrão versus um padrão (normal)? E o problema é que, internacionalmente, há tantos projetos que são mal executados porque os padrões não são mantidos. Então, mesmo manter um bom padrão é importante. E então, como você sabe, dentro dos padrões, cada material tem diferentes graus, diferentes níveis de tolerância, diferentes espessuras e acabamentos, então, novamente, é uma questão de determinar o que é necessário e, em seguida, o que é apropriado. E muitas vezes estamos nos certificando de que não estamos pagando um dólar a mais para fazer a coisa certa, porque se você especificar demais, também poderá se meter em encrencas. E é claro que códigos e padrões em todos os países são diferentes, e muitas vezes em cada estado são diferentes, por isso passamos muito tempo nos acostumando e aprendendo todos os códigos e padrões regionais para manter o ritmo, e é francamente muito difícil.
GC: Você costuma fazer sugestões de forma a tornar os edifícios mais sustentáveis?
MS: Sempre! Mas essas (decisões) não são unilaterais. Hoje em dia, é sempre um conjunto coletivo de metas estabelecidas no início. Você não pode fazer o seu trabalho se não souber qual é o objetivo. Não é como se você simplesmente jogasse tudo na mesa: podemos fazer isso e isso e isso, como em um menu. Talvez você possa, mas não é (necessariamente) bom. Então, alguém diz, em primeiro lugar temos o padrão Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental), temos um padrão para as paredes, temos um padrão Zona Verde, temos o Breeam (Building Research Establishment Environmental Assessment Method), qualquer que seja o padrão internacional e, em seguida, qual é o nível que estamos procurando fazer.
Às vezes, os clientes estão apenas dizendo: “nós, em primeiro lugar, queremos saber qual é o desempenho esperado por cada um desses benchmarks, mas não queremos as certificações; não nos importamos com as certificações, apenas nos preocupamos com desempenho. ”Então, é claro, quando você entende quais são os objetivos, fazemos essa primeira análise preliminar da configuração do prédio, a proporção entre janelas e paredes, a orientação, fazemos perguntas sobre alocação orçamentária, “você tem os códigos e as plantas (do local)?”, “você tem possibilidades geotérmicas no local?”, “você tem obrigatoriedade de usas energia renovável?”, uma constelação de fatores que estão disponíveis, mas você pode não ter como implantar qualquer um deles ou não ter como pagar por nenhum deles. Então, às vezes até mesmo a massa térmica, a proporção entre paredes e janelas (WWR), e o nível de isolamento térmico, com boa resistência passiva à infiltração de ar, são os pontos de referência rudimentares, para alcançar um edifício que também funciona muito bem, mas com um custo menor. Porque todas (essas coisas complicadas), como parede duplas, integração de energia renovável, sistemas geotérmicos, eles geralmente têm um preço alto. A energia geotérmica em alguns mercados é fácil e acessível, mas em outros lugares seu uso simplesmente não é viável.
GC: E essas soluções não são necessariamente relacionadas às fachadas…
MS: Sim, mas como você mesma me perguntou, nós frequentemente iniciamos essas coisas.
GC: Você oferece isso como uma sugestão...
MS: Sim, sempre conversamos sobre essas coisas. Por exemplo, temos um grande interesse em saber qual é a estratégia MEP (Mecânica, elétrica e hidráulica), porque ela também afeta o conforto térmico, afeta a forma como integramos a estrutura, o detalhamento da borda da laje e muitos sistemas MEP que estão explicitamente integrados na fachada. E onde as operações de fachada, particularmente quando se trata de sistemas de sombreamento, persianas, fachadas ventiladas ou solid-state switchable Technologies (22), como tecnologias eletrocrômicas de LCD, todas ligadas ao Sistema de Gerenciamento de Edifícios. E a sua autorização energética, a sua conformidade com o código de energia depende da integração de controles e da integração entre os projetos da fachada e das instalações prediais. Hoje em dia é muito integrado para certos tipos de edifícios. Se não nos importássemos com isso e se não pudéssemos contribuir com essa análise, ninguém se interessaria por nosso trabalho. Muitos projetos, como o Parlamento Canadense, ou o projeto Niarchos, são muito focados nas questões energéticas, exigindo essa colaboração.
GC: Vocês têm uma visão holística dos edifícios…
MS: Sim, mas tivemos que construí-la, não tínhamos essa visão há 16 anos. Nós tínhamos ideias sobre isso, mas não tínhamos o conhecimento. Isso faz com que seja mais difícil para as empresas jovens competirem conosco.
notas
9 Ver MCLEAN, William; SILVER, Peter; WHITSETT, Dason. Building with glass: Tim MacFarlane and the development of glass as a load-bearing structural element. James Campbell, Yiting Pan, Nina Baker et al (Org.). Building Histories: the Proceedings of the Fourth Annual Construction History Society Conference. Cambridge, University of Cambridge, 2017, p.457. Ver também: Gl&ss, Consulting Engineers <https://bit.ly/2QCFZyh>.
22 A tecnologia Switchable Window permite adaptar o nível de transmissão de luz de uma janela de automóvel ou edifício, visando o conforto do usuário. O sistema permite manter a transperência ao mesmo tempo em que o calor dos raios solares é absorvido, ajudando a reduzir a necessidade de aquecimento ou resfriamento. Entre os diferentes tipos de Switchable Windows, algumas usam tecnologia de estado sólido.
Exposição Architectural Assemblies na Keller Gallery, MIT
Gabriela Celani: Você pode me falar um pouco sobre a disciplina que está dando no MIT? Quais são seus objetivos e quais são os resultados esperados? Como esta disciplina se relaciona com o atelier de projeto que você também está oferecendo?
Mark Simmons: Esta disciplina já existia havia muito tempo, mas apenas no ano passado a (professora) Meejin (Yoon, Chefe do Departamento de Arquitetura) e Andrew Scott (ex-Diretor do Programa de Mestrado em Arquitetura) mudaram seu nome para Architectural Assemblies. Sempre foi obrigatório, como o último curso na sequência de tecnologia, como parte do Currículo do mestrado profissionalizante acreditado pelo Naab (23). John (Klein) havia dado essa disciplina sozinho no ano passado, mas parte do motivo pelo qual fui convidado para o MIT foi justamente ministrar esse curso.
GC: Quando e onde você começou a dar aulas?
MS: Quando eu estava em Hong Kong, estive (algumas vezes) na HKU, a Universidade de Hong Kong, participando de avaliações de projeto, e me interessei por ensinar enquanto eu ainda estava estudando. Quando voltei para Waterloo para terminar (minha graduação), me envolvi em algumas palestras sobre engenharia de fachadas e assim por diante, mas não foi até (eu me mudar para) Nova York, talvez em 2003, quando me pediram para ser (professor) adjunto na (Universidade de) Columbia, ajudando em um atelier integrado sob a coordenação de Bernard Tschumi. Um ano depois, fui chamado para lecionar como professor em Princeton, sob a coordenação de Stan Allen (ex-reitor da Escola de Arquitetura), mas a ideia havia sido de Guy Norderson, professor de engenharia estrutural, e eu lecionei lá por 6 anos. Meu trabalho principal era ensinar uma matéria eletiva sobre projeto de fachadas contemporâneas e especificação de materiais. Foi ótimo, sempre com uns 20 alunos, muito inteligentes...
Exposição Architectural Assemblies na Keller Gallery, MIT
GC: Foi semelhante ao curso que você está dando aqui no MIT?
MS: Foi um pouco parecido... tinha um componente de projeto, mas não tinha nenhum componente de construção, havia um pouco de modelagem em pequena escala, às vezes redação de ensaios e uma combinação de estudos de caso e projeto. Mas foi muito mais ad-hoc e não foi um curso básico. E então, durante quatro semestres, fui como um co-instrutor local para professores visitantes, um com Iñaki Ábalos (24), outro com seu ex-parceiro Juan Herreros (25), um terceiro com Hani Rashid (26) e um quarto com Alejandro Zaera Polo (27). Então eu fui convidado a me candidatar para a cadeira (de professor visitante) Ventulett da Georgia Tech (28), algo que eu não estava procurando, porque meu segundo filho estava prestes a nascer, mas Chuck Eastman me ligou e disse: “Mark, como podemos fazer você passar mais tempo em Atlanta?”. E eu acho que eles fizeram uma chamada aberta, e o (professor) Tom Ventulett ainda estava vivo, e ele não estava feliz com a lista de candidatos, então eles convocaram um comitê de seleção e fizeram uma lista de potenciais candidatos de todo o mundo, e telefonaram para eles para ver quem estava em uma circunstância de vida para se interessar pelo convite. E minha esposa me incentivou a me candidatar. Então eles ficaram com uma pequena lista de três candidatos. Nós três tivemos que apresentar uma proposta para a cadeira Ventulett, e eu fui selecionado e, no outono de 2012, comecei a lecionar em período integral. Era outono e primavera, fazendo um atelier de projeto e uma disciplina teórica a cada semestre, indo e voltando de Nova York. Foi muito intenso, mas foi muito gratificante, incrível!
Como tínhamos recursos, podíamos levar (os alunos) para viajar e também podíamos construir mockups nos ateliers colaborativos de projeto. E assim eu fui professor visitante por cinco anos. Foi quando no ano passado, um pouco antes do fim (do contrato), eu ainda não estava procurando nada, e então a Meejin entrou em contato comigo para ver se eu estaria interessado em alguma coisa por aqui. E 18 meses depois nós fizemos acontecer. O MIT combina comigo.
GC: E o que torna o ensino interessante para você, Mark? Porque você está muito ocupado em seu escritório, está ganhando bastante dinheiro e tem muito trabalho. Você tem que pegar o avião toda semana para vir aqui... Vale a pena? Por que é tão interessante para você?
MS: Em primeiro lugar, ao longo dos anos, quando adulto, o meu interesse geral tem sido trabalhar e viajar e, infelizmente, viajar a serviço do trabalho. Eu desisti da maioria dos meus outros hobbies, passatempos que eu tinha quando era mais jovem. Embora o ensino também seja um trabalho, é na verdade algo completamente diferente do trabalho. Ele está relacionado – o conteúdo é muito semelhante em muitos aspectos – mas na verdade o processo pelo qual você passa e o nível de envolvimento que você tem com os alunos e com o corpo docente é realmente um mundo totalmente diferente e me conecta de maneira diferente. Eu sei que ajo de forma diferente, falo de uma maneira diferente, minhas preocupações são diferentes e, de certa forma, para mim, é uma ruptura mental muito importante. Caso contrário, eu me conheço e tudo o que eu faria seria trabalhar. Em vez de trabalhar 40 a 50 horas por semana, eu trabalharia 80 horas por semana, algo que eu fazia antes. Porque agora temos um escritório grande, com tantos projetos, há quase um menu infinito de coisas em que eu poderia me envolver se quisesse. Eu posso ir e trabalhar em qualquer projeto, com qualquer pessoa da minha equipe, e é muito divertido. E isso é provavelmente o que eu faria. Mas agora eu tenho dois filhos e também estou tentando priorizar o tempo deles. O MIT agora está na metade do tempo, porque é apenas na primavera, e haverá um melhor equilíbrio com o trabalho do que havia na Georgia Tech. Na Georgia Tech houve um pico de intensidade, mas talvez porque as crianças fossem bebês, eles não sentiam tanto a falta do pai nessa idade, (mas) agora eles iriam sentir, com 6 e 8 anos de idade, eles percebem quando eu não estou lá.
Para mim, dar aulas em um lugar como o MIT e me envolver com alunos que realmente se importam, particularmente agora, com questões humanitárias... Estou em um momento em minha carreira em que tenho aumentado minha atenção e foco no bem-estar dos outros e você viu que os projetos que eu mais apreciei em nosso trabalho da Front são justamente projetos públicos. Eu posso gostar de fazer as fachadas caríssimas para a Louis Vuitton, mas isso realmente não me traz um prazer existencial. Não há satisfação real nisso, além da pura materialidade desse tipo de coisa. Sim, família e filhos! E, a propósito, estou atualmente concorrendo à presidência da Associação de Pais e Mestres de meus filhos.
GC: Desejo-lhe boa sorte!
MS: Obrigado!
GC: E em resumo, qual é a importância da colaboração entre academia e prática?
MS: Isso é difícil. Bem, para dizer a verdade, todos na indústria vieram da academia. Quase todo mundo tem um diploma universitário de algum tipo, todos nós somos treinados. Um é muito mais um tipo de produto residual do outro, quase por definição. Um grande número de pessoas na prática ensina, então é algo circular. Mas se a questão era menos sobre o ensino e mais sobre pesquisa institucional, esse é um tipo de pergunta que eu posso responder com base em minha experiência próopria. Certamente, na indústria de fachadas, temos quase um conjunto infinito de possíveis áreas de desenvolvimento ou abordagens. Você sabe, tudo, desde o BIM e a tecnologia de automação no lado do software, até o conhecimento do domínio em termos de taxonomias e tipologias de fachadas e sistemas e reconfigurações e assim por diante, até a produção industrial, em termos das tecnologias de fabricação e montagem que são usadas, as quais, a meu ver, são muito diferentes do primeiro conhecimento de fabricação de produtos químicos e materiais, e o processamento dessas coisas. E as indústrias associadas à madeira são muitas, assim como ao concreto, ao vidro, ao alumínio, ao aço, aos compósitos... isso significa que é uma grande parte da indústria global. Então, como você pode ter alguma influência sobre isso?
Mas a realidade é que, como sabemos do MIT, da Georgia Tech e de outros lugares, a academia deve muito à indústria pelas parcerias institucionais, e muitas pesquisas em ciência básica e em física dos materiais e inovação vêm de laboratórios corporativos financiados em grande escala, ou de laboratórios institucionais financiados em grande escala, e muito frequentemente (de) uma colaboração entre os dois. Eu vou te dar um exemplo bem simples – você sabe o projeto Jane's Carousel (29), você se lembra, eu contei sobre o desenvolvimento da junta que exigiu uma colaboração entre a Dow Corning, a 3M, a DuPont... só para fazer uma simples junta. Por causa dos materiais da fita VHB, em silicone estrutural, das características de ligação do acrílico fundido da Reynolds. O silicone estrutural é feito pela Dow Corning e a fita VHB é da 3M, e há os produtos da Velcro. Nós conhecemos as ligações de velcro, mas e os dois lados opostos do velcro, como eles se ligam, e também incluímos aço inoxidável nesse detalhe. Então, esse é um número absurdo de compatibilidades – compatibilidades químicas – e, como consultores, sabemos apenas 25% disso.
Exposição Architectural Assemblies na Keller Gallery, MIT
GC: Então você está realmente fazendo pesquisa em seu escritório. E você pode descrever o método que você usa em sua disciplina Architectural Assemblies no MIT?
MS: É mais uma evolução do que fiz antes. O que eu faço melhor – porque eu não sou organizado, mas eu compenso por ter uma boa memória – é que eu uso os ativos da nossa empresa, que é um material visual fantástico, em seqüências de imagens, sem uma narrativa pré-estabelecida. Eu uso imagens como uma estrutura para contar histórias. Portanto, o conteúdo principal é essencialmente uma série de estudos de casos com curadoria que tentam transmitir questões importantes e também uma diversidade de questões. Sempre foi fluido e talvez um pouco fluido demais. Eu provavelmente preciso gastar um pouco mais de tempo estruturando isso. Mas a maneira como sempre fiz isso é: vou apresentá-lo nesse nível, nesse nível alto, e falar nesse nível, e não vou gastar muito tempo explicando. Quer dizer, a explicação são as imagens mais o que eu disser, e se as pessoas recebem 5, 10, 20, 25% do que estou dizendo, isso é ótimo. Eu não estou aqui para dizer o que você já sabe, e eu não estou aqui para dar comida na boca dos alunos, como na escola, mas eu acho que as primeiras críticas a esse curso do jeito que eu fiz é que o material não é apresentado de uma maneira que otimiza a aquisição de conhecimento. E para mim isso não é algo que estou acostumado a fazer, porque não trabalho dessa maneira, e levaria muito tempo para organizar o conteúdo de modo que ele tenha uma sequência lógica que otimize a aquisição de conhecimento, então não é provável que faça isso.
GC: Mas eu acho que o curso foi muito bem, porque os alunos também aprendem fazendo as maquetes dos casos estudados, certo? Mas você acha que, estudando e representando detalhes existentes, os alunos aprendem mais do que se eles estivessem desenvolvendo seus próprios detalhes?
MS: Desde o início, decidimos que haveria um componente colaborativo do trabalho em grupo neste curso. Mas eu e Meejin decidimos que não haveria um componente de projeto, porque isso resultaria em uma competição com os ateliers de projeto. E também, como eu disse antes, projetar detalhes de fachada sem um contexto urbano e arquitetônico completo para mim é como fazer escalas técnicas no piano – não é um projeto real. Então, eu prefiro fazê-lo no contexto de um atelier, e é por isso que eu também dou aula de atelier, além desta disciplina técnica. Se você não for oferecer um atelier acompanhando uma disciplina técnica para fazer a parte do projeto, então o melhor é fazer os estudos de caso. E depois há uma variedade de estudos de caso que foram estudos de caso de outras pessoas e estudos de caso com os quais eu tenho envolvimento. E é a primeira vez que faço isso com projetos em que estou envolvido. Eu sempre fiz isso com os projetos dos outros. Isso é interessante para mim agora, porque percebo que tenho um conhecimento tão profundo e posso transmitir também desenhos e detalhes, que posso acelerar e também aprofundar sua verdadeira compreensão. E não acho que haja nada de errado em analisar o trabalho existente e tentar modelá-lo digitalmente e, em seguida, fazer algum tipo de "fac-símile" de um componente dele. Todo esse processo não está completo, mas ainda assim é valioso. Então, o que aprendemos neste curso é que esse processo ainda requer muito controle, e é por isso que acabamos mudando toda a estrutura da turma, para dar a eles uma hora a uma hora e meia de tempo de assessoria (após) cada palestra (semanal), dedicada ao estudo de caso de cada equipe. Originalmente não íamos fazer isso. Seriam três horas de palestras com estudos de caso e então eles apenas trabalhariam em segundo plano, mas parece que eles precisavam de muita ajuda. E foram nossos assistentes de ensino (TAs) que sugeriram isso, porque eu acho que as pessoas estavam começando a sentir uma falta de conexão entre o conteúdo da sala de aula e o que se esperava que eles fizessem nos bastidores. E isso foi bom, porque de certa forma era uma expectativa irreal e eles não sabiam o que fazer.
GC: Eu tenho assistido a essas discussões e acredito que elas são extremamente valiosas para os alunos.
MS: É por isso que que o curso agora está ficando assim. Acho que vai ser, desde o primeiro dia até o final, provavelmente 35% de estudos de caso, revisões e discussões e 65% de conteúdo de palestras.
GC: Eles estão aprendendo o vocabulário que você usa quando fala com consultores, eles estão vendo o tipo de conhecimento que você tem, por que as coisas são assim, como funciona, e assim por diante. Eu acho isso inestimável.
MS: E agradeço ao John por ter tido a ideia de montarmos uma exposição. O trabalho é bom, e em termos de valor da comunidade na escola, não há nada de errado em se exibir grandes maquetes de arquitetônicas. Sempre há um benefício. Há um sentimento de realização, de construção de comunidade, há orgulho, e também é um incentivo para os alunos da turma se saírem bem. Isso coloca muita pressão sobre eles, mas acho que todos se sentem muito bem tendo a oportunidade de mostrar seu trabalho.
notas
23 Website National Architectural Accrediting Board <https://bit.ly/2pJaC9Z>.
Maquete de estudo de detalhamento do Stavros Niarchos Foundation Cultural Center, obra de Renzo Piano
Acompanhar a disciplina Architectural Assemblies do MIT permitiu-se refletir sobre várias questões, mas em especial sobre a importância de se ter profissionais ativos e com experiência prática participando da formação de jovens arquitetos. Ter acesso a desenhos de detalhamento e imagens do processo de fabricação e construção das fachadas de algumas das mais importantes obras de arquitetura contemporânea, juntamente com as explicações sobre o como e por quê elas foram produzidas, é algo inestimável na formação de um arquiteto. No entanto, a participação desse tipo de profissional na formação de estudantes de graduação está se tornando cada vez mais difícil nas universidades públicas brasileiras (em particular no Brasil), devido à falta de flexibilidade para contratação de instrutores e à priorização da contratação de instrutores em período integral.
Exposição Architectural Assemblies na Keller Gallery, MIT
Ficha técnica
Marc Simmons
Arquiteto formado pela Universidade de Waterloo, no Canadá, e sócio-fundador da empresa Front, Inc. Foi professor nas universidades de Columbia, Princeton e Georgia Tech, e atualmente é professor no MIT.
Gabriela Celani
Graduada e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo – USP e PhD em Design and Computation pelo Massachusetts Institute of Technology – MIT. Foi pesquisadora visitante na Universidade Técnica de Lisboa – UTL e no MIT. É professora de Projeto e Tecnologia da Arquitetura e Urbanismo na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp desde 2004, onde fundou o Laboratório de Automação e Prototipagem para Arquitetura e Construção – Lapac. Foi vice-presidente da Sociedade Iberoamericana de Gráfica Digital – SIGraDi e atualmente é membro do comitê executivo da Caad Futures Foundation. Em 2017, recebeu da SIGraDi o prêmio Arturo Montagu por sua trajetória acadêmica. Entre outras publicações editou, com Maycon Sedrez, o livro Arquitetura contemporânea e automação: prática e reflexão (ProBooks, 2018).
Entrevista
As entrevistas com Marc Simmons e John Klein; assim como com os monitores John Christopher Fechtel e Paul Luis Short ocorreram no mês de março de 2018 no Massachusetts Institute of Technology – MIT, em Cambridge.
Tradução
O texto foi traduzido do inglês para o português pela entrevistadora, Gabriela Celani.
Agradecimentos
Gostaria de agradecer à Fundação de Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp, por financiar minha bolsa de estudos no MIT no semestre da primavera de 2018 (processo #017/08171-0). Agradeço também a Caio Castriotto, Raquel Leite e Verley Côco Jr. pela revisão e sugestões.