entrevista ISSN 2175-6708
031.01 · ed. 08.031

sinopses

português
José Veríssimo Teixeira da Mata e Katsirina Handrabura entrevistam o arquiteto Oscar Niemeyer, que completa cem anos este ano, sobre a relação do artista com as suas criações e com o tema da cultura

english
José Veríssimo Teixeira da Matta and Katsirina Handrabura interview the architect Oscar Niemeyer, who turns one hundred years this year, on the relationship between artist and his creations and with the theme of culture

español
José Veríssimo Teixeira da Mata y Katsirina Handrabura entrevistan al arquitecto Oscar Niemeyer, que cumple cien años este año, sobre la relación del artista con sus creaciones y con el tema de la cultura

como citar

José Veríssimo Teixeira da Mata . “Oscar Niemeyer”. Vitruvius entrevista, ed. 08.031. Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/08.031/3294

Oscar Niemeyer, 1998
Foto Dalva Thomaz

No ano do centenário de Oscar Niemeyer, é normal que a sua obra mundialmente reconhecida seja revisitada com o maior interesse. Só isso, para fazer coro com os pitagóricos, o mistério de um número, e o número cem não é um qualquer, já justificaria o interesse da revista russa Smisl (“sentido”, em português) em colher o depoimento de Oscar sobre alguns temas. Porém, depois de mais de setenta anos de arquitetura, não caberia talvez perguntar, mas procurar compreender o sentido que perpassa essa vasta e revolucionária obra onde a objetivação do traçado arquitetônico se integra de forma genial ao grande espaço, em exercício de liberdade e gênio. A Esplanada dos Ministérios já revela de modo cabal esse cuidado na intervenção pelo projeto em que a série “caixinhas”, para usar a expressão de Vitcheslav Glazíchev, não interrompe a visão perspéctica do horizonte e realça os demais edifícios intrinsecamente monumentais.

Eis por que eu e Katsirina Handrabura, diretora-geral da Smisl, optamos por fazer umas poucas perguntas a Niemeyer e que dissessem respeito à relação do artista com as suas criações ou à sua relação com o tema da cultura. É claro haveria a pergunta sobre Brasília e, sendo a revista da Rússia, haveria a pergunta sobre a mudança na capital naquele país, tema que eventualmente surge por lá.

Foram sete questões. As respostas revelam o mesmo traço despojado e humano, onde o marxista se mostra inteiramente preparado para projetar um espaço sagrado, seja uma catedral, ou uma pequena igreja, uma capelinha, na qual o homem religioso busca tornar-se íntimo de sua divindade. Niemeyer nomeia os prediletos entre os seus projetos mais recentes e insiste em um princípio de que os jovens arquitetos não deveriam jamais se esquecer: da infinidade de formas que o concreto armado encerra.

Por fim, o inquieto intelectual se insurge contra essa desgraça, que é o especialista com diploma, cuja existência mata qualquer possibilidade de vida verdadeiramente comunitária. Como se estivesse a indicar o antídoto a esse perigo, revela a sua dívida para com dois grandes russos, Tolstoi e Dostoiévski, verdadeiras escolas de uma ética solidária.

Museu Oscar Niemeyer, Curitiba
Foto Abilio Guerra