português Beatriz de Abreu e Lima entrevista o filósofo e professor de Teoria da Arquitetura da Universidade de Columbia e Crítico Visitante de Teoria da Arquitetura na Architectural Association School of Architecture em Londres
english Beatriz de Abreu e Lima interviews the philosopher and teacher of Theory of Architecture at Columbia University and Visiting teacher at Architectural Association School of Architecture
español Beatriz de Abreu e Lima entrevista al filósofo y profesor de Teoría de la Arquitectura de la Universidad de Columbia, y Visitante de Teoría de la Arquitectura en la Architectural Association School of Architecture
como citar
Beatriz de Abreu e Lima.
“Andrew Benjamin”.
Vitruvius entrevista, ed. 03.012.
Disponível em: https://vitruvius.com.br/revistas/read/entrevista/03.012/3340
Série Paisagens. Brasília, 1995 [fonte: Cortesia artista Carlos Borges]
Inquietações de um filósofo Beatriz de Abreu e Lima & Mônica Schramm
Qualquer pessoa que tenha se ocupado em propor uma solução espacial ou resposta física para um problema, por mais simples que seja, provavelmente se deparou, num certo momento, com decisões estéticas e, provavelmente também teve que optar por uma maneira de fazer, ou seja, recorrer a algum tipo de “saber“.
Decisões e opções, em um processo de criação, são feitas a todo momento. No caso da arquitetura poderíamos nos questionar, por exemplo, sobre a razão de utilizarmos certas topologias e não outras; sobre o sentido de renderizar ou não um modelo tridimensional; sobre a validade de usar o croqui como instrumento de investigação; sobre o porquê de nos ocuparmos tão intensamente com questões relativas à forma; sobre como projetar e que instrumentos utilizar.
O filósofo Andrew Benjamin, nesta entrevista, incita o arquiteto a fazer do ato de projetar um ato de pensar e questionar, seja no âmbito acadêmico ou na prática, valorizando um estado de consciência que implica um processo contínuo de tomada de decisões.
Esta disposição filosófica para a crítica, avaliação e re-avaliação sem preconceitos, dá margem, por exemplo, a refletirmos sobre como pode ser projetar digitalmente.
Como nos diz Andrew Benjamin, “o Projeto Assistido por Computador (CAD) traz consigo seus próprios problemas teóricos e arquitetônicos”, mostrando que a inserção em uma sociedade informatizada não substitui a atividade do “pensar”.
Contexto
Esta entrevista com o filósofo Andrew Benjamin, juntamente com as entrevistas com o arquiteto Patrik Schumacher e o engenheiro Charles Walker, disponíveis neste mesmo site, compõem (ou recompõem) um importante cenário. Estas pessoas têm em comum o fato de possuírem alguma ligação com a Architectural Association School of Architecture, a AA School de Londres (1) e mais especificamente com o seu Design Research Laboratory – DRL (Laboratório de Pesquisa em Projeto), cujas investigações digitais abordam temas relativos a arranjos e organizações espaciais e sociais emergentes.
As entrevistas foram feitas em Londres, em janeiro de 2000, pela ocasião do término de meus estudos de mestrado no DRL/AA. A idéia de realizá-las surgiu de forma intuitiva tentando reunir óticas diversas de uma realidade multifacetada. No entanto, as entrevistas apontam para a complementaridade dos pensamentos dos entrevistados e para a adequabilidade de seus discursos ao contexto europeu comunitário e globalizado.
Nota-se, também, o marcante caráter interdisciplinar e difuso da atuação profissional dos entrevistados.
O cenário delineado assume relevância por sua própria lógica e coerência, abrindo todo um campo de possibilidades para pensarmos simultaneamente sobre o contexto brasileiro.
nota
1 Architectural Association School of Architecture, a AA School, ou simplesmente AA, é uma escola de arquitetura dirigida pela Architectural Association, entidade independente, fundada em 1847 em Londres, para promover o livre debate sobre arquitetura. É uma escola reconhecidamente engajada em discursos contemporâneos de arquitetura, constituindo um efervescente centro de debates.
Série Paisagens. Brasília, 1995 [fonte: Cortesia artista Carlos Borges]
Jardim Aquático para Jeff Kipnis, 1995 [fonte: Cortesia Reiser + Umemoto, RUR Architecture P.C]
Beatriz de Abreu e Lima: Nas suas investigações os temas de Arquitetura prevalecem sobre os temas de Arte pura. Como o senhor avalia as possíveis associações entre Arte e Arquitetura?
Andrew Benjamin: Eu acho que a questão importante para se pensar filosoficamente sobre Arquitetura é se concentrar na particularidade do objeto e no fato de que a Arte é importante na medida em que possibilita entender como pensamos o que é especificamente arquitetônico. Por exemplo, por que alguém se preocuparia com a superfície de uma pintura e desenvolveria um entendimento teórico-histórico sobre como ela funciona? A superfície de uma pintura é necessariamente diferente da função de uma superfície na Arquitetura. Por isso, se alguém se interessa pela questão da superfície na Arquitetura, seria importante verificar que uso ou valor poderia ser feito das reflexões sobre Arte para que se possa responder à questão arquitetônica. Grande parte do meu trabalho tem tentado resistir ao rápido movimento entre Arte e Arquitetura, e, em fazendo isso, tentar pensar na especificidade de cada um.
BAL: Qual a sua opinião sobre o atual processo de associação entre Arquitetura e Filosofia em oposição ao par tradicional, Arte e Arquitetura?
AB: Eu acho que a Filosofia e a Teoria da Arquitetura são fundamentais para se pensar a particularidade da Arquitetura. Como eu disse, a Filosofia acrescenta à Arquitetura, fornece os meios teóricos para se pensar aquilo que é específico da Arquitetura. Mas, se você faz o inverso, pode encontrar na Teoria da Arquitetura, por exemplo, em Vitruvio, Alberti, etc, passagens que são explicitamente filosóficas, como se fossem elementos da estética filosófica. Então, acho que sempre houve uma relação próxima entre elas, mas agora acredito que essa associação está se movendo na direção não de uma preocupação com as Artes Visuais, mas com uma particularidade dentro das Artes Visuais.
Projeto para o Porto de Yokohama, 1995 [fonte: Cortesia Reiser + Umemoto, RUR Architecture P.C]
Arquivo AA/DRL /Projeto Concavexus. Londres, 2000. Beatriz de Abreu e Lima e Manuela Irlwek/Tutor: Patrik Schumacher
Beatriz de Abreu e Lima: De que maneira o senhor enxerga a sua participação como filósofo em atividades acadêmicas nas escolas de Arquitetura, inclusive como crítico convidado para bancas examinadoras de projetos de estudantes de pós-graduação na Architectural Association?
Andrew Benjamin: Eu acho que o que caracteriza a Architectural Association, e que também vale para outras escolas de Arquitetura, é o modo como, por muitos anos, os filósofos têm representado um papel dentro da escola, tanto introduzindo textos explicitamente teóricos ou filosóficos, como levantando questões próprias do design/projeto e da produção de formas; sem que isso seja feito no estúdio/atelier, onde o que importa é a atividade do design/projeto. Faz parte do processo em que estou envolvido conseguir com que os estudantes pensem, por exemplo, sobre a questão da superfície e da produção de formas e avaliem e julguem questões relacionadas com a forma, sem que sejam avaliações e julgamentos acontecendo exclusivamente no nível do design/projeto. É meu objetivo oferecer meios teóricos e filosóficos com os quais abordar a questão. Acho muito importante que as escolas de Arquitetura envolvam profissionais de outras disciplinas, especialmente pelo fato de que isso faz com que os estudantes - e os estudantes estão interessados em Filosofia e Teoria - pensem sobre como eles relacionariam questões filosóficas e teóricas com o seu trabalho como designers. A Filosofia não pode dizer tudo, a Teoria não pode dizer tudo, mas Filosofia e Teoria podem fornecer modos de pensar sobre estas questões (…) Eu não acho que se deva ver a Arquitetura como uma tradução da Teoria, mas ver a Teoria como já inerente às preocupações arquitetônicas, e não transferida para estas preocupações.
BAL: Em suas aulas o senhor aborda a questão do “literal”. “Uma dobra é uma dobra, uma rosa é uma rosa, uma superfície é uma superfície”…
AB: O problema do literal é simplesmente este: se pegássemos a noção Deleuziana de dobra, ou a noção de Derrida de deconstrução e perguntássemos o que são estas coisas em Arquitetura…bem, a resposta literal é produzir um prédio que seja literalmete “dobrado” ou literalmente “deconstruído”. O literal é muito sedutor, porque é fácil. No entanto, se o modo como a dobra - a idéia filosófica da dobra, que vem de Leibniz e foi tomada por Deleuze - se isto vai aparecer na Arquitetura, e não é para aparecer literalmente, como aparece? Então, não existe uma resposta direta para esta pergunta, mas é uma boa pergunta. Então, se livrar do literal é permitir que questões surjam como questões; e questões pedagógicas e teóricas sem respostas diretas são muitíssimo importantes, elas fazem as pessoas pensarem. Então, se eu uso como estratégia a introdução do literal para dizer, bem, se não é literal o que é ? Este é um passo que abre todo um campo de possibilidades… e eu estou revelando meus segredos!
Museu Mercedes Benz, Stuttgart, Alemanha, 2002 [fonte: Cortesia UN Studio – Ben Van Berkel & Caroline Bos]
Beatriz de Abreu e Lima: Como o senhor vê a produção de maquetes e desenhos como representações e como métodos de projetação na prática da Arquitetura e nas escolas de Arquitetura?
Andrew Benjamin: Eu não estou bem certo da minha resposta para estes tipos de questões pois da minha posição de filósofo, eu sempre me preocupo em como é compreendida a transição do desenho para a maquete, ou do diagrama (1) para a maquete. Embora esteja claro que diagramas e desenhos possam ser vistos como representações, ou parcialmente como representações, ou conter a capacidade de gerar representação, não está claro que eles devem ser vistos diretamente como representacionais. A diferença entre o desenho e o diagrama, e entre a maquete e o prédio; é simplesmente uma questão de escala, (…) o que se torna interessante no processo é como é compreendida a mudança do diagrama ou do desenho para a maquete, e o perigo - e eu acho que este perigo existe em todo lugar - é que os estudantes tendam a construir seus diagramas ou seus desenhos, de forma que possam extrudá-los, introduzir a terceira dimensão, “renderizá-los” e depois construí-los. E eu acho que esta é em parte a porção tecnológica do problema, na medida em que tanto trabalho tenha sido realizado em computadores, permitindo que isto aconteça. Então, ao mesmo tempo em que o computador auxilia o design/projeto, ele gera seus problemas específicos. (…) O Projeto Assistido por Computador (Computer Aided Design – CAD) traz consigo seus próprios problemas teóricos e arquitetônicos. Depois de fazer uma análise no computador, você pode extrudar esta análise, renderizá-la e tentar construí-la. Eu acho que este é um dos grandes problemas que ocorre, por isso é necessário ser muito cuidadoso com a maneira como a tecnologia é usada e, por cuidadoso, eu simplesmente quero dizer que se deve estar consciente do que se está fazendo o tempo todo. (…) Há somente a necessidade de um certo cuidado com a natureza de todos os apelos feitos em nome das animações. É claro, eu quero dizer, que o CAD podefuncionar como uma animação, de modo que você pode passar de um ponto para outro. Mas, existe uma grande diferença entre animação e Arquitetura, e o que não se faz, a contento, é pensar as suas diferenças e suas relações. Algumas pessoas parecem ver uma continuidade suave demais entre elas. E eu tenho me interessado em pensar como é que elas se diferenciam e como essa diferença induz o desenvolvimento da Arquitetura.
BAL: No processo de reflexão filosófica na produção arquitetônica a pós-racionalização seria uma ferramenta de projeto?
AB: Pós-racionalização? Reflexão posterior?
BAL: Sim.
AB: Eu acho que isto, na verdade, tem algo a ver com o processo de criatividade. O processo de criatividade é de certo modo imprevisível. Quando você começa a escrever, mesmo que saiba aonde quer chegar, coisas brotam no caminho, e coisas ocorrem quando você está escrevendo, que você jamais teria pensado, previsto. O imprevisível sempre existe dentro de cada processo criativo, e é isso que torna escrever e projetar tão frustrante, mas também tão estimulante. Sempre existirá o imprevisível e eu acho que por isso, parte do que você chama pós-racionalização tem a ver com o que você pensa sobre como retornar às coisas que você já fez e como continuar a desenvolver seu trabalho. Acho que tanto os arquitetos quanto os filósofos precisam retornar e aprimorar o que é produzido. E de novo, para mim, como professor, o que é importante é treinar estudantes para serem capazes de fazer isto, retornar, ou para ter os meios para serem capazes de julgar. Todas estas coisas são fundamentais para como eu entenderia meu papel como professor, tanto na Faculdade de Filosofia quanto na Architectural Association.
nota
1 “De maneira geral, os procedimentos e as técnicas fundamentais do conhecimento arquitetônico, durante a segunda metade do século XX, aparentemente deslocaram-se do desenho para o diagrama. Isto não quer dizer que certos tipos de diagrama não tenham feito parte da arquitetura em diversos momentos da história, mas quer dizer simplesmente que apenas nos últimos trinta anos o diagrama foi totalmente ‘efetivado’, tornou-se quase completamente o objeto da arquitetura.” In EISENMAN, Peter. Diagram Diaries, Thames & Hudson, 1999”. Tradução de Beatriz de Abreu e Lima e Mônica Schramm.
Museu Mercedes Benz, Stuttgart, Alemanha, 2002 [fonte: Cortesia UN Studio – Ben Van Berkel & Caroline Bos]
Maquetes físicas, tema: Museu de Arte, Brasília, 2001-2002. Alunos da disciplina ARQ 4 do UniCEUB
Beatriz de Abreu e Lima: Michel Foucault sugeriu que este século seria conhecido como Deleuziano. O senhor também pensa assim?
Andrew Benjamin: É muito difícil comentar sobre modismo intelectual. Eu acho perigoso dar muito significado a nomes próprios. Eu acho que certamente Deleuze se preocupa - e eu acho que o mesmo se pode dizer de vários outros filósofos, arquitetos e teóricos - em tentar se distanciar das Teorias de totalidade, ou Teorias que são dominadas por questões centrais. Eu acho que Deleuze é parte de um movimento filosófico, no qual eu me incluiria, que toma a pluralidade, uma pluralidade ontológica, como momento fundamental e por isso preocupa-se com questões de como lidar com a ilimitabilidade da pluralidade. Então, se é Deleuziano, ou não, é uma outra questão. O que seria uma questão interessante é o fato de como se pensa a pluralidade, como se pensa o cosmopolitanismo, como se pensa a diferença. Todas estas questões, eu acho, dominam um certo tipo progressivo de atividade filosófica ou teórica. E, na Arquitetura, surge a questão de como são aproveitadas estas idéias; geralmente abordadas no nível da produção de formas e em termos da idéia da Arquitetura cosmopolita. Uma Arquitetura que não é nem vernacular nem internacional, mas, de certa forma, cosmopolita.
BAL: E com relação ao vernacular, inscrito numa economia global?
AB: Eu acho que a globalização só pode ser compreendida pari passu com a regionalização. As duas coisas não existem separadamente. O Estado Nação perde importância como influência organizadora, tornando-se fundamentais as regiões. Como se define regiões torna-se uma questão importante, as regiões é que são fundamentais e existem em relação ao global. A resposta sobre a globalização é que ela não pode ser pensada fora da relação com a regionalização, e eu acredito muito nisso. Em termos da cidade virtual, quero dizer que, até certo ponto este termo é uma metáfora (e muito persuasiva), mas eu acho que o que faz é testar a verdade do jogo entre o regional e o global. Por exemplo, do escritório pode-se contactar todo o mundo através da internet e do e-mail, ter acesso à informação e trocar idéias de maneira que não eram possíveis antes. No entanto, isto sempre tem efeitos regionais. Logo, a cidade virtual não é verdadeiramente virtual, porque é ao mesmo tempo global e regional. Acho que precisamos pensar a relação entre estas duas coisas, o global e o regional.
BAL: Mas quando o senhor menciona o regional, também o relaciona ao nacionalismo?
AB: Não, e eu acho que esta é exatamente a questão. O que é interessante sobre o regionalismo é o fato de ser uma concepção de espaço, e até de geografia, se você preferir, determinada pela localização. Não é determinada por raça, história, ou etnia. Embora todas essas coisas apareçam, eu acho que o regional tem que ser sempre visto como o oposto do nacional.
Projeto para o Porto de Yokohama, 1995 [fonte: Cortesia Reiser + Umemoto, RUR Architecture P.C.]
Beatriz de Abreu e Lima: Qual é o seu principal interesse filosófico hoje?
Andrew Benjamin: Bem, meu trabalho na Filosofia tem origem em um livro que escrevi sete anos atrás, chamado The plural of ends, que é um livro sobre o que eu penso filosoficamente, sobre a pluralidade ontológica, sobre a primazia da repetição e a importância de se pensar a diferença. Este é “o livro”, que mostra o que eu quero pensar e como eu penso, e o que estou fazendo. O que eu venho fazendo nos últimos anos é trabalhar continuamente este livro e escrever outras coisas, desenvolvendo de uma forma fundamentada as idéias deste livro. Em The architectural philosophy faço uma tentativa de incorporar algum pensamento por trás do The plural of ends, em um pensar sobre Arquitetura, não para aplicar diretamente isto, mas para ver o que acontece quando você pega ontologia, pluralidade e repetição como fundamentais para a atividade de Arquitetura.
BAL: O senhor poderia falar um pouco mais sobre os conceitos de “repetição” e “interrupção” na Arquitetura?
AB: Eu acho que em tudo isso existe meu desejo contínuo de interromper o processo. Acho que existe algo na interrupção que permite que a verdade das coisas apareça, então eu suspeito sempre de fluxos muito suaves, eu quero ver alguma forma de interrupção. (…) A repetição que acontece pela primeira vez incorpora o que já falamos sobre o imprevisível, ou o imprevisível tem que ser compreendido tanto como interrupção como uma repetição. Não existe nada que seja absolutamente novo, e sim coisas que acontecem de novo pela primeira vez. E nisso se tem interrupção. Eu acho que existe algo muito importante em trabalhar como isso destrói a idéia de continuidade absoluta e relações “suaves” absolutas. Por isso eu me interesso em alguns trabalhos de Arquitetura nos quais mutação e transformação ocorrem, como parte do processo do projeto.
BAL: E quais arquitetos estão trabalhando com esses conceitos?
AB: Eu penso que são aqueles sobre os quais eu escrevi, Eisenman e Reiser & Umemoto. Estou certo de que se pode interpretar desta forma elementos do trabalho de Ben Van Berkel, ou certos elementos dos trabalhos de Liebeskind e de Bernard Tschumi. Existe um grupo de pessoas que trabalha costumeiramente desta maneira.
BAL: Tudo está se tornando digital e rápido. O senhor acredita que esta super-aceleração também influencia a Filosofia e conseqüentemente a reflexão?
AB: Bem, como eu já disse muitas vezes, devagar também é uma velocidade, rápido é uma velocidade, mas devagar é uma velocidade. (…) Eu acho que a revolução digital significou que um monte de coisas acontecem muito rapidamente. No entanto, o conceito de velocidade é geralmente bem banal. Um disco rígido de 20 giga bites executa operações com velocidade enorme, mas é 1 segundo em vez de 10 segundos, então, eu acho que é uma noção bem banal de velocidade. Podemos falar com o mundo todo de qualquer lugar, com uma grande velocidade, mas de novo é bem banal, pois acho que a dificuldade está na necessidade de se gastar muito tempo refletindo sobre as atividades filosóficas e arquitetônicas. Tem a ver com o que eu disse antes sobre a tradução, por exemplo, do diagrama para a maquete, que não é simplesmente a renderização ou a extrusão. E se não é isso, então o que se tem que fazer é pensar nesta relação, (…) e ninguém pode apressar isso.
BAL: O senhor está trabalhando em um livro agora?
AB: Eu acabei de terminar um livro chamado The architectural philosophy.(…) onde tentei desenvolver um relato das minhas opiniões sobre Filosofia e Arquitetura. No momento estou escrevendo um livro, Surface effects, que é a transcrição do curso que eu dei nos últimos dois anos na Architectural Association.
Série Paisagens. Brasília, 1995 [fonte: Cortesia artista Carlos Borges]
Andrew Benjamin
Professor de Filosofia da Universidade de Warwick - Inglaterra, Professor Visitante de Teoria da Arquitetura da Universidade de Columbia em Nova York - EUA, Crítico Visitante de Teoria da Arquitetura na Architectural Association School of Architecture em Londres - Inglaterra, onde também ensina no curso de pós-graduação de Arquitetura “DRL-Design Research Laboratory” (Laboratório de Pesquisa em Projeto). Atualmente reside na Austrália. Tem publicações na área de Filosofia e Teoria da Cultura, Arte e Arquitetura contemporâneas. Seus livros mais recentes são: Architectural Philosophy; Present Hope: Philosophy, Architecture, Judaism e Reiser + Umemoto: Recent Projects.
Entrevista
Andrew Benjamin foi entrevistado pela arquiteta Beatriz de Abreu e Lima na Architectural Association School of Architecture, Londres, em janeiro de 2000. A entrevista foi disponibilizada em Vitruvius em dezembro de 2002.
Tradução
A versão para o português foi feita em conjunto pelas arquitetas Beatriz de Abreu e Lima e Mônica Schramm.
Beatriz de Abreu e Lima & Mônica Schramm
Beatriz de Abreu e Lima e Mônica Schramm têm interesse em experimentações na prática do projeto de arquitetura e urbanismo; sua fundamentação, investigação e desenvolvimento na era digital. Pesquisam atualmente os “Espaços Intersticiais de Brasília” e “O potencial das contribuições do artesanato popular brasileiro para a arquitetura na era digital”.
Beatriz tem mestrado em Projeto de Arquitetura pela Architectural Association School of Architecture (bolsa da Capes) e leciona a disciplina de Projeto de Arquitetura no Centro Universitário de Brasilia – UniCEUB, e Mônica trabalha no escritório de arquitetura Zimbres Arquitetos Associados, em Brasília.